Ir direto ao conteúdo

Quais são as HQs finalistas da categoria que estreia no Prêmio Jabuti

Livros como ‘Carolina’, de Sirlene Barbosa e João Pinheiro, e ‘Você é um babaca, Bernardo’, de Alexandre S. Lourenço, são algumas das obras no páreo

    Temas
     

    A maior premiação literária do país, o Prêmio Jabuti, anunciou a lista dos finalistas da sua 59ª edição na terça-feira (3). Em 2017, o evento contará com duas novas categorias de publicações concorrendo, chegando agora a 29. São elas livros brasileiros publicados no exterior e histórias em quadrinhos, esta resultado de uma demanda de quadrinistas que originou um abaixo-assinado que contou com o apoio de mais de 2.100 pessoas.

    O Prêmio Jabuti é organizado pela CBL (Câmara Brasileira do Livro), associação sem fins lucrativos, que tem empresas do mercado editorial como associados, e também é responsável pela Bienal do Livro de São Paulo.

    Briga por reconhecimento

    A premiação existe desde 1958, quando estreou escolhendo apenas o melhor autor de livro e a editora do ano. De lá para cá, outras 26 categorias foram criadas até a mais recente edição, inclusive de áreas específicas como “Direito”, “Gastronomia”, ou ainda livros técnicos de “Engenharias, Tecnologias e Informática”.

    Histórias em quadrinhos, ou simplesmente “HQs”, e quadrinistas já foram laureados no Jabuti, mas em categorias dispersas como Adaptação, Ilustração, Didático e Paradidático.

    Em 2015, ano em que Maurício de Sousa – autor da prolífica série “Turma da Mônica”, uma das grandes responsáveis pelo contato de brasileiros com o gênero – foi homenageado na noite da premiação, dois quadrinhos ficaram em primeiro e segundo lugar em Adaptação: “Kaputt”, de Eloar Guazzelli; e “Grande Sertão: Veredas”, também de Eloar Guazzelli e do desenhista Rodrigo Rosa.

    Em dezembro de 2016, o quadrinista Wagner Willian começou uma campanha, encampada pelos jornalistas Ramon Vitral e Érico Assis, pela inclusão dos quadrinhos como categoria única no prêmio.

    “Embora tenham nascido nos jornais e tenham permanecido grande parte de sua história nas bancas de jornais e revistas, os quadrinhos são publicados no formato livro, no Brasil, desde o início do século 20”, dizia o texto da petição.

    A movimentação resultou em um abaixo-assinado on-line na plataforma Change.org que recebeu apoio de quadrinistas de peso como Laerte Coutinho, Fábio Moon, Gabriel Bá, Marcello Quintanilha, Janaina de Luna e Bianca Pinheiro.

    Com 2.118 signatários, o abaixo-assinado foi enviado à Câmara Brasileira do Livro que, por meio do presidente Luís Antonio Torelli, respondeu na época que o pedido “comprova a importância do prêmio para todo o mercado editorial” e que a instituição não descartava a possibilidade de adotar a nova categoria.

    Em abril de 2017, o prêmio passou a contar com um novo curador, Luiz Armando Bagolin, ex-diretor da Biblioteca Mário de Andrade. O filósofo paulista disse estar ciente da demanda e disse ser ele mesmo um “fã de quadrinhos”. “Quando estive à frente da Biblioteca Mário de Andrade, criei uma sala exclusiva para HQ”, afirmou, dando pistas de que a proposta teria seu aval na instituição. A aprovação da nova categoria do Jabuti pela CBL se deu finalmente em maio, um mês depois de Bagolin assumir o posto.

    Quadrinhos finalistas em 2017

    “Bulldogma”

    Wagner Willian (Veneta)

    Responsável pela campanha pela inclusão da categoria no Jabuti, Wagner Willian ficou entre os finalistas com “Bulldogma”, seu terceiro livro, lançado em 2016. Com 320 páginas, a HQ, uma aventura de ficção científica, conta a história da ilustradora Deisy Mantovani e seu buldogue Lino, que vivem em um bairro no qual há suspeitas de haver abduções alienígenas. “Bulldogma é o retrato de uma geração e da efervescente cena artística alternativa das grandes cidades brasileiras”, resume a sinopse.

    “Carolina”

    Sirlene Barbosa e João Pinheiro (Veneta)

    Feito por Sirlene Barbosa, educadora e professora de língua portuguesa, e o artista João Pinheiro (“Kerouac” e “Burroughs”), o quadrinho traça a biografia da escritora Carolina Maria de Jesus. Negra, pobre e moradora de favela em São Paulo, Carolina é autora de “Quarto de Despejo”, livro que lhe deu fama e ganhou tradução em mais de uma dezena de países. Com 128 páginas, a HQ conta sua vida, desde sua vinda de Minas Gerais a São Paulo, a descoberta da sua literatura pelo jornalista Audálio Dantas, e o posterior esquecimento.

    “Castanha do Pará”

    Gidalti Oliveira Moura Júnior (publicação independente)

    O autor e ilustrador de “Castanha do Pará” viveu em Belém, capital do estado de origem da semente que nomeia o livro. Gidalti Moura Jr., que tem formação em artes, publicou sua HQ de forma independente, contando com a ajuda de 346 pessoas que colaboraram, juntas, com R$ 31,1 mil em sua campanha no site de financiamento coletivo Catarse. Segundo a descrição do seu autor, que usou aquarela nas ilustrações, o livro é “uma comédia dramática em quadrinhos sobre a vida de um menino da periferia de Belém”, cujo nome é Castanha. “A história explora um dia na vida desse personagem marginalizado por sua condição social e pelo descaso do Estado, bem como os contrastes estéticos e sociais dessa região de Belém, que é apenas mais um cenário nacional das desigualdades do país”.

    “Coisas de Adornar Paredes”

    José Aguiar (Quadrinhofilia)

    A HQ do quadrinista José Aguiar, que usa a sua cidade natal de Curitiba como pano de fundo, é “uma viagem surreal pelas banalidades que nos cercam”. O autor conta oito histórias que se unem à uma principal: a “de um aspirante a escritor que está tentando mudar de profissão investindo em seu sonho: a tentativa da publicação de um livro”.

    “Hinário Nacional”

    Marcello Quintanilha (Veneta)

    O livro de Marcello Quintanilha (“Tungstênio” e “Talco de Vidro”), quadrinista de Niterói, com 136 páginas, narra a história de personagens variados que “se entrelaçam sutilmente”. “São histórias de pequenas tristezas e grandes dramas, todos vividos silenciosamente. A história de alguém que se resigna com o fato de ter sido vítima de abuso sexual, e de outro que oculta um dilacerante sentimento de culpa por ter abusado sexualmente” e outras.

    “Hitomi”

    George Schall e Ricardo Hirsch (Balão Editorial)

    Escrito por Ricardo Hirsch e com arte de George Schall (“Moschitto“), o livro conta em 80 páginas a história de Hitomi, uma garota de oito anos que, em meados da década de 1980, no Japão, encontra uma câmera fotográfica “com propriedades especiais que a levarão a uma grande aventura em uma jornada de autoconhecimento”. 

    “Quadrinhos dos Anos 10”

    André Dahmer (Companhia das Letras)

    O livro de 320 páginas do cartunista André Dahmer parte da década de 1910 para fazer críticas bem humoradas  da vida moderna em tirinhas. Segundo resenha da editora que o publica, a Companhia das Letras, “as tiras não são pesadas e duras: pelo contrário, são tão engraçadas quanto os absurdos do dia a dia. Um riso meio doído, mas um riso mesmo assim”.

    “Rasga-mortalhas”

    Diogo Bercito e Pedro Vergani (Zarabatana Books)

    Feitas pelas mãos do jornalista Diogo Bercito e do artista Pedro Vergani – que usou apenas as cores preto e vermelho nas ilustrações que compõem a obra – , a HQ “narra em tom de fábula a história de um monarca que, depois de receber de um babuíno a notícia da iminência do apocalipse, embarca suas posses nas costas de elefantes mastodônticos e parte em busca de um porto seguro”, descreve o jornal Folha de S.Paulo.

    “Savana de Pedra”

    Felipe Castilho, Tainan Rocha e Wagner Willian (Astral Cultural)

    Com roteiro de Felipe Castilho (“Imagine zumbis na Copa”) e arte de Tainan Rocha e Wagner Willian, a HQ conta a história que mistura o contexto urbano em meio às ocupações das escolas públicas em 2016 no Brasil e “a vida selvagem na selva africana”. “É essa a proposta de ‘Savana de Pedra’, uma metáfora visual em preto, branco e vermelho que vai fazer você procurar um lugar seguro em meio à tanta selvageria”, diz sua sinopse.

    “Você é um babaca, Bernardo”

    Alexandre S. Lourenço (Editora Mino)

    Alexandre S. Lourenço (“Robô Esmaga” e “Boxe”, recém-lançado) fez um livro sobre o descompasso entre a cabeça de um homem e seus “impulsos aventurescos”, descolada do resto do corpo “acomodado”. Segundo o autor, trata-se de uma história “sobre rotina, sobre idealizar as coisas e ter medo de encarar a possibilidade de ser feliz no mundo real”.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa Equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project. Saiba mais.

    Mais recentes

    Você ainda tem 2 conteúdos grátis neste mês.

    Informação com clareza, equilíbrio e qualidade.
    Apoie o jornalismo independente. Junte-se ao Nexo!