O que é o PEN, partido que quer lançar Bolsonaro à Presidência

Legenda ‘ecológica’ apoia Temer e as reformas. Agora, com a chegada do deputado federal, avalia mudar de nome

     

    O PEN fez o que pode para ter Marina Silva como candidata à Presidência nas eleições de 2014. A afinidade da ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente com a causa ecológica, que dá nome à legenda, era usada como um atrativo. Mas Marina preferiu o PSB. Para 2018, o Partido Ecológico Nacional de novo se lançou às negociações para finalmente ter um candidato próprio ao Palácio do Planalto. Se nada mudar até lá, ele será o deputado federal Jair Bolsonaro.

    Filiado atualmente ao PSC (Partido Social Cristão), o deputado de extrema-direita confirmou a ida para o PEN. A filiação deve ocorrer somente durante a “janela partidária”, período em que parlamentares podem trocar de legenda sem correr o risco de perder o mandato. A janela está prevista para março de 2018, mas pode ser antecipada.

    Segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto mais recentes do instituto Datafolha, Bolsonaro chegou a anunciar que iria para o PSDC (Partido Social Democrático Cristão). O partido, no entanto, negou ter interesse no deputado. Já a ida para o PEN está “99,9%” fechada. “Estamos só esperando a assinatura do ‘casamento partidário’, por isso o 0,1%”, afirmou o presidente nacional do PEN, Adilson Barroso.

    Mantida a filiação, Bolsonaro será o primeiro candidato presidencial da legenda. Com apenas três deputados federais e sem nenhum senador, o PEN espera atrair novos quadros com a chegada do parlamentar carioca e pré-candidato.

    Formalizada em 2012, a sigla sustentava o “ecológico” como o diferencial em relação às outras 29 legendas (atualmente já são 35 partidos). Cinco anos depois, o PEN inclui em sua estratégia de crescimento a ideia de mudar de nome, dessa vez reforçando a associação com o campo mais conservador e à direita do espectro partidário.

    Entra Bolsonaro, sai o ‘ecológico’

    Bolsonaro não tem afinidade com a agenda ambiental. Em 2011, por exemplo, ele votou pela aprovação do Código Florestal, muito criticado por ambientalistas na época. Assim que a filiação de Bolsonaro virou notícia, na tarde de segunda-feira (31), o PEN lançou uma enquete para seus apoiadores escolherem um novo nome ao partido.

    Há entre as opções a alternativa de continuar como PEN, mas as demais abandonam a associação com a agenda ambiental. A preferida até o momento é “Patriota”. As demais sugestões são Pátria Amada Brasil, Republicanos e Prona, nome igual ao da legenda criada pelo deputado Enéas Carneiro (1938-2007), que depois se fundiu ao PL, tornando-se o atual PR.

    Em seu estatuto vigente, documento oficial com as diretrizes de um partido, o PEN afirma ter “como foco central a defesa da sustentabilidade”. No site oficial, a legenda divulga os “10 mandamentos para um crescimento sustentável”, entre os quais defende que o filiado seja “amigo da natureza”, adote uma árvore e, por fim, pede que “não esqueça de agradecer a Deus pela perfeição do planeta”.

    Na agenda, temas conservadores

    Segundo o presidente do partido, apesar do “ecológico” do nome, o PEN não era focado apenas nesse tema. Identificado como um partido de centro-direita, o PEN apoia temas considerados conservadores no campo dos costumes, pauta com que Bolsonaro tem proximidade. Em 2013, por exemplo, o presidente do partido defendia a redução da maioridade penal.

    Na Câmara, um dos deputados do PEN, Erivelton Santana (BA), é autor do projeto “Escola sem Partido”, que sugere limites a escolas ao abordar assuntos relacionados à educação moral, sexual e religiosa. “Esses são temas para serem tratados na esfera privada”, defende o autor.

    Projeto semelhante foi apresentado no Senado e ambos estão em tramitação, mas sem previsão de serem votados. Para educadores, esse tipo de proposta é equivocada e pode levar a punição a professores em sala de aula.

    Com Temer e pró-reformas

    O PEN faz parte do bloco aliado do governo Temer e em fevereiro declarou apoio às reformas trabalhista e da Previdência. Dos três deputados, Walney Rocha (RJ), votou contra à revisão das leis trabalhistas.

    Quando as delações da JBS, que atingiram o presidente Michel Temer, vieram a público, o PEN manteve apoio ao governo. Às enquetes feitas pelos jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo, o líder do PEN, Junior Marreca (MA), declarou que votará para rejeitar a denúncia de corrupção contra Temer. Os outros dois deputados não informaram como pretendem votar na sessão prevista para esta quarta-feira (2).

     

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