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Desde 1994: como estava a corrida presidencial um ano antes das eleições

Pesquisa Ibope divulgada no domingo (29) mostra Lula em primeiro e Bolsonaro em segundo nas intenções de voto para 2018

     

    O próximo presidente da República será escolhido em eleição em até dois turnos, que estão marcados para os dias 7 e 28 de outubro de 2018. Faltando menos de um ano para a eleição, o Ibope divulgou no domingo (29) mais uma pesquisa de intenção de voto que mostra um cenário aberto.

    O líder na disputa, com certa vantagem, é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que ainda não sabe se poderá concorrer a mais um mandato. O petista foi condenado por corrupção pelo juiz Sergio Moro e pode ser barrado caso a pena seja confirmada em segunda instância.

    O segundo colocado é Jair Bolsonaro (PSC), que nunca disputou uma eleição majoritária. Ele é seguido de nomes tradicionais da política brasileira como Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT), mas também por novatos como o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), e o apresentador de TV Luciano Huck, que não tem partido por enquanto.

    Um ano antes

     

    Nos próximos meses, o cenário eleitoral deve ter definições importantes. Em 2 de abril de 2018, por exemplo, termina o prazo para mudança de partido ou filiação de quem quer disputar a eleição. O registro oficial das candidaturas acontece em agosto. Por isso, ainda mais em um cenário político conturbado como o atual, a pesquisa divulgada um ano antes é um ponto de partida para a disputa pelo Planalto.

    O Nexo analisou as  seis eleições mais recentes para ver qual era o cenário eleitoral um ano antes de cada votação. Desde 1994, quatro dos seis eleitos eram líderes nas pesquisas um ano antes do pleito. Os outros dois vitoriosos estavam fora até do segundo turno 12 meses antes da eleição.

    Pesquisa mais tranquila que eleição

     

    Dilma Rousseff liderava mesmo após as manifestações de junho de 2013 e acabou reeleita. Na hora da votação, porém, a eleição foi muito mais acirrada do que as pesquisas previam um ano antes. A diferença para o segundo colocado foi de 3,5 milhões de votos, ou 3,3% do total.

    Ministra em terceiro

     

    Dilma Rousseff era a escolhida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sucedê-lo, mas  boa parte do eleitorado ainda não sabia disso. A então ministra-chefe da Casa Civil aparecia apenas em 3º lugar, atrás de José Serra – que foi derrotado no 2º turno – e de Ciro Gomes, que acabou não disputando a eleição. Dilma teve um rápido crescimento principalmente depois do início da campanha.

    Lula lidera, apesar do mensalão

     

    O ano de 2005 representou o pior momento para o governo de Lula. A crise política deflagrada pela denúncia do mensalão abalou o governo e resultou na demissão de ministros. Do outro lado, havia uma disputa no PSDB para definir quem seria o candidato tucano. O escolhido foi Geraldo Alckmin, que um ano antes da eleição aparecia com menos da metade dos votos de Lula. O preterido foi José Serra, que nessa mesma pesquisa aparecia à frente do petista menos de um ano antes da eleição: 37% a 31%. Lula acabou se reelegendo no segundo turno em 2006 com 61% dos votos.

    Cenário mudou pouco

     

    Lula liderou a corrida eleitoral de 2002 quase o tempo todo e o favoritismo já aparecia em pesquisa feita um ano antes. O candidato do PT sofreu com a rejeição de setores da economia – dólar e risco país tiveram picos –, mas venceu José Serra no segundo turno. Na pesquisa feita em setembro de 2001, Serra, então ministro da Saúde, aparecia atrás inclusive de Roseana Sarney e Itamar Franco, que não disputaram a eleição.

    Vitória fácil

     

    Provavelmente a eleição menos conturbada desde a redemocratização. Fernando Henrique Cardoso, ainda com a popularidade pelo Plano Real, foi pouco incomodado. Liderava com folga faltando um ano e venceu no primeiro turno em 1998 com 53% dos votos.

    Antes do Plano Real

     

    Faltando um ano para a eleição, ainda não havia sido lançado o Plano Real, que acabou com a inflação no Brasil e mudou o rumo da eleição de 1994. Quando a pesquisa foi feita, Fernando Henrique Cardoso estava há menos de três meses no Ministério da Fazenda e Lula era o favorito. FHC deixou o governo para ser candidato em 30 de março de 1994, o Plano Real foi oficialmente lançado em julho e o tucano venceu a eleição, no primeiro turno, em outubro. Lula teve 27% dos votos, FHC teve 54%.

     

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