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4 campanhas icônicas do publicitário Neil Ferreira

Redator, que morreu nesta terça-feira (7), criou peças como a do Leão do Imposto de Renda e do baixinho da Kaiser

     

    “Leão” nem sempre foi sinônimo de imposto de renda. A expressão, que hoje figura em dicionários como o Houaiss, surgiu após uma campanha de autoria de Neil Ferreira, publicitário que morreu nesta terça-feira (7), em São Paulo, aos 74 anos.

    Ferreira foi um dos principais nomes da agência DPZ entre 1970 e 1990. Por 18 anos, formou dupla com José Zaragoza, que morreu em maio e divide com Ferreira a autoria da propaganda do leão. Quando Ferreira saiu da agência, Zaragoza, um dos donos da DPZ, publicou um anúncio em um jornal pedindo sua volta: “Neil, queridinho, volte pra casa. Tudo está perdoado. Z.”

    Nascido em Cerqueira César, no interior de São Paulo, Ferreira iniciou sua carreira como jornalista, com colaborações para a Folha de S.Paulo e Diário da Noite. Mas foi na criação que ele obteve notoriedade, com  passagens pelas agências Standard Propaganda (hoje Ogilvy), Norton, SGB e Salles Interamericana.

    Em 2002, deixou as agências para atuar como freelancer e escrever crônicas. Dez anos depois, recebeu o prêmio Jeca Tatu, concedido pela Alap (Associação Latino-Americana de Agências de Publicidade), com apoio do Conselho Nacional de Propaganda, do Clube de Criação do Rio de Janeiro e patrocínio da ESPM.

    Veja abaixo algumas das principais campanhas criadas por Ferreira.

    Baixinho da Kaiser

     

    Nesta campanha, o personagem vivido pelo ator José Valien Royo passava por situações divertidas com o slogan “uma grande cerveja”. A campanha surgiu meio por acaso, quando Neil e Zaragoza tentavam ganhar a conta da cervejaria. Royo, então motorista de uma produtora, foi convidado para participar por ser baixinho e irreverente, e o resultado surpreendeu. As trapalhadas renderam diversos prêmios importantes da propaganda internacional, inclusive um Leão de Ouro em Cannes, maior premiação da publicidade.

    Leão do Imposto de Renda

     

    O leão virou o mascote do imposto de renda em 1979, em uma campanha de Neil e Zaragoza. O objetivo da Receita era mostrar à população que o governo passaria a ser mais rigoroso na cobrança do imposto. O leão foi usado para transmitir uma mensagem de respeito, força e justiça. A mensagem era de que não haveria consequências para o contribuinte que fizesse sua declaração, mas que o governo não toleraria sonegação: “Faça sua declaração com toda calma. Você vai ver que o leão é manso e conhece o seu lugar”.

    A morte do orelhão

     

    A propaganda, também premiada em Cannes e feita em dupla com Zaragoza, humaniza o orelhão e dramatiza sua morte para conscientizar as pessoas sobre vandalismo. Feita para a Telesp em 1980 e com o título original de “Vandalismo”, mostra um orelhão que entra em colapso e cai morto, atraindo a atenção dos pedestres. A propaganda informa que 20 orelhões morriam por dia nas ruas de São Paulo à época, “nenhum de morte natural”, mas de violência.

    Menino de olhos vendados

     

    Outra expressão que se popularizou com Ferreira e Saragoza foi “comprar de olhos vendados”. Neste anúncio do presunto Sadia de 1984, um menino, usando uma venda, coloca a mão em diversos presuntos diferentes e reconhece o da Sadia apenas pelo tato.

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