A gravidade da situação fiscal do Brasil em 3 gráficos

Dados de julho fazem crescer a preocupação com as contas públicas e 2017 pode ser o pior ano desde a implantação do Plano Real

     

    A Secretaria do Tesouro Nacional, responsável por administrar o dinheiro do governo, anunciou na terça-feira (29) que as contas públicas tiveram, em julho, o pior resultado para o mês desde 1997 – quando começa a série histórica.

    Em julho, o deficit primário do governo central foi de R$ 20,2 bilhões. Isso significa que, mesmo sem contar as despesas com juros, ficou faltando esse valor para o governo fechar as contas.

    Para 2017, o governo tem como meta um prejuízo primário de R$ 159 bilhões – número que ainda precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional. O acumulado nos sete primeiros meses do ano está em R$ 76,3 bilhões.

    Faltando contabilizar os prejuízos de agosto a dezembro, cinco meses, o governo ainda pode acumular deficits de R$ 83 bilhões para bater a meta. Mas os últimos meses do ano são tradicionalmente mais problemáticos, principalmente pelo pagamento de 13° salários do funcionalismo e beneficiários da Previdência Social.

    A secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, afirmou, em entrevista que o resultado acumulado no ano está pior porque o governo antecipou despesas com precatórios que tradicionalmente são pagas no primeiro semestre. Sem a antecipação dos precatórios, pagamentos que o governo faz quando é derrotado na Justiça, o deficit seria de R$ 18 bilhões menor.

    O valor pago antecipadamente, no entanto, não diminui a gravidade da situação fiscal de 2017. Abaixo, o Nexo mostra, em gráficos, a deterioração das contas públicas: queda de receitas, aumento de despesas e necessidade de mais financiamento.

    Deterioração das contas

     

    O gráfico mostra como, durante a gestão Dilma Rousseff, o governo foi perdendo ano a ano a economia que fazia para pagar juros da dívida pública – o superavit primário. Entre janeiro e julho de 2014, ainda havia resultado positivo, mas nos últimos meses daquele ano o número foi revertido. Desde então o país passou a ter seguidos deficits primários.

    Menos receita, mais despesa

     

    A piora nos resultados primários tem duas causas simultâneas: aumento de despesas e queda de receitas. O aumento das despesas é visível durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff. Em 2015, com a crise econômica, as contas públicas começam a sofrer também com a queda de arrecadação.

    A partir de 2016, com a aprovação da emenda constitucional do teto de gastos, a despesa foi congelada e não pode mais crescer acima da inflação. Porém, a crise econômica continua e a frustração de receitas também. Somente em julho de 2017 o governo recebeu R$ 89 bilhões, R$ 7 bilhões a menos do que tinha previsto.

    Incluindo pagamento de juros

    O quadro parece ainda mais grave quando se olha os dados completos, somando também o que o governo gasta com os juros da dívida pública, que só aumenta a cada deficit primário acumulado. Isso porque, quando fica no negativo no resultado primário, o governo vai ao mercado pegar mais dinheiro emprestado.

    Os dados do chamado resultado nominal de julho ainda não estão disponíveis, mas olhando o primeiro semestre é possível perceber que o país corre o risco de ter seu maior deficit da história. Abaixo, o acumulado de janeiro a junho e como terminou a conta no final do ano.

     

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