Como funciona o Musical.ly, rede social de lipsync comprada por US$ 1 bilhão

Aplicativo criado por dupla de empreendedores chineses tem 200 milhões de usuários e une vídeo, selfies, música, caras e bocas

    Baby Ariel é uma americana de 16 anos, vista diariamente por 13 milhões de pessoas em uma rede social,  cujo maior propósito é fazer vídeos curtos – de 15 segundos, engraçados e no modo selfie, na maioria dos casos –, fazendo lipsync, ou seja, simulando cantar uma música conhecida enquanto movem a câmera, fazem poses, caras e bocas.

    A jovem é uma das maiores celebridades do aplicativo chamado Musical.ly. Criado em 2014 pelos chineses Alex Zhu e Luyu Yang, em Xangai, o aplicativo conta com 200 milhões de usuários registrados – em julho de 2016 eram 96 milhões – e 60 milhões de usuários únicos por mês, além de um escritório no Vale do Silício, nos Estados Unidos.

    Com tal potencial de crescimento e popularidade, notadamente entre o público jovem, o Musical.ly foi comprado pela empresa chinesa Bytedance, em acordo noticiado pelo Wall Street Journal na quinta-feira (9), por um valor entre US$ 800 milhões e US$ 1 bilhão. O aplicativo ainda não tem uma fonte de receita própria.

     

    A compradora é a também chinesa Beijing Bytedance Technology, criada em 2012 e famosa em seu país de origem pelo aplicativo móvel Jinri Toutiao (manchetes de hoje, em tradução livre do chinês). A empresa, segundo o WSJ, tem valor de mercado de US$ 20 bilhões e já recebeu investimentos de nomes de peso, como a Sequoia Capital chinesa e do bilionário russo Yuri Milner, também dono de participações no Facebook e no Twitter.

    Com a aquisição, a gigante chinesa segue com sua ideia de incluir vídeos entre os conteúdos recomendados pela sua plataforma Toutiao. Em fevereiro, a empresa comprou outra start-up de vídeo com base no Estados Unidos, a Flipagram. Ainda de acordo com o jornal americano, a Bytedance anunciou interesse em expandir seus negócios para países como Japão e Coreia do Sul, mas também Índia e Brasil.

    Além do lipsync

    Rival do alemão Dubsmash, aplicativo criado no mesmo ano que ele e que fez muito sucesso no Brasil em 2015, o Musical.ly se tornou uma plataforma específica para uma prática comum entre jovens no Youtube: filmar a si mesmos cantando e interpretando uma música do momento.

    Seus “musers”  – uma contração do nome do aplicativo com o termo “users”, usuários em inglês – postam mais de 12 milhões dos seus curtos vídeos todos os dias.

    A prática de vídeos com selfie de lipsync, no entanto, tem diminuído, disse o cofundador Alex Zhu ao TechCrunch em dezembro de 2016. Observando esse comportamento, a empresa optou por ir além do seu formato original e criou novos recursos, passou a permitir transmissões ao vivo, interação entre personalidades e seus fãs (que podem enviar moedas virtuais a seus ídolos, compradas com dinheiro real), bem como fazer vídeos sem sequer colocar uma música tocando ao fundo. Na mesma entrevista, Zhu disse que passou a ver cada vez mais vídeos sobre comédia, esportes e moda surgindo na plataforma.

    Com o passo, o Musical.ly deixou de ser só um aplicativo de nicho e passou a se aproximar de outras grandes redes sociais de produção de conteúdo em vídeo, como Youtube, Instagram, Snapchat e Vine – esse último comprado pelo Twitter em 2012 e desativado posteriormente, em janeiro de 2017.

    Como funciona o Musical.ly

    O aplicativo está disponível para celulares Android e iOS. Feito o cadastro, o usuário pode produzir seus próprios conteúdos e ainda seguir amigos e celebridades, donas dos vídeos mais populares da rede.

    Foto: Divulgação
    Musical.ly

    Pela tela inicial do aplicativo, o usuário tem a opção de acompanhar as produções dos seus contatos e buscar novos vídeos (por música, hashtag ou celebridades, inclusive só as brasileiras).

    Para produzir o seu próprio, o usuário pode, opcionalmente, escolher uma música a ser tocada no fundo. O aplicativo tem uma biblioteca própria de músicas, mas é possível também escolher uma que esteja armazenada no próprio celular. O vídeo pode ser antigo, selecionado da galeria, ou gravado na hora. Há opções de edição básica do vídeo, incluindo a possibilidade de filtros e máscaras, presentes no Snapchat e Instagram; ou ainda de alterar a velocidade do vídeo para um modo de câmera lenta ou super rápida.

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