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Por que o Google desenvolveu um teste de depressão on-line

Ferramenta, oferecida nos Estados Unidos, é mais uma forma pela qual a gigante de tecnologia assume responsabilidade editorial

 

Desde o dia 23 de agosto, o Google exibe para usuários dos Estados Unidos que fizerem buscas pelo termo “depressão clínica” a opção de realizar um teste para avaliar se estão deprimidos. Ele é baseado no formulário PHQ-9, um dos testes clínicos mais usados para detectar depressão no mundo.

A ferramenta foi desenvolvida em parceria com a Aliança Nacional para Doenças Mentais, uma entidade sem fins lucrativos que busca auxiliar no combate a doenças mentais, como a depressão. Segundo uma nota da entidade, pessoas com sintomas depressivos demoram de seis a oito anos até começarem a se tratar no país.

A depressão é considerada uma das doenças mentais mais comuns do mundo. Dados globais apresentados na pesquisa “Impacto de enfermidades depressivas por país, sexo, idade e ano”, publicada em 2013 na Public Library of Science, apontam que ela está relacionada ao suicídio de 16 milhões pessoas anualmente no mundo, além de estar ligada a outros problemas de saúde.

Dados da "Pesquisa Nacional de Saúde de 2013", conduzida pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, apontam que cerca de 7,9% da população brasileira sofre de sintomas depressivos -o teste também se baseia no formulário PHQ-9. Entre essas pessoas, 78,8% não recebem nenhum tipo de tratamento.

Gigantes da internet e responsabilidade editorial

Em nota oficial sobre a nova ferramenta, o Google não informou se ela será ampliada para outros países, como o Brasil.

Isso ocorreu, no entanto, com um outro serviço que qualifica as buscas de saúde do site. Desde 2016, quem realiza buscas por doenças, como catapora, ou gripe, tem acesso a uma ficha do Google com dados sobre a doença, algo que vale também para o Brasil. A instituição parceira do Google no país para alimentar essa função é o Hospital Albert Einstein.

Nos Estados Unidos, desde junho de 2016 também quem busca por sintomas de doenças tem acesso a informações sobre os possíveis diagnósticos. Isso, no entanto, ainda não vale no Brasil.

Ao oferecer informação diretamente, a gigante de tecnologia é capaz de manter os usuários por mais tempo em sua página. E, mais importante, evita que eles cheguem a informações de baixa qualidade em temas sensíveis e que poderiam causar ansiedade.

Dessa forma, a empresa vem abandonando a postura de apenas oferecer acesso a conteúdos de outros sites e assume cada vez mais responsabilidade editorial pelas informações que divulga.

Em dezembro do mesmo ano, o Facebook anunciou em seu site oficial que também assumiria mais responsabilidades editoriais, passando a combater ativamente notícias falsas. Nos Estados Unidos, usuários podem denunciar conteúdo que julgam duvidoso. A mudança ocorreu após a eleição de Donald Trump que, segundo muitos observadores, foi impulsionada por notícias falsas.

As denúncias são encaminhadas a instituições independentes de checadores. Quando as informações das notícias não procedem, um aviso aparece junto ao link falso, que também recebe menos exposição no feed de notícias.

Apesar de o Facebook ter anunciado que a intenção era aplicar a ferramenta também no Brasil, até o momento isso não ocorreu.

 

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