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A popularidade de Dilma no impeachment e a de Temer na denúncia criminal

Às vésperas da votação da Câmara sobre a denúncia de corrupção, presidente atinge sua pior avaliação, superando os índices atingidos pela antecessora e por Collor

     

    A poucos dias de deputados começarem a votar pelo prosseguimento ou não da denúncia por corrupção ao Supremo, previsto para 2 de agosto, Michel Temer atingiu o pior índice de popularidade já registrado por um presidente da República no período da redemocratização do país.

    Na pesquisa CNI/Ibope, divulgada na quinta-feira (27), o percentual de brasileiros que consideram a gestão Temer ótima ou boa é de 5%. Até agora, apenas o ex-presidente José Sarney atingiu um resultado tão baixo, com 7% de avaliação positiva, em julho de 1989.

    A sondagem feita pelo Ibope foi realizada entre 13 e 16 de julho, depois de Temer ser formalmente denunciado por corrupção passiva no caso JBS, em 26 de junho. Acusado de receber propinas em troca de favores ao frigorífico, ele é o primeiro presidente da história denunciado por um crime comum.

    Rejeição em alta

     

    O processo contra o peemedebista só terá sequência se a Câmara encaminhar a denúncia ao Supremo. É disso que trata a votação que deve começar na quarta-feira (2). Temer precisa de 172 votos, de um total de 513 deputados, para barrar a acusação. Caso contrário, a denúncia vai para o tribunal. Se os ministros do Supremo acatarem a acusação, Temer é afastado temporariamente da Presidência.

    Não é possível saber se a popularidade do presidente vai influenciar o voto dos deputados, mas é fato que ela precede um momento crucial para seu futuro político. A opinião dos brasileiros sobre o governo Temer é mais negativa do que a dirigida a seus antecessores Dilma Rousseff e Fernando Collor, pouco antes de eles serem afastados do cargo.

    Temer: acusação, reformas e economia

    O peemedebista assumiu a Presidência em maio de 2016, após o afastamento temporário de Dilma. Temer já iniciou o governo com a popularidade em baixa, na comparação com seus antecessores. De lá para cá, o percentual de “ruim e péssimo” aumentou, chegando a 70%. É a rejeição mais alta, só obtida até então por Dilma.

    ‘Ruim e péssimo’ dos antecessores

     

    A pesquisa CNI/Ibope de julho foi feita antes do anúncio do governo de aumentar os impostos que incidem sobre os combustíveis. Para o gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca, a denúncia de corrupção e a lenta recuperação econômica explicam a baixa popularidade de Temer.

    A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O instituto ouviu 2.000 entrevistados em 125 municípios.

    Embora a avaliação de Temer tenha atingido níveis mais baixos, há pelo menos três fatores que diferenciam seu momento do de Collor e Dilma: ele ainda tem apoio de parte do Congresso; conta com a confiança de empresários e de setores de mercado ainda e as manifestações de rua contra o governo arrefeceram.

    Dilma: recessão, Lava Jato e protestos

    Em 17 de abril de 2016, os deputados aprovaram a instauração do processo de impeachment contra Dilma. Depois, em 12 de maio, o Senado a afastou temporariamente. A pesquisa CNI/Ibope que antecedeu essas duas votações foi divulgada em 30 de março, mês em que o governo petista foi avaliado como ruim ou péssimo por 69% dos entrevistados.

    Popularidade antes do impeachment

     

    Em março de 2016, o governo Dilma era afetado por uma série de fatores negativos:

    • A situação da economia era grave, resultado do quadro de recessão por que passava o país
    • Empresários e investidores já não acreditavam mais na capacidade da petista de recuperar a economia
    • O PMDB, principal partido da base aliada, deixou o governo, agravando o isolamento de Dilma no Congresso 
    • A Lava Jato avançava sobre o PT e sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, proibido pelo Supremo de assumir o ministério da Casa Civil
    • Em 13 de março de 2016 ocorreu o maior protesto popular contra o governo Dilma

    Em 31 de agosto, o Senado condenou a petista por crime de responsabilidade em razão das manobras fiscais. Dilma foi afastada definitivamente do cargo.

    Collor: inflação e corrupção

    Primeiro presidente eleito pelo voto popular após a ditadura militar, o senador Fernando Collor (PTB-AL) foi afastado pela Câmara em setembro de 1992. No mês anterior, ele atingiu seus piores índices de avaliação.

    Popularidade antes do impeachment

     

    A situação de Collor diante da opinião pública já era ruim em razão das medidas econômicas adotadas por ele para tentar conter a inflação, entre elas o confisco das poupanças em 1990 e o limite para saques em 1991.

    Em 1992 o quadro se agravou com a divulgação de suspeitas de que o então presidente participasse de um esquema de desvios de dinheiro, organizado pelo seu ex-tesoureiro de campanha Paulo César Farias. A partir daí, Collor perdeu apoio no Congresso e a mobilização popular ganhou força.

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