Qual o papel das reservas marinhas para mitigar o efeito do aquecimento global

Artigo argumenta que reservas aquáticas são importantes para proteger as populações humanas de águas cada vez mais quentes, elevadas e instáveis

     

    Idealizada na conferência ambiental Rio + 20, em 1992, e implementada em dezembro do ano seguinte, a Convenção sobre Diversidade Biológica e Desenvolvimento Sustentável determinava que nações costeiras criassem reservas protegendo 10% de suas águas até 2020. Dados de 2015 apontam que essa meta foi, no entanto, deixada de lado: apenas 3,5% dos oceanos receberam algum tipo de proteção, e só uma fração deles têm regras rígidas contra exploração.

    Na época em que essa meta foi criada, o objetivo principal era proteger os mares da exploração excessiva através da pesca, por exemplo, impulsionada pela crescente população mundial. Mas um artigo publicado em maio de 2017 na revista acadêmica Pnas (Proceedings of the National Academy of Sciences) aponta que essas reservas podem ter também um papel importante em auxiliar que os seres marinhos resistam ao desafio extra trazido pelo aquecimento global.

    Elas também servem para proteger as populações humanas de águas cada vez mais quentes, elevadas e instáveis.

    Efeitos do aquecimento e o papel das reservas

    Acidificação

    Quando dissolvido na água, o gás carbônico faz com que ela fique mais ácida. Como os oceanos absorveram cerca de um terço de todas as emissões de gás carbônico, eles estão se acidificando. De acordo com o trabalho, as camadas superficiais dos oceanos se tornaram 26% mais ácidas, em média, quando comparadas com o período pré-industrial,  antes de 1750. E a previsão é de que a acidificação dobre até 2100 caso o ritmo de emissão de gás carbônicose mantenha.

    Há indícios de que a acidificação dos oceanos prejudica a fixação do cálcio pelos seres vivos que vivem neles. Grande parte das estruturas dos corais, por exemplo, é formada a partir da calcificação, assim como acontece com as cascas dos mexilhões e ouriços-do-mar.

    Segundo o trabalho, áreas costeiras alagadas, como mangues e pântanos, têm grandes concentrações de vegetais que absorvem o gás carbônico, diminuindo a acidez da água localmente. Por isso, servem como refúgio para esses organismos vulneráveis.

    Elevação do nível oceânico

    O aquecimento global leva à expansão da água, ou seja, faz com que uma mesma quantidade de moléculas ocupe mais espaço. O fenômeno também leva ao derretimento de gelo terrestre. Esses dois fenômenos contribuem para o aumento do nível dos mares. Em média, eles estão 19 centímetros mais altos do que em 1900, e o IPCC (Painel Intergovernamental Para Mudança Climática), da ONU, prevê que se elevem a até 82 centímetros extras até 2100.

    Segundo o trabalho, reservas marinhas próximas às costas, que protegem pântanos, mangues e recifes, contribuem para evitar construções costeiras e exploração excessiva. Quando mantidos, esses habitats servem como barreiras que dissipam a energia das ondas, protegendo as áreas costeiras do aumento do nível dos oceanos.

    Tempestades

    O aquecimento dos oceanos favorece a formação de tempestades, cujo impacto sobre vidas humanas é menor quando há proteção de áreas costeiras. Ecossistemas nesses locais contribuem para dissipar a energia das ondas e, com menos atividades humanas neles, as pessoas ficam menos expostas.

    “Esforços em larga escala para restauração de habitats estão em curso pelo mundo, em frequência estimulados por desastres como o tsunami do Oceano Índico de 2004 ou o Tufão Haiyan nas Filipinas em 2013. Seus impactos poderiam ter sido atenuados se os charcos e recifes não tivessem sido retirados ou degradados”, afirma o artigo.

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