Como o Ipea vê a recuperação do mercado de trabalho no Brasil em 4 pontos

Com economia crescendo timidamente, mais gente procurou e encontrou emprego. Mas para jovens e mulheres ainda é difícil encontrar ocupação

    O Brasil tinha 13,3 milhões de pessoas procurando emprego entre maio e julho de 2017. O número é significativamente mais alto do que a média dos últimos 15 anos, mas representa um recuo recente. Desde o início do ano, a taxa de desocupação medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) vem diminuindo, principalmente, devido ao aumento dos postos de trabalho mais precários, sem carteira assinada.

    A trajetória da taxa de desemprego reflete o momento da economia brasileira. O país teve, entre 2014 e 2016, três dos piores anos de sua história. Agora, em 2017, apresenta uma pequena melhora, ainda pouco significativa se comparada às perdas dos anos anteriores.

    A crise do trabalho

     

    O recuo recente da taxa de desemprego no Brasil é um dos sinais mais claros de que há uma pequena recuperação. Entre o trimestre móvel terminado em julho e o terminado em abril, três meses antes, 1,6 milhão de pessoas passaram a ter emprego.

    O que é um trimestre móvel

    A PNAD Contínua mede o desemprego por trimestres móveis. Ou seja, considera o mês mais recente e os dois anteriores. O resultado divulgado na quarta abrange maio, junho e julho. No mês passado, o desemprego foi medido em abril, maio e junho. Na próxima divulgação será apresentado junho, julho e agosto.

    Em cima dos dados medidos pelo IBGE, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou um estudo em que compara os números, faz recortes e, a partir disso, apresenta conclusões sobre o momento do emprego no Brasil. O Nexo mostra alguns dos dados da seção de mercado de trabalho da Carta de Conjuntura do Ipea.

    Desemprego caiu mesmo com mais gente procurando

    A taxa de desocupação é calculada em cima da chamada força de trabalho, e não da população total do país ou do número de pessoas aptas a trabalhar. A força de trabalho é formada por quem tem emprego e por quem procura emprego e não consegue - ocupados e desocupados eram cerca de 104 milhões brasileiros até julho. Uma pessoa que não trabalha e desistiu de procurar não entra na conta.

    No Brasil, com a ligeira melhora na economia, mais gente passou a procurar emprego no trimestre entre maio e julho. Ou seja, aumentou a força de trabalho pelo lado da desocupação. Isso é um fator que puxa a taxa de desemprego para cima, mas não foi o que aconteceu no Brasil.

    O aumento da força de trabalho foi de 718 mil pessoas, mas o aumento da população ocupada foi praticamente o dobro. No período, 1,4 milhão de pessoas conseguiram emprego. Assim, mesmo com mais gente procurando trabalho, a parcela desocupada caiu. Ou seja, a queda foi um resultado melhor do que mostrou a taxa de desocupação do IBGE.

    Maria Andréia Parente Lameiras e Sandro Sacchet de Carvalho, autores do estudo, acreditam que o quadro vai se manter nos próximos meses. Com a economia melhorando, mais gente pode se animar a buscar trabalho e isso pode travar a queda da taxa de desocupação mesmo com mais gente conseguindo emprego.

    Salários maiores, na média

    Nos últimos três trimestres o rendimento médio do trabalhador brasileiro vem aumentando. A explicação do Ipea para isso tem início na crise econômica.

    Quando as empresas perdem receitas, não podem, por lei, baixar salários. Assim, para reduzir despesas, demitem funcionários. Na avaliação dos pesquisadores, nos últimos anos, optou-se por demitir funcionários de salários mais baixos, o que puxa a média dos rendimentos para cima.

    Esse dado foi usado por muitos economistas para explicar o crescimento de 0,2% do PIB no segundo trimestre. O resultado foi impulsionado pelo aumento no consumo, justificado pelo aumento de rendimento e a queda na inflação - que faz o salário valer mais.

    Quem é demitido e quem consegue emprego

    O Ipea ressalta que, entre os que procuram, mais gente está conseguindo emprego. Quase um em cada três trabalhadores que procuravam emprego no 1º trimestre de 2017 estavam empregados no 2º trimestre. O estudo também levantou, por faixa etária, quem são os desempregados que conseguem emprego e os empregados que são demitidos.

    As taxas são calculadas em relação ao número de ocupados e desocupados em cada período. A taxa significativamente menor entre os que perdem emprego acontece porque ela é calculada entre o número de ocupados, muito maior que o de desocupados. Na taxa dos que conseguem emprego, vale o inverso.

    Por faixa etária

     

     

     

    Jovens e mulheres continuam sendo os mais afetados

    O estudo estratifica os dados e mostra como certas parcelas da população têm mais problemas no mercado de trabalho. Os pesquisadores mostram, por exemplo, que os jovens têm menos chance de conseguir trabalho e mais chance de serem demitidos.

    Outro exemplo é a taxa de desocupação sistematicamente maior entre as mulheres que entre os homens.

    Por idade

     

    Por gênero

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