Como uma nova série em app pretende mudar a forma como se assiste televisão

Dirigida por Steven Soderbergh, Mosaic permite que público decida que ponto de vista acompanhar ao longo da história por meio da interatividade do smartphone

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    Vencedor do Oscar em 2001 e do Emmy em 2013, o diretor Steven Soderbergh tem em seu projeto mais recente uma proposta que se propõe disruptiva: mudar a forma como as narrativas são apresentadas ao público em uma série de TV.

    E como os hábitos de consumo de entretenimento estão em constante transformação, a série, que foi lançada nesta quarta-feira (8) pela HBO, só deve chegar à televisão em 2018. Por enquanto, ela está disponível em forma de aplicativo de celulares do sistema iOS (iPhones) e deve chegar nas próximas semanas ao sistema Android.

    Isso porque é exatamente nos celulares que a inovação se faz presente. A série Mosaic conta a história do assassinato de uma celebridade nos EUA a partir do ponto de vista das diversas personagens envolvidas, e permite que o espectador escolha qual delas quer acompanhar.

    Como funciona a narrativa de Mosaic

    As sete horas e meia de conteúdo são ramificadas. Cada linha narrativa segue uma personagem específica, e o espectador pode escolher qual delas acompanhar em cada momento. Assim tem acesso, como diz o trailer oficial, a “múltiplas perspectivas”.

     

    Ao site Techcrunch, Soderbergh explicou que “o resultado dos eventos da história não muda de acordo com as escolhas” do espectador — ou seja, não é uma série gamificada, que segue a lógica de jogos em que as escolhas do jogador impactam em como outros eventos se desenrolam. “É meramente que informação você tem sobre a história, baseado no que você está seguindo”, completou o diretor.

    De acordo com a revista digital Wired, que entrevistou Soderbergh, o diretor estava cansado da falta de inovação na forma como histórias são contadas em Hollywood ao longo das últimas décadas, mas não queria que algo novo representasse um produto em formato de game.

    “Não é um show de TV e não é um filme. É alguma outra coisa”

    Steven Soderbergh

    Diretor de Mosaic, à The Verge

    Dificuldades de criação

     

    A produção de Mosaic durou três anos e custou à HBO um total de US$ 20 milhões. O download do app para celulares é gratuito, e um formato linear da série, com duração total de seis horas, será transmitida pelo canal em janeiro de 2018 nos EUA. Não há previsão de chegada para a TV a cabo brasileira.

    Os anos gastos para chegar a sete horas e meia de conteúdo final são explicados por Soderbergh pelo desafio que foi criar um formato novo de narrativa e interatividade praticamente do zero.

    “Narrativas ramificadas existem desde sempre, mas a tecnologia agora permite, eu espero, uma forma mais elegante, intuitiva de engajamento do que costumava ser possível”, disse o diretor ao site Film Comment. Segundo ele, boa parte do tempo de produção foi gasto desenvolvendo a forma como o espectador “toca” o conteúdo — para que a interatividade fosse “orgânica” e não “parecesse uma interrupção”.

    “Teve muita tentativa e erro em como [a interação] funcionaria. Eu estou realmente feliz com ela agora”

    Steven Soderbergh

    Diretor de Mosaic, ao Film Comment

    A expectativa dos produtores é de que Mosaic seja um primeiro passo para a disseminação de um novo formato de produção. “Eu olho para isso como uma espécie de formato open source que outros produtores podem acessar e usar”, disse Soderbergh à Techcrunch.

    Mosaic, que tem a atriz Sharon Stone fazendo o papel da celebridade assassinada Olivia Lake, foi a primeira de três séries do tipo interativo produzidas por Soderbergh em parceria com a HBO. As outras duas não têm previsão de lançamento.

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