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A tentativa do Google Maps de atender melhor cadeirantes

Empresa lança campanha para que usuários alimentem sistema com informações sobre acessibilidade

     

    Em janeiro de 2017, o Google lançou uma modificação no seu aplicativo de mapas, Google Maps, que informa se estabelecimentos têm entradas acessíveis a usuários de cadeiras de rodas, além de outros dados como horário de funcionamento, preços e telefone de contato.

    Assim como acontece com grande parte das informações da plataforma, os dados são enviados pelos próprios usuários que foram a um local, revisados e disponibilizados.

    Os proprietários também podem contribuir via a plataforma Google My Business. Para aumentar a visibilidade e qualidade das informações sobre acessibilidade, a empresa está lançando uma campanha mundial a fim de que usuários contribuam.

    Ela é focada especialmente em uma comunidade de usuários que se dedica a alimentar o Google Maps em troca de pequenos prêmios, como mais espaço de armazenamento digital, chamada “Google Local Guides”.

    Segundo o site focado em urbanismo City Lab, os participantes são instados a responder a cinco perguntas sobre acessibilidade ao escreverem uma avaliação sobre locais visitados. Elas dizem respeito à existência de entrada, banheiro, assentos, estacionamentos e elevadores acessíveis.

    Um documento explica como aqueles que não usam cadeiras de rodas e não estão acostumados com o tema podem realizar essa avaliação.

    Como é comum no funcionamento das ferramentas do Google, para alimentar essa função do Maps é necessário abrir mão de parte da própria privacidade. Em um post no blog da companhia, o engenheiro do Google Maps e usuário de cadeira de rodas Sasha Blair-Goldensohn afirmou que usuários que desejam contribuir devem mudar suas configurações no aplicativo para que a empresa registre e tenha acesso ao histórico de localização.

    Em seguida, é necessário clicar no campo de "menu" no canto superior esquerdo da tela do Google Maps, selecionar a opção “suas contribuições”, em seguida a opção “acessibilidade” e responder às questões sobre os locais visitados. O passo a passo pode ser visualizado em um GIF produzido pela própria empresa.

    Apesar de positiva, a iniciativa não ajuda com outros problemas essenciais de usuários de cadeiras de rodas. Ela foca apenas na acessibilidade dos estabelecimentos, mas não trata do caminho para chegar a eles, algo que poderia exigir mais investimentos da companhia.

    Um estudo de 2004 focado nas cinco regiões da cidade de São Paulo avaliou 117 quarteirões e revelou que 96,6% das calçadas trazem rampas construídas irregularmente. Havia em média 13,8 obstáculos por quarteirão (sendo os mais comuns buracos, degraus transversais e vendedores ambulantes).

    Isso tudo traz dificuldades mesmo para quem caminha, e pode inviabilizar o trajeto de quem usa cadeira de rodas. Os dados estão no artigo “Andar nas cidades do Brasil”, do engenheiro civil e sociólogo Eduardo Alcântara.

    Uma petição on-line lançada pela britânica Belinda Bradley em 2016 pede que o Google crie rotas amigáveis a usuários de cadeiras de rodas no Google Maps. A mãe de Bradley é cadeirante. Em entrevista ao City Lab, a jovem afirmou que ela tem dificuldades em entrar em ônibus lotados, usar as calçadas e mesmo para chamar táxis, que frequentemente recusam as corridas.

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