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Qual a trajetória dos reajustes do Bolsa Família desde 2003

Ministro do Desenvolvimento Social anunciou aumento acima da inflação para 2018.‘Nexo’ mostra como o benefício médio cresceu, desde que o programa começou

    O ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, disse na segunda-feira (13) que o programa Bolsa Família terá reajuste real em 2018. O político estimou que o ganho real do benefício ficará entre 0,5 e 1 ponto porcentual acima da inflação.

    O programa Bolsa Família foi criado em outubro de 2003 pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, unindo uma série de benefícios pagos isoladamente a famílias carentes. O programa é a maior bandeira social dos governos do PT, mas também é reconhecido por adversários, como o presidente Michel Temer e políticos do PSDB, que defendem que a ideia do programa surgiu durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

    O valor do benefício é calculado de acordo com as características de cada família e varia de acordo com a renda e a quantidade de pessoas. Há um benefício básico de R$ 85 para famílias "extremamente pobres" e adicionais de R$ 39 para gestantes e filhos recém-nascidos e em idade escolar. Com tantas variáveis, o Ministério do Desenvolvimento Social trabalha com o conceito de benefício médio, que é atualmente de R$ 182,30.

    Desde 2003, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social, o valor do benefício foi reajustado apenas seis vezes. O último aumento aconteceu em julho de 2016, já no governo Temer.

    Com base na promessa de Osmar Terra, de conceder um reajuste acima da inflação em abril de 2018, o Nexo fez uma projeção do novo valor. Para a inflação dos seis meses que faltam até abril, foi usado o IPCA do mesmo mês do ano anterior. Na projeção, o ganho real, que Terra estipulou entre 0,5 e 1 ponto porcentual, é de 0,75. Assim, o aumento médio ficaria em torno de 5,15%.

    R$ 193

    projeção do benefício médio para 2018

    Ganho real do benefício

    Desde que o Bolsa Família foi criado, em outubro de 2003, a inflação acumulada é de 121%. O processo inflacionário é comum na economia e - tirando o período entre 2013 e 2015 - o aumento de preços não foi o grande problema do país nos últimos anos. Mas, na prática, preços mais altos significam dinheiro valendo menos.

    Com base nos dados do Ministério do Desenvolvimento Social, o Nexo calculou quanto o benefício médio deveria ter sido reajustado apenas para compensar a desvalorização do dinheiro. Nos gráficos, as barras são o valor do benefício médio e a linha representa qual seria o crescimento se ele fosse reajustado somente pela inflação.

    Histórico

     

    Por governo

    No gráfico, é possível perceber que o benefício médio do Bolsa Família foi reajustado abaixo da inflação até por volta de 2011. Ou seja, o benefício tinha menor poder de compra. Os maiores reajustes reais aconteceram no governo Dilma Rousseff.

    O Nexo separou a evolução do benefício médio por governo. Entre 2003 e 2010, Luiz Inácio Lula da Silva concedeu três reajustes. Dilma Rousseff aumentou o valor médio duas vezes e Michel Temer, uma - prometeu a segunda para 2018.

    Abaixo da inflação

     

    No gráfico estratificado por governo, a inflação começa a contar a partir do reajuste imediatamente anterior ao início do mandato. Por exemplo: Dilma assume em janeiro de 2011 e dá seu primeiro reajuste em abril, mas a defasagem no valor pago aos beneficiários corresponde à inflação acumulada desde 2009, data do último aumento de Lula.

    Ganho real

     

    A situação se repete para Temer, que assume em maio de 2016 com a responsabilidade de cobrir uma defasagem que vinha desde junho de 2014. No caso do atual presidente, o reajuste de 2016 não foi suficiente para compensar a inflação acumulada de quase 20% em pouco mais de dois anos.

    Projeção não compensa defasagem

     

    Evolução do programa

    Desde a criação, em 2003, o Bolsa Família teve seu orçamento multiplicado por seis. O número de famílias beneficiadas saltou de 3,6 milhões para mais de 13 milhões.

    Total de recursos

    Colaborou Rodolfo Almeida (gráficos)

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