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O robô criado para confundir os remetentes de e-mails fraudulentos

Criado e operado por empresa de cibersegurança, sistema responde a impostores para fazê-los perder tempo

     

    Uma empresa neozelandesa de cibersegurança, a Netsafe, criou uma ferramenta para confundir impostores que enviam e-mails fraudulentos com o objetivo de extrair dinheiro de vítimas do mundo inteiro.

    Trata-se de um chatbot, um robô programado para interagir por escrito com um interlocutor, simulando uma conversa. Batizado de “Re:scam”, o sistema recém-lançado entra em ação quando se encaminha o e-mail falso para o endereço “me@rescam.org”.

    A partir daí, a ferramenta de inteligência artificial responde como se fosse a vítima, sem usar seu e-mail e sem levantar suspeitas de se tratar de uma máquina. Para garantir a verossimilhança, responde com humor, usa gírias em inglês, comete erros gramaticais e é capaz de assumir várias personalidades, que criam uma conversa “personalizada”.

    O robô faz perguntas, conta anedotas e se mostra interessado. Também coleta dados sobre como os criminosos atuam, o que permite atualizar sua performance.

    A Netsafe defende que o e-mail seja encaminhado para o robô, em vez de simplesmente deletado, por uma questão estratégica. Segundo o vídeo de divulgação do Re:scam, quando um e-mail é deletado, os autores do golpe passam para o próximo alvo, enquanto o chatbot os faz perder tempo.

    Com cerca de 20 mil mensagens já encaminhadas para o robô até o momento, de acordo com o site Mashable, a estimativa é de que, no total, os impostores já tenham desperdiçado meses de conversa com o bot.

    Com conteúdos diversos, as mensagens criminosas em geral prometem uma volumosa quantia de dinheiro, mediante o pagamento de uma quantia pela vítima, como “adiantamento”. Se feito, o autor do golpe desaparece ou segue solicitando novos depósitos.

    A indústria de golpes por e-mail movimenta bilhões de dólares e faz milhões de vítimas, de acordo com a Netsafe. Vítimas perdem U$ 12 bilhões por ano, globalmente, com esse tipo de fraude. Além disso, de acordo com uma pesquisa feita em 2015 pela empresa Intel Security, nem sempre é tão fácil distinguir o e-mail golpista: durante o teste, 80% dos 19.000 respondentes, oriundos de 144 países, caíram na armadilha pelo menos uma vez.

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