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O impacto da mineração e seus frutos, numa perspectiva visual

Série de fotos editadas pelo artista plástico Dillon Marsh permite visualizar o que se obtém cavando enormes crateras na terra

 

Atividades de mineração impactam o meio ambiente ao liberar substâncias tóxicas, em alguns casos, radioativas, no solo, no ar e na água. Especialmente nos casos em que os minérios não estão concentrados, mas distribuídos em pequena densidade em um terreno, é necessário movimentar grandes quantidades de material. Algumas vezes isso requer substâncias químicas, para depois separar solo e rochas sem valor dos minérios em si.

No caso da mineração aberta, imensas crateras são escavadas, o que também pode levar à erosão ao seu redor. Uma série de fotografias intitulada “For What it’s Worth” (“Pelo Que Vale”, em uma tradução livre) criada pelo artista plástico sul africano Dillon Marsh traz uma nova perspectiva do tamanho do impacto geográfico da mineração e o seu resultado.

Marsh utiliza o programa de edição de imagens Photoshop para criar esferas que representam todo o minério extraído de diversas minas de seu país. Em algumas das imagens, ele justapõe esse resultado às crateras que foram abertas para obtê-lo. A fotografia que abre este texto, por exemplo, mostra a cratera aberta pela mina de Palabora, e uma representação das cerca de 4,1 milhões de toneladas de cobre extraídas dela.

A série começou a ser exposta por Marsh em galerias em 2014. Em entrevista para a galeria Momo, de Johanesburgo, Marsh afirmou que “há frequentemente um estigma ligado ao Photoshop, à medida que alguns dizem que ele é usado para criar imagens enganosas, mas eu acredito que, se usado cuidadosamente, ele pode aperfeiçoar fotografias significativamente”.

As montagens são especialmente marcantes quando Marsh representa diamantes. Crateras imensas são criadas para extrair um material que, condensado na criação digital do artista, forma um objeto relativamente muito pequeno. Na imagem abaixo, a mina de Kimberly é contraposta a 14,5 milhões de quilates do material, o equivalente a 2.900 quilos. O objeto, no centro do que parece ser um lago que se formou na cratera, mal pode ser visto na fotografia.

 

Em seu site, Marsh afirma que uma área de mineração de ouro chamada Central Rand Gold Field serviu no século 19 como base para a formação da cidade de Joanesburgo, a maior da África do Sul. Na imagem abaixo, ele posiciona um objeto formado pelos cerca de 7,8 milhões de kg de ouro, na Praça Gandhi, localizada no centro da cidade.

ESTAVA ERRADO: O nome da mina de Palabora havia sido grafado incorretamente. O texto foi corrigido às 18h42 de 23 de agosto de 2017.

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