Por que facilitar o uso pode diminuir o alcance do Snapchat

Aplicativo anunciou mudança para tentar conquistar adeptos, mas pode ter problemas com usuários atuais

     

    O Snapchat anunciou que fará uma grande mudança no aplicativo para tornar seu uso mais fácil. O aplicativo é conhecido pela dificuldade que novos usuários têm ao acessá-lo pela primeira vez: é difícil, por exemplo, adicionar amigos e seguir as publicações deles no aplicativo, que não tem uma linha do tempo. A mudança foi motivada por dificuldades financeiras que surgiram após o Facebook copiar grande parte das funções do Snap. Mas tornar a navegabilidade mais amigável pode ter um impacto negativo no número de usuários do Snapchat.

    O Snapchat é um aplicativo de compartilhamento de mensagens e imagens. A inovação da start-up, que surgiu há seis anos, é que os envios desaparecem após 24 horas. De acordo com o colunista de negócios e tecnologia do New York Times Kevin Rose, isso encoraja as pessoas a compartilhar com seus amigos de forma mais honesta, sem se preocupar com que os conhecidos vão pensar. O Snap funciona em tempo real, com os usuários postando coisas à medida em que elas vão acontecendo, o que vira uma história completa.

    A dificuldade de navegar é um sentimento comum para quem usa o aplicativo pela primeira vez. Diferentemente de outros concorrentes como o Facebook e Instagram, ele não é intuitivo – seu design é tão minimalista que, quando a empresa entrou na Bolsa de Valores, precisou fazer um manual para explicar aos investidores como ele funcionava.

    Esta dificuldade, porém, é uma grande atração para adolescentes, que ficam com a rede só para eles, sem interferência de pais, que não sabem usar o aplicativo. O Snap superava o Facebook entre pré-adolescentes, de acordo com o grupo de pesquisas eMarketer. Um relatório do grupo mostrava que, em 2017, o número de usuários do Facebook com idades entre 12 e 17 anos era de 14,5 milhões, enquanto, no Snapchat, ele era de 15,8 milhões. O Snapchat, até hoje, baseava-se em uma estratégia conhecida como “shareable design” (algo como design compartilhável), que exigia que uma pessoa explicasse à outra como usar o aplicativo, criando assim uma experiência compartilhada entre esses dois usuários.

    A dificuldade de navegação, porém, forçou os donos da empresa a planejar uma reestruturação da plataforma. É uma tentativa de atrair novos usuários, mas pode também resultar em perda do público atual, como disse o CEO da empresa, Evan Spiegel.

    “Há grandes chances de que a reestruturação seja disruptiva para nosso negócio em curto prazo, e não sabemos como o comportamento de nossa comunidade mudará quando começarem a usar o aplicativo atualizado. Mas estamos dispostos a correr esse risco pelo que acreditamos ser benéfico em longo prazo para a empresa”, afirmou Spiegel em comunicação com os investidores.

    Entre as mudanças anunciadas por Spiegel também estão a inclusão de um feed de histórias principais, escolhidas por meio de um algoritmo, como já acontece no Facebook e no Twitter, e uma mudança no sistema de vendas de anúncios. Além disso, a empresa tentará expandir sua presença em países em desenvolvimento, de onde vêm apenas 25% dos seus usuários.

    Concorrência com o Facebook

    As mudanças no Snapchat foram anunciadas após a divulgação de um relatório de resultados que decepcionou investidores. A empresa entrou na Bolsa em março e, desde então, acumula resultados negativos. No total, a receita do Snapchat foi de U$S 207,9 milhões no terceiro quadrimestre do ano, abaixo das expectativas do mercado, que previam US$ 235,5 milhões. Mais 5 milhões de usuários entraram no Snapchat, outra vez abaixo da expectativa de Wall Street, de 8 milhões.

    O principal problema do Snap é que o Facebook copiou boa parte de suas ferramentas inovadoras. Em 2016, a empresa implementou a função “Stories” no Instagram, um formato lançado pelo Snapchat. No Stories, o usuário pode postar fotos e vídeos que ficam online por apenas 24 horas antes de desaparecer. Em janeiro de 2017, a função chegou ao Facebook; em fevereiro, ao WhatsApp, também do grupo de Mark Zuckerberg.

    Antes disso, o Facebook já havia comprado o aplicativo MSQRD, que permite adicionar efeitos e máscaras às fotos. Essa era uma das funções mais marcantes do Snapchat, e agora também está disponível no Facebook.

     

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