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A disputa entre Facebook e Snapchat em mais um capítulo

Novo relatório fortalece análise de que a rede de compartilhamento de imagens que se autodestroem ameaça a hegemonia da maior rede social do mundo

    Lançado no final de 2011, o Snapchat é uma rede social de compartilhamento de imagens. Ela é desenhada para acesso via smartphones, e entre suas inovações, traz o fato de permitir que fotos e vídeos compartilhados fiquem disponíveis por apenas até 24 horas.

    Segundo o colunista do site focado em tecnologia TechCrunch Mike Wadhera, seu apelo é permitir compartilhar eventos próximos ao que ocorre na vida real, com pouca edição e de forma que eles não se acumulam, construindo um histórico do perfil. A experiência vivida no momento presente é central, e pode ser compartilhada de forma mais direta.

    Existem há anos indícios de que uma parcela do público mais jovem tem dado preferência ao Snapchat em detrimento da maior rede social contemporânea: o Facebook.

    Além de características particulares do Snapchat, o interesse também é impulsionado pelo fato de que, por possuir relativamente menos usuários adultos, essa rede é encarada por adolescentes como um espaço mais privado, onde podem ser exibicionistas e sinceros entre si, longe dos olhares de seus pais.

    Um relatório publicado no dia 21 de agosto de 2017 pelo grupo de pesquisas eMarketer e focado nos Estados Unidos aponta algumas formas como o Snapchat está superando tanto o Facebook quanto o Instagram — outra rede social de compartilhamento de imagens, que foi comprado pela empresa de Mark Zuckerberg em 2012 — entre o público mais jovem no país.

    Os dados do público americano são acompanhados com atenção por investidores porque é possível que o mesmo tipo de comportamento se replique, em maior ou menor medida, posteriormente em países nos quais essas redes sociais começaram a crescer mais tarde.

    Como o Snapchat vem superando o Facebook nos EUA

    Público jovem

    O número de usuários americanos do Facebook com idade entre 12 e 17 anos deve cair 3,4% até o fim de 2017. Haverá, portanto, 14,5 milhões de usuários americanos nessa faixa etária no Facebook, contra 15,8 milhões no Snapchat. Será o segundo ano seguido de queda do Facebook entre esse público, diz o eMarketer. O Instagram tem 4,2 milhões de usuários nessa faixa etária nos Estados Unidos.

    Entre o público de 18 a 24 anos, o Snapchat fechará 2017 com 24,4 milhões de usuários, o Facebook com 23,5 milhões, e o Instagram, com 22,1 milhões. Segundo o relatório, é a primeira vez que Snapchat supera ambas as redes na faixa de 12 a 24 anos no país.

    Alcance diário

    O Snapchat também é capaz de atingir uma quantidade maior de usuários americanos de 13 a 24 anos com anúncios em um mesmo dia. O alcance é de mais de 26 milhões de usuários para o Snapchat, e de entre 25 a 26 milhões para o Facebook.

    Menos engajamento

    Segundo o analista da eMarketer Oscar Orozco, há pré-adolescentes americanos que nunca chegaram a criar um perfil no Facebook. E entre os adolescentes e jovens que continuam nessa rede houve queda tanto no número de vezes em que acessam a plataforma por dia quanto no tempo que passam nela.

    Por ora, esses dados não podem ser lidos como uma ameaça existencial ao Facebook. Mundialmente, a rede possui cerca de 2 bilhões de usuários mensais, frente 255 milhões do Snapchat. O Instagram possui cerca de 700 milhões de usuários mensais.

    A tendência é o suficiente, no entanto, para fazer com que o Facebook reaja. A empresa tentou comprar o Snapchat por US$ 3 bilhões em 2013, a exemplo do que havia feito com o Instagram um ano antes, mas sem sucesso. Nos últimos anos, o Facebook vem realizando uma série de mudanças que copiam os principais atrativos do Snapchat.

    Como o Facebook vem copiando o Snapchat

    Edição no aplicativo

    Em março de 2016, o Facebook comprou o aplicativo MSQRD, que permite adicionar efeitos e máscaras. Essa possibilidade era uma característica marcante do Snapchat. Em março de 2017, o Facebook lançou uma função que permite adicionar máscaras e filtros a fotos sem deixar seu aplicativo para recorrer a outro.

    Foco na câmera

    Em abril de 2016, o Facebook passou a investir em uma estratégia chamada “camera first” para levar usuários a postarem mais fotos e vídeos. O objetivo é, portanto, transformá-lo em algo mais próximo daquilo que o Snapchat já é desde o início: uma rede de compartilhamento de imagens. “Estamos entrando nessa nova era dourada do vídeo”, afirmou o presidente do Facebook Mark Zuckerberg na época.

    Instagram Stories

    Em agosto de 2016, o Facebook implementou no Instagram a função "Stories”, idêntica ao formato do Snapchat, que permite postar uma foto ou vídeo que fica por 24 horas on-line antes de desaparecer. O presidente do Instagram Kevin Systrom afirmou na época ao site focado em tecnologia TechCrunch que o Snapchat merecia “todo o crédito” pela invenção. Em janeiro de 2017, a cópia chegou ao Facebook. E em fevereiro de 2017, outra empresa do grupo Facebook copiou o mecanismo: o WhatsApp.

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