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Por que o Uber está sendo investigado pelo FBI

Segundo jornal americano, empresa teria utilizado software para espionar a concorrente Lyft

 

Lançado em 2012 nos Estados Unidos, o aplicativo de transporte automotivo Lyft funciona de forma similar ao Uber: o usuário baixa o aplicativo, cadastra o método de pagamento e busca motoristas nas proximidades. Os motoristas também têm perfis, e a empresa cobra uma taxa sobre cada serviço. No caso do Lyft, a identidade visual é marcada por carros com bigodes rosas na dianteira. Os usuários e motoristas são incentivados a conversar nas viagens.

O Lyft é considerado um dos principais concorrentes do Uber, cuja fatia de mercado caiu de 84% para 74% entre janeiro e junho nos Estados Unidos. Enquanto isso, o Lyft cresceu, tomando parte dos usuários da concorrente. A empresa ainda não chegou ao Brasil, onde o Uber atua desde 2014.

Na sexta-feira (8) o Uber confirmou que está sendo investigado pelo FBI (Federal Bureau Investigation) por ter utilizado um programa chamado internamente de “Hell” para coletar dados da concorrente.

A informação foi originalmente publicada pelo jornal americano Wall Street Journal na sexta-feira. Até o fim do mesmo dia o Uber não havia comentado o caso.

Como funcionava o ‘Hell’

Segundo o site The Information, o software “Hell” foi desenvolvido pela equipe de inteligência competitiva do Uber, focada em estudar seus rivais.

Com o Hell, o Uber criava perfis falsos de usuários de Lyft e atribuía a eles localizações falsas. Em seguida, coletava e sistematizava informações captadas por esses usuários falsos, como a quantidade de motoristas de Lyft nas redondezas e os preços cobrados.

Com o aplicativo, utilizado até o final de 2016, a empresa teria sido capaz, por exemplo, de direcionar motoristas a locais menos atendidos pelo Lyft. A empresa se apresentava dessa maneira como mais rápida para clientes que, frequentemente, utilizam ambos os aplicativos.

Com o tempo, o Uber teria se tornado capaz de identificar quais motoristas trabalhavam tanto para ele quanto para o Lyft, e oferecer bônus para que abandonassem o concorrente.

Os dados coletados pelo Uber eram informações mostradas para qualquer usuário, mas, segundo advogados ouvidos pelo The Information, a prática de coletá-los com o software de perfis falsos e utilizar a informação para coordenar motoristas e alterar o serviço para ganhar vantagem sobre a concorrente pode vir a ser encarada como “quebra de contrato” e “prática injusta de negócios”. O FBI investiga se houve irregularidades.

Uber já era alvo de investigação por outro software

O Departamento de Justiça americano também investiga o Uber nos Estados Unidos por ter utilizado um outro software, chamado “Greyball”, para enganar reguladores da cidade de Portland, a maior do estado de Oregon.

Segundo informações do jornal The New York Times publicadas em março de 2017, a empresa cruzava dados de geolocalização, cartão de crédito, redes sociais e outras informações para identificar pessoas que poderiam ser fiscais trabalhando para o governo. O software garantia que nenhum motorista seu atendesse essas pessoas, e as impedia de fiscalizar a empresa.

Segundo o jornal, o software não foi utilizado apenas em Portland, foco das investigações da Justiça americana, mas também em Boston, Filadélfia e Las Vegas, assim como em locais de Austrália, China, Coreia do Sul, França e Itália.

O Uber se defendeu da acusação alegando que os fiscais do governo não se identificavam e usavam até perfis falsos, quebrando com os termos de uso - de forma similar à que o próprio Uber é suspeito agora de fazer com o “Hell”. A empresa afirmou que “nega pedidos de viagens a usuários fraudulentos que estão violando nossos termos de uso - sejam elas pessoas buscando machucar motoristas, competidores buscando afetar nossas operações, ou oponentes que se juntam a agentes públicos com armações para encurralar motoristas”.

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