Quem é Jeff Bezos, a pessoa que (por algumas horas) foi a mais rica do mundo

Em menos de 20 anos, Jeff Bezos fundou uma empresa de venda de livros, outra de viagens aeroespaciais e comprou um jornal

     

    Por algumas horas na quinta-feira (27), o americano Jeff Bezos assumiu o posto de pessoa mais rica do mundo, segundo ranking da revista Forbes. A publicação tem uma lista estática, que parte de valores de fevereiro, e uma atualizada em tempo real. Nesta, Bezos apareceu como dono de US$ 90,6 bilhões, algo como R$ 286 bilhões. Bill Gates, cofundador da Microsoft hoje dedicado à filantropia e figura sempre presente no topo da tal lista, foi passado para trás com uma fortuna de “apenas” US$ 90 bilhões.

    A liderança de Bezos, no entanto, durou pouco. Bezos terminou o dia US$ 1,9 bilhão mais pobre (ou menos rico). Isso porque ações da Amazon – empresa que fundou e da qual, atualmente, controla uma fatia de 17% – sofreram queda de preço após publicação de balanço trimestral. Assim, o executivo voltou para a segunda posição.

    A lista completa tem ainda pessoas como Mark Zuckerberg (fundador do Facebook e outro caso conhecido de bilionário que fez fortuna no Vale do Silício) e os brasileiros Jorge Paulo Lemann (sócio de Ambev, Burger King e Kraft Heinz) e Joseph Safra (dono do Banco Safra).

    Criando a loja que vende tudo

    Jeffrey Preston Jorgensen é filho de Jackie e Miguel Bezos, um engenheiro cubano imigrante nos Estados Unidos que o adotou. “Jeff” nasceu em 1964 na cidade de Albuquerque, no estado do Novo México (EUA), e se formou em ciências da computação na Universidade de Princeton, em 1986.

    Bezos começou sua carreira em uma pequena startup de tecnologia chamada Fitel, mas depois passou a trabalhar na empresa de fundo de investimentos D.E. Shaw, em Nova York. Após rápida escalada – Bezos se tornou vice-presidente da companhia após quatro anos –, decidiu abandonar o emprego para empreender em algo relacionado à internet, que começava então a ganhar relevância. 

    Com mala e plano de negócios em mãos, em 1994 ele partiu para a costa oposta do país rumo a Seattle, no estado de Washington. A escolha da cidade se deveu à presença de engenheiros formados em universidades próximas e de grandes distribuidoras de livros nas redondezas. O objetivo foi montar um site, chamado Amazon, que vendesse apenas esse tipo de produto pela internet.

    A página foi ao ar em julho de 1995. Em pouco tempo de operação, Bezos vendeu livros para diversos estados americanos bem como para fora do país. Em dois anos, o site pulou de 2,2 mil visitantes únicos para 80 mil, o número de empregados foi de 11 para 256, e a receita saltou de US$ 511 mil para US$ 15,7 milhões. Com esses números, Jeff Bezos decidiu abrir o capital da empresa na bolsa de valores Nasdaq. A venda de ações foi considerada um sucesso e a empresa passou a ter valor de mercado de US$ 300 milhões.

    Foto: Reprodução/Time
    Capa da revista Time (1999), com Jeff Bezos
    Capa da Time de 1999 escolheu Jeff Bezos como “a pessoa do ano”
     

    Os anos seguintes foram de investimento na estrutura da empresa e diversificação de produtos vendidos. CDs de música, filmes, aparelhos eletrônicos se tornaram artigos na prateleira virtual da Amazon. Uma seção na página passou a permitir que outras lojas e pessoas físicas pudessem vender seus próprios produtos através da plataforma.

    Em 2000, toda a euforia sobre negócios baseados na internet sofreu um revés e a chamada “bolha da internet” estourou. Muitas empresas fecharam as portas, enquanto outras como Yahoo e eBay sobreviveram sob a pena de perda de muito dinheiro. Foi também o caso da Amazon, que levou alguns anos para voltar a apresentar resultados positivos mais uma vez.

    Entre 2006 e 2007, a Amazon criou seu serviço de nuvem, chamado Amazon Web Services – sua maior fonte de receita desde então –, e lançou seu leitor de livros virtuais apelidado de Kindle. O aparelho abriu um novo filão para a empresa, a venda de livros virtuais, os ebooks.

    Na década seguinte, a empresa passou a oferecer serviços de streaming de música e vídeo, entregas por meio de drones, bem como outros eletrônicos, competindo mais diretamente com a Apple, como celulares, tablets e televisores inteligentes. Finalmente, em 2015, a Amazon consegue o feito de superar em valor de mercado a sua maior rival de lojas físicas, a tradicional rede varejista Walmart, fundada em 1962.

    Ascensão da Amazon

     

    A Amazon se tornou assim a maior empresa de varejo on-line nos EUA e fora dele. Em 2013, o jornalista americano Brad Stone publicou a história de Bezos e sua criação no livro cujo título define o poder da empresa: “A loja de tudo”.

    Manchetes e viagens no espaço

    Depois de erguer seu império sob a marca Amazon, o bilionário Bezos passou a mirar em áreas de negócios bem diferentes. Em 2000, o executivo fundou a Blue Origin, uma companhia aeroespacial cujo objetivo é o de tornar acessível viagens particulares pelo espaço. Quinze anos depois do início da empreitada, uma das aeronaves (sem tripulação) atingiu finalmente o espaço e retornou à Terra intacta, permitindo sua reutilização em lançamento seguinte.

    A empresa, que tem planos de um lançamento tripulado para 2018, disputa espaço, sobretudo com a SpaceX – do também bilionário e entusiasta das novas tecnologias Elon Musk –, nesta nova corrida espacial.

    Após ser apontado como o vilão pelo fechamento de livrarias físicas, sobretudo da americana Barnes & Nobles, Jeff Bezos atacou outro mercado apegado ao papel e em queda. Em 2013, o dono da Amazon comprou por US$ 250 milhões o jornal americano The Washington Post, um dos maiores e mais tradicionais do país, tomando o controle do diário de Donald Graham, cuja família dirigiu o jornal por quatros gerações.

    Na época, o analista de mídia e executivo do Vale do Silício Alan Mutter comentou a aquisição e comemorou o fato de que pela primeira vez uma pessoa nativa da internet estava à frente da compra de um jornal, e não um empresário tradicional “que tentaria restaurar o Post aos seus tempos de auge”.

    “Ele não está comprando isso porque ele quer que o jornal fale sobre suas visões de viagem no aeroespacial. Ele está comprando porque ele vê uma grande oportunidade de negócio, um novo mercado para ele descobrir e conquistar aos moldes de como ele descobriu uma forma de não só vender livros online, mas também baterias e lâminas de barbear.”

    Alan Mutter

    Consultor e analista de mídia

    Com sua experiência on-line (e em fazer dinheiro), o executivo buscou modernizar a empresa, sobretudo sua forma de fazer negócio. Bezos investiu em tecnologia (e passou a vendê-la a outros jornais), contratou mais jornalistas, tornou o jornal mais rentável e aumentou o acesso de leitores ao site.

    “Nós administramos a Amazon e o The Washington Post de maneiras muito parecidas quanto à abordagem básica. Nós tentamos ser centrados nos clientes, o que no caso do Post significa ser centrados nos leitores”, disse

    A revista responsável pela lista de mais ricos do mundo disse em fevereiro que Bezos “teve um ano melhor do que o de qualquer outra pessoa no planeta, somando US$ 27,6 bilhões à sua fortuna”. Com um dos jornais mais relevantes do mundo, uma loja gigantesca que vende tudo e uma empresa que ruma para ocupar, literalmente, o espaço (entre outras coisas), o executivo tem apenas Bill Gates pela frente. Por quanto tempo ele vai aguentar não ser o líder dessa disputa também?

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