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O que significa para a computação quântica os avanços anunciados pela IBM

Empresa americana anunciou processador de 20 bits quânticos disponível para uso pela internet e outro, um protótipo mais avançado, de 50 qubits

     

    A IBM anunciou ao menos dois avanços em computação quântica na última semana, que fazem a empresa se colocar na dianteira das pesquisas sobre o assunto.

    A criação de um processador quântico de 20 qubits (bits quânticos), hospedado na nuvem à disposição de quem quiser usá-lo, é a primeira. A outra é a construção de um protótipo de processador quântico super poderoso, de 50 qubits.

    O desenvolvimento é fruto da IBM Q, uma divisão criada em maio deste ano na empresa americana, dedicada ao campo e à construção de computadores quânticos viáveis, voltados para produção científica e áreas comerciais como a de finanças. A empresa disputa uma corrida comercial na área de pesquisa quântica com outras gigantes de tecnologia, como Google, Microsoft e Intel.

    Mas o que é computação quântica e por que esse anúncio importa?

    Computadores mais rápidos

    De um jeito simples, a computação quântica permite a realização de cálculos ou a execução de comandos de uma maneira incomparavelmente mais rápida do que em computadores tradicionais. Embora as expectativas no plano teórico sejam altas, na prática as facilidades permitidas pela tecnologia ainda estão relativamente distantes do público.

    Em um artigo que se propõe a explicar computação quântica, o jornalista Ryan F. Mandelbaum, da Gizmodo, diz que computadores quânticos, seja pelo fato de demandarem refrigeração próxima de zero absoluto (-273,15 °C) para funcionar, ou pelo preço ainda altíssimo, não deverão habitar os lares comuns nem hoje e talvez nem amanhã. Mas avalia que o mais provável é que computadores clássicos interajam com computadores quânticos quando precisarem de um processamento infinitamente superior aos seus.

    “Você provavelmente ouvirá sobre benefícios da computação quântica nos próximos anos, como avanços na bioquímica, mas outras vantagens podem demorar 20 anos. Além disso, não há qualquer prova de que computação quântica seja melhor que computação clássica. Ainda”, diz.

    Foto: Divulgação/IBM
    Criostato usado na IBM para garantir funcionamento de processador quântico
    Criostato usado na IBM para garantir funcionamento de processador quântico
     

    A computação quântica representa, portanto, a possibilidade de se criar máquinas capazes de transmitir e processar informações a uma velocidade muito superior a que estamos acostumados. No dia a dia, essa necessidade pode ser representada por um aplicativo que deve determinar a rota mais rápida entre você e o seu destino. No contexto de quem precisa lidar com uma quantidade muito grande de dados (big data), ou ainda avaliar um número grande de alternativas para se chegar ao melhor resultado – como nas áreas de química e física, ou ainda em pesquisas que envolvam inteligência artificial ou probabilidades de ocorrência de eventos futuros –, a computação quântica pode vir a representar uma ferramenta de trabalho revolucionária.

    Avanços quânticos

    O processador quântico de 20 qubits da IBM, que estará à disposição para uso geral até o fim do ano, representa um grande passo para a empresa. A versão anterior desse processador, há um ano e meio, era de “apenas” 5 qubits. Em 2016, as pesquisas avançaram e a empresa desenvolveu um de 16 qubits. Segundo a IBM, mais de 60 mil pessoas, entre membros de universidades e centros privados de pesquisa, usaram o poder de processamento quântico do computador para fazer experimentos próprios pela internet

    A Intel, outra empresa no páreo por avanços na área, anunciou em outubro deste ano a construção de um processador de 17 qubits. O Google, por sua vez, estaria desenvolvendo um protótipo de ponta, com 49 qubits, com potencial de ser anunciado até o fim deste ano.

    Nessa área, cada bit quântico importa. Para se ter uma ideia, a IBM fez uma experimento em outubro usando computadores convencionais para executar o processamento de um computador quântico. Foram necessários 4,5 terabytes de memória, mas os pesquisadores conseguiram atingir o equivalente a 56 qubits.

    O objetivo final da indústria é atingir a chamada supremacia quântica, estado no qual os computadores quânticos superariam as limitações dos computadores convencionais que conhecemos. Com o anúncio de seu computador quântico de 50 qubits, a IBM se coloca mais próxima dessa finalidade.

    ESTAVA ERRADO: A versão original deste texto dizia que computadores quânticos precisam ser mantidos a uma temperatura próxima de zero (dando a entender que se tratava de 0°C), sem especificar que se tratava de zero absoluto (-273,15 °C). O texto foi corrigido para garantir sua precisão às 14h15 no dia 17/11/2017.

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