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Como uma hashtag traz visibilidade para ilustradoras

Para as mulheres que trabalham com ilustrações, ocupar esse espaço pode significar repensar o papel de personagens femininas

    Foto: Hannah McComb/Reprodução
    ‘Não consigo dormir até falar os nomes’, referência a personagem Arya Stark, da série Game of Thrones
     

    No dia 5 de agosto de 2017, a hashtag #VisibleWomen foi usada no Twitter por milhares de pessoas em todo o mundo. O intuito era mostrar que existem mulheres no universo da ilustração tanto quanto homens. Kelly Sue DeConnick, roteirista de quadrinhos americanos, como o da personagem Capitã Marvel, foi a responsável por disseminar a ideia.

    Não foi a primeira vez que a roteirista americana usou a hashtag. Em março de 2016, ela twittou para que as mulheres ligadas ao mundo da ilustração e quadrinhos mostrassem seus trabalhos. À época, o movimento ficou restrito aos EUA. Desta vez, porém, a iniciativa se espalhou e em pouco tempo alcançou o Brasil.

    O movimento, pensado pela roteirista, começou com o intuito de mostrar que existem mulheres nesse meio. Roteiristas, ilustradoras, artistas, quadrinistas e escritoras poderiam publicar seus trabalhos ou portfólios no Twitter com a hashtag #VisibleWomen.

    “O objetivo da hashtag #VisibleWomen é acabar com a ideia de que as mulheres que trabalham com quadrinhos ou ilustração são raras, além de aumentar a consciência dos leitores”

    Milkfed Criminal Masterminds

    empresa dos roteiristas Kelly Sue DeConnick e Matt Fraction 

    De acordo com o levantamento do quadrinista Tim Hanley, que escreve para o blog Strained Circumstances, a porcentagem de mulheres que trabalham na DC e na Marvel ainda é baixa se comparada com o número dos homens. Em maio de 2017, nos 79 novos quadrinhos da DC Comics que chegaram às lojas, havia 727 pessoas creditadas. Desse número, 617 são homens e 100 são mulheres.

    No caso da Marvel, os números do mesmo período revelam algo parecido: 96 quadrinhos chegaram às lojas. 883 pessoas responsáveis por eles: 743 homens e 140 mulheres. 

    Hannah McComb é ilustradora e também mostrou seu trabalho pela hashtag no Twitter. Ela viveu sua infância na zona rural do Amazonas, se mudou para Manaus e atualmente reside em São Paulo em busca de espaço no mercado com suas ilustrações. Aos 24 anos, ela é formada em marketing e começou a ter reconhecimento de seu trabalho a partir de sua página no Instagram.

    Foto: Hannah McComb/Reprodução
    Ilustração de Hannah McComb
     

    Os temas recorrentes nas ilustrações de Hannah são a natureza, o mundo medieval e o de séries e filmes conhecidos, como Game of Thrones e Harry Potter. “Em 2017 comecei a ilustrar um livro infantil, mas noto que no Brasil não tem tanto incentivo na área. O mais recorrente é o incentivo entre os próprios ilustradores”, disse em entrevista ao Nexo.

    O que muda com as mulheres ocupando esses espaços

    De acordo com levantamento da Marvel, 40% de seus consumidores e leitores de quadrinhos são mulheres. Esse número, que é crescente, estimulou grandes marcas a pensarem em um outro produto que agrade o setor.

    Também não é de hoje a presença feminina na criação de quadrinhos e ilustrações. Para as ilustradoras que trabalham no meio, ocupar esse espaço pode significar repensar o papel das personagens femininas, comumente retratadas de forma estereotipada e sexualizada

    “Somos mal representadas. A produção de HQs era majoritariamente masculina — homens brancos e heterossexuais contando histórias sobre diferentes pessoas. Quando a gente lê, não consegue se identificar. As pessoas têm mania de dizer que quadrinhos é para menino, mas é porque as histórias são sempre contadas por eles. Quando a gente vê que existem mulheres falando do ponto de vista delas, a gente se reconhece”

    Mariamma Fonseca

    ilustradora, ao Correio Braziliense

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