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Como o origami pode ser uma solução para o consumo de moda infantil

Roupas inspiradas em técnica de dobradura aplicada a tecidos permite que a mesma peça seja usada por crianças de seis meses a três anos

     

    Crianças crescem em média mais de 50 centímetros desde que nascem até os quatro anos de vida. Metade desse estirão acontece só nos primeiros 12 meses. Para o desespero de muitos pais e mães, as roupas compradas para montar o enxoval do recém-nascido não crescem junto com os filhos. A constante renovação do guarda-roupas dos bebês aparece como parte importante do orçamento para cuidar dos descendentes.

    O que é um problema para os pais, representa também uma questão para o meio-ambiente. O curto período de aproveitamento pela mesma criança das roupas infantis induz ao rápido descarte de produtos que, muitas vezes, ainda estão em bom estado de conservação. O desperdício ajuda a incentivar ainda mais a produção da indústria da moda, segunda maior emissora de gás carbônico do mundo.

    Uma solução para o problema pode estar na técnica secular de dobraduras conhecida como origami. O designer Ryan Yasin, que vive em Londres, usou técnicas de dobradura já utilizadas em campos como o da engenharia aeronáutica para desenvolver um tecido que acompanha o crescimento das crianças que o vestem.

    Suas roupas servem bebês de seis meses a crianças de três anos. Elas podem ser dobradas ao ponto de caberem no bolso e, segundo o designer, são duráveis, impermeáveis e corta-vento. Elas podem ser levadas à máquina de lavar quantas vezes for preciso e seu material é de fácil reciclagem.

    A ideia rendeu a Yasin o James Dyson Award na Inglaterra, que premia as melhores ideias de design e engenharia de produtos em diferentes países. Os vencedores locais são automaticamente indicados para a premiação internacional, que concede US$ 40 mil ao vencedor.

    Yasin pretende investir o que já ganhou e o que pode vir a ganhar no desenvolvimento de sua marca de roupas infantis Petit Pli, disse ao Guardian.

    Presença do origami na tecnologia

    As primeiras referências ao origami são datadas do século 16 no Japão, embora a técnica da dobradura tenha se desenvolvido separadamente em várias regiões do mundo antes do século 20. O nome vem dos termos japoneses oru (dobrar) e kami (papel). Ao longo do tempo, a técnica deixou de ser restrita à arte e recreação para se adaptar a demandas da indústria tecnológica de ponta.

    A possibilidade de fazer um material ocupar um pequeno espaço para depois se expandir quando necessário é ouro para indústrias como a da engenharia espacial, aeronáutica e até medicinal. O origami permite novas formas de inserir airbags em carros e de aumentar a área habitável de uma estação espacial, por exemplo.

    A Nasa, agência espacial americana, trabalha para desenvolver um painel solar que ocupe pouco espaço quando enviado ao espaço e, chegando lá, se expanda para captar o máximo de luz, tudo por meio de técnicas do origami.

    Engenheiros do MIT, uma das universidades mais importantes dos EUA, também trabalham para desenvolver a tecnologia aeroMorph, que também se baseia em dobraduras no estilo origami para criar estruturas de papel, tecido ou plástico que, ao serem infladas com ar, adquiram diferentes formatos e podem ser aplicadas em ramos como a robótica e a indústria de embalagens.

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