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A concentração bancária no Brasil em 3 gráficos

Quatro instituições têm maioria das agências e são responsáveis por quatro de cada cinco empréstimos realizados no país

    A diretoria do Banco Central lançou em 2016 uma lista de medidas para desburocratizar o sistema bancário. Um dos objetivos era tentar, mais uma vez, a redução dos juros cobrados do consumidor final.

    No último ano, a Selic, taxa básica de juros foi reduzida a praticamente a metade - saiu de 14,25% ao ano para 8,25%, e deve cair mais. Isso representa uma diminuição nos custos de captação dos bancos, mas os juros cobrados pelas instituições não caíram na mesma proporção. O problema é o mesmo há décadas, o Brasil tem um dos maiores spreads do mundo - diferença entre o que o banco paga para captar e cobra para emprestar recursos.

    Existe uma série de teses para tentar explicar o spread alto. Os bancos reclamam da falta de garantias e da insegurança jurídica ao cobrar os maus pagadores. O Ministério da Fazenda está implantando um cadastro positivo - que reunirá informações sobre quem paga as dívidas em dia - para tentar diminuir a taxa cobrada. Mas há também economistas que culpam a falta de concorrência entre as empresas como fator central para o spread alto.

    O Brasil tem cerca de 150 bancos autorizados a funcionar. Mas relatório divulgado pelo Banco Central na terça-feira (17) mostra que o poder dos quatro maiores bancos do país nunca foi tão grande. Juntos, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Itaú, detêm 73% do total de ativos do sistema. Ativo é tudo que uma empresa tem, pode ser um bem ou o direito de receber algum bem ou recurso.

    Os dados são relativos ao primeiro semestre de 2017. A participação é o novo recorde.

    Os grandes bancos

     

    Concentração progressiva

    Os quatro bancos têm 73% dos ativos, mas a concentração não é apenas no poderio financeiro, está também nos serviços. A cada R$ 10 reais depositados em um banco no Brasil, R$ 7,67 vão para uma dessas quatro instituições. Na hora de fornecer o crédito, a concentração é ainda maior. Banco do Brasil, Bradesco, Caixa e Itaú emprestam R$ 4 de cada R$ 5.

    A trajetória da participação dos grandes bancos em ativos, depósitos e empréstimos é parecida. Após a crise de 2008, as instituições ganharam poder em um momento de insegurança para os bancos menores. Foi nesse ano também que houve a fusão entre Itaú e Unibanco. Desde 2015, quando o Brasil entrou em crise, a concentração também aumentou.

    Trajetória parecida

     

    Mesmo em tempos de internet, a estrutura física dos bancos ajuda a explicar tamanho poder. Os quatro maiores bancos mais o Santander, quinto colocado na lista, são donos de mais de 19 mil das 21 mil agências do país.

    5 bancos, 90% das agências

     

    Outros países

    O grau de concentração bancária no mundo varia bastante até entre países com as mesmas características. Nos Estados Unidos, os quatro maiores bancos tinham, em 2015, 42% do total do mercado. No México, um país economicamente mais parecido com o Brasil, os cinco maiores, segundo o Banco Mundial, tinham 70%. No Chile, o número é 67%.

    A Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) argumenta que o nível de concentração do Brasil é normal e está abaixo do padrão de países como Austrália e Canadá. Nos dois países citados pela instituição, os cinco maiores bancos têm, respectivamente, 93% e 83%.

    Fusões e aquisições

    O mercado de bancos no Brasil foi marcado por inúmeras fusões e aquisições nas últimas duas décadas. Instituições como Bradesco, Itaú e Santander cresceram.

    O processo começou na época da implantação do Plano Real, quando os Estados privatizaram seus bancos, como Banespa, Bemge, Banerj. O primeiro foi comprado pelo Santander, os outros dois pelo Itaú. Somente entre 1997 e 2000, pelo menos doze bancos estaduais foram privatizados.

    A reformulação do sistema de bancos públicos da década de 1990 não foi o fim das fusões e aquisições. Nos anos seguintes, Itaú e Bradesco compraram instituições como Bank of Boston, Mercantil do Brasil. A maior fusão aconteceu em 2008, quando Itaú e Unibanco se juntaram em um negócio avaliado em R$ 575 bilhões à época.

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