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A violência contra professores no Brasil em novo episódio

Postagem de professora de Santa Catarina que foi agredida por um aluno dentro da escola repercurte nas redes sociais. Brasil é campeão em casos de agressão contra professores

    O caso de agressão a uma professora por um aluno em Santa Catarina na segunda-feira (21) mobilizou centenas de milhares de usuários das redes sociais que postaram sua indignação e solidariedade. Mas, por mais perturbadora que seja a imagem de uma mulher de 51 anos com sangue escorrendo pelo nariz e pelo supercílio, ela faz parte de uma situação bastante comum no Brasil.

    Tão comum que o Brasil ocupa o primeiro lugar entre 34 países em casos de agressão contra professores, de acordo com levantamento de 2013 feito pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

    A professora Marcia Friggi, da cidade de Indaial, levou socos de um aluno de 15 anos. Era seu primeiro dia de aula na escola, assim como do aluno agressor. Ao repreender o aluno em sala, teve arremessado um livro em sua direção e ouviu xingamentos. Quando foi levar o aluno à diretoria, aconteceram as agressões físicas.

    Ao expor o caso nas redes sociais, a professora recebeu milhares de mensagens de apoio. Mas também vieram muito mais agressões, algumas de cunho político.  

    “Estou estarrecida. Certas pessoas estão escrevendo que eu merecia isso, por meu posicionamento político de esquerda, de feminista. Já atingiram o meu olho, mas não vão me calar. Na sala de aula é uma coisa, mas nas redes sociais tenho todo o direito de me expressar”, disse a professora à BBC Brasil.

    Na condição de menor de idade, o jovem será responsabilizado por lesão corporal por meio de um ato infracional e terá que depor à polícia. Não é a primeira ocorrência do tipo que o envolve: em anos anteriores, ele foi denunciado por lesão corporal a um conselheiro tutelar e à própria mãe.

    Agressões a professores

    Na pesquisa da OCDE, foram contabilizados quantos professores foram vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana. O Brasil registrou 12,5% de professores que reportaram ter sido vítimas de casos assim semanalmente. Em segundo vieram Estônia, com 11%, e a Austrália com 9,7%. Na Coreia do Sul, na Malásia e na Romênia, o índice é zero.

    O mesmo estudo revelou que só um em cada dez professores (12,6%) consideram que sua profissão é valorizada no Brasil. O país fica entre os dez últimos nesse quesito, embora na frente de países como Eslováquia (o pior, com 3,9%), França e a Suécia (ambos com 4,9%).

    Na outra ponta, onde a grande maioria dos professores acredita ser valorizada, estão três países asiáticos: Malásia (83,8%), Cingapura (67,6%) e Coreia do Sul (66,5%).

    O estudo internacional sobre professores, ensino e aprendizagem é conhecido como Talis, sua sigla em inglês. A pesquisa foi realizada durante o ano de 2013 com mais de 5 milhões de professores em 34 países.

    Em 2016, um levantamento do site Fiquem Sabendo, com base em dados da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, apontou o registro de 295 casos de violência contra professores, mais da metade na Grande São Paulo. Os casos ocorreram entre janeiro de 2014 e abril de 2015, o que dá a média de uma ocorrência a cada dois dias.

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