Como é a contagem alternativa de títulos mundiais de seleções

Site propõe um ‘campeonato’ não-oficial autointitulado como o ‘mais excitante da Terra’ que faz uma contagem semelhante à do boxe e resgata a história do futebol internacional

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    A última vez que a seleção peruana de futebol jogou uma Copa do Mundo foi em 1982, quando caiu na primeira fase. Mas, para o site Unofficial Football World Championships (Campeonato Mundial de Futebol não-oficial), o time comandado por Guerrero e Cueva é o atual campeão do mundo.

    O empate de terça-feira (5) contra o Equador, fora de casa, em partida pelas eliminatórias da Copa da Rússia de 2018 foi o suficiente para os peruanos manterem o título que conquistaram cinco dias antes, ao vencer a Bolívia, também pelas eliminatórias.

    Sim, a Bolívia era a campeã anterior. E antes dela, a Argentina. Nada de Alemanha, detentora do troféu oficial da Fifa conquistado no Brasil em 2014. Isso porque, na lógica do campeonato não-oficial, o título mundial segue a lógica de esportes como o boxe ou o MMA: quando o campeão perde um jogo, o vencedor fica com o “cinturão” — no caso, o título mundial de futebol.

    A brincadeira é capitaneada pelo jornalista e autor britânico Paul Brown, que sustenta o site UFWC — sigla para o nome do campeonato não-oficial. Segundo o site, trata-se de “provavelmente a menos conhecida mas mais excitante competição de futebol na Terra”.

    Brown acompanha as partidas oficiais de seleções e as contextualiza historicamente para criar um título diferente, que não vale muita coisa além da diversão, como explicou ao Nexo.

    Resgate da história do futebol

     

    A primeira partida entre seleções na história do futebol mundial aconteceu em 1872, quando a Escócia recebeu a Inglaterra na cidade de Glasgow para um amistoso que terminou empatado em 0 a 0.

    No ano seguinte, foi a vez dos escoceses visitarem os ingleses em Londres. Melhor para os anfitriões, que venceram por 4 a 2 e se sagraram, assim, os primeiros campeões do mundo, segundo o UFWC.

    A lógica não deixa de fazer sentido. Se Escócia e Inglaterra eram as duas únicas seleções de futebol jogando partidas oficiais, e a Inglaterra era a melhor, portanto ela era a campeã. Aos outros países, restava montar um time e tentar vencer os ingleses.

    E isso aconteceu logo em 1874, quando os escoceses finalmente venceram os ingleses, se sagrando os donos do título não-oficial — na época não existia Fifa e nem Copa do Mundo, que passou a ser disputada só em 1930.

    Brown, então, fez um levantamento de todas as vezes que esse título imaginário trocou de mãos. Entre várias idas e vindas, o Brasil venceu 38 das 71 “finais” que disputou. A última vez que o título esteve com os brasileiros foi em 2015, conquistado sobre a Argentina e perdido para a Colômbia durante a Copa América de 2015.

    Diversão e interesse

    Em conversa por e-mail com o Nexo, Brown explica que a ideia surgiu enquanto ouvia um debate de futebol pelo rádio. Um dos comentaristas levantou a questão: e se a Escócia tivesse vencido a Inglaterra em 1967, um ano depois dos ingleses vencerem a Copa do Mundo em casa, ela se tornaria uma espécie de campeã mundial não-oficial?

    “Então eu comecei a juntar todas as estatísticas”, disse Brown. E ele montou um ranking com os resultados, que tem a Escócia na liderança com 86 vitórias em partidas valendo o “título”. Logo em seguida vem a Inglaterra. “Mas isso é porque a Escócia e a Inglaterra estavam jogando partidas internacionais vários anos antes dos outros países começarem”, diz o autor, tranquilizando o orgulho futebolístico brasileiro.

    Ranking de títulos não-oficiais

     

    Com o seu torneio paralelo, que também virou livro, Brown não tem a intenção de tirar a legitimidade do título oficial da Fifa disputado a cada quatro anos. Nem teria como, segundo ele. “São os mesmo jogadores, times e competições”, diz Brown, que completa dizendo que “talvez seja uma alternativa refrescante, mas não existe um senso de oposição” à Fifa.

    ‘Forcinha’ a jogos com pouco interesse

     

    Brown ainda diz que um resultado não programado de seu campeonato paralelo foi “adicionar uma camada extra de interesse a jogos de futebol, e encorajar torcedores do mundo todo a assistir partidas específicas que não necessariamente assistiriam de outra maneira”.

    De fato, olhando o histórico das partidas que valeram o título em tempos passados, várias delas foram disputadas por seleções com pouca ou nenhuma tradição no futebol mundial. Alguns desses jogos são:

    • Grécia x Costa Rica, em 2014
    • Coreia do Norte x Kuwait, em 2012
    • Escócia x Geórgia, em 2007
    • Andorra x Rússia, em 1999

    Entre campeões passados, seleções pequenas dividem espaço com gigantes. Entre elas estão Angola, Zimbábue, Antilhas Holandesas, Geórgia e Irlanda do Norte, por exemplo.

    Da mesma forma que alguns jogos menosprezados pela atenção mundial valem o título, outras partidas históricas também entram na lista de decisões do UFWC. A final da Copa de 2014 entre Alemanha e Argentina é uma delas.

    A próxima desafiante ao título será, mais uma vez, a Argentina. A seleção bicampeã mundial recebe o Peru em Buenos Aires no dia 5 de outubro, em jogo que é visto como uma decisão pelo time de Messi — se perder, as chances dos argentinos ficarem de fora da Rússia em 2018 aumentam consideravelmente. E se ganhar, além de estarem mais perto da vaga para a Copa, os argentinos ficam com o título mundial não-oficial.

     

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