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Quantos votos teve Rodrigo Maia nas eleições que disputou até hoje

Primeiro na linha sucessória, presidente da Câmara assume o comando do país se Temer for afastado por corrupção

    O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é o primeiro na linha sucessória da Presidência da República, e poderá assumir o cargo caso Michel Temer seja afastado ou condenado pelo Supremo Tribunal Federal.

    Maia chegou a essa posição de poder após uma sequência de eventos ligados à crise política que atinge o país desde 2015. Primeiro, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o que alçou Temer ao Palácio do Planalto. Depois, o afastamento e posterior renúncia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara, abrindo espaço para que Maia se candidatasse ao comando da Casa. E, agora, a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Temer, por corrupção passiva, que pode resultar no afastamento do peemedebista.

    Como deputado, a votação máxima que Maia obteve foi em 2006, de 235 mil votos. Como candidato a prefeito em 2012, recebeu 95 mil votos. A Presidência da República é um cargo distinto, de abrangência nacional, mas, apenas para se ter uma ideia, os últimos candidatos vitoriosos ao Palácio do Planalto tiveram cerca de 55 milhões de votos no segundo turno de votação.

    Maia é herdeiro político do pai, Cesar Maia, prefeito do Rio por três mandatos e hoje vereador da capital fluminense. Dele, recebeu apoio para assumir seus primeiros cargos públicos e chegar ao comando do seu partido, o DEM (antigo PFL).

    O cenário negativo para Temer favorece a carreira política de Maia. Se dois terços dos deputados votarem pelo prosseguimento da denúncia e o Supremo autorizar a abertura da ação penal, o peemedebista será afastado do cargo por 180 dias ou até que seja julgado — nesse período, Maia assume o comando do Palácio do Planalto como interino. Se Temer for condenado pelo Supremo, ele perde o mandato e Maia deve convocar uma eleição indireta, na qual votam apenas deputados e senadores, para escolher quem será presidente da República até o final de 2018.

    Maia é potencial candidato em uma eventual eleição indireta, e defende as reformas propostas pelo governo Temer, como a trabalhista e a da Previdência. Para setores do empresariado e do mercado financeiro, Maia teria até mais condições de encaminhar essa agenda do que Temer, hoje avariado pela denúncia do Ministério Público Federal.

    Estas foram as eleições disputadas pelo atual presidente da Câmara:

    1998

    Eleito para seu primeiro mandato de deputado federal, tinha à época 28 anos de idade. Havia estudado economia na Universidade Candido Mendes, mas nunca concluiu o curso.

    Seu maior cabo eleitoral foi seu pai, Cesar Maia, também do PFL, que havia sido prefeito do Rio de 1993 a 1996. Cesar Maia voltou a ser eleito prefeito em 2000 e 2004, e hoje é vereador na capital fluminense.

    No currículo, Rodrigo Maia demonstrava alguma experiência na iniciativa privada — em dois bancos de investimento — e no setor público, como secretário de Governo da Prefeitura do Rio, de 1997 a 1998, na gestão de Luiz Paulo Conde, do PFL.

    96.385

    votos

    12°

    deputado mais votado no estado do Rio de Janeiro

    2002

    É reeleito para seu segundo mandato, no PFL, em coligação com o PSDB e o PMDB. No mesmo ano, é incluído pelo Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) na lista dos 100 deputados federais mais influentes.

    117.229

    votos

    12°

    deputado mais votado no estado do Rio de Janeiro

    2006

    Na votação mais expressiva da sua carreira, é eleito para seu terceiro mandato consecutivo pelo PFL, em chapa “pura”, sem coligação com outros partidos.

    Seu desempenho é resultado da projeção alcançada, em 2005, como líder do seu partido na Câmara, pela oposição ao governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela atuação na CPI dos Correios, que apurou fatos do escândalo do mensalão.

    235.111

    votos

    deputado mais votado no estado do Rio de Janeiro

    2010

    É reeleito para seu quarto mandato, após ter comandado em 2007 a renomeação do PFL para Democratas e assumir a presidência nacional do partido.

    Um dos motivos para a troca do nome da sigla era a identificação do PFL com a Arena, que deu sustentação ao regime militar. A iniciativa não contribuiu para estancar a redução do tamanho do partido, que vê sua bancada eleita diminuir de 65 deputados em 2006 para 43 em 2010 em meio à alta popularidade do governo Lula.

    Maia, em chapa coligada com o PPS e o PSDB, termina a eleição com menos da metade dos votos que havia recebido no pleito anterior.

    86.162

    votos

    17°

    deputado mais votado no estado do Rio de Janeiro

    2012

    Maia se lança a prefeito do Rio, em sua primeira tentativa de disputar um cargo eletivo no Executivo. Com Clarissa Garotinho, então no PR, como vice, acaba em terceiro lugar. Mesmo com o tempo de propaganda em rádio e TV da disputa majoritária, recebe menos votos do que teve nas eleições para a Câmara em 1998, 2002 e 2010.

    A eleição daquele ano foi vencida pelo prefeito Eduardo Paes, do PMDB, que se reelegeu no primeiro turno com 2,1 milhões de votos (64,6% dos válidos). Paes se beneficiava da alta dos investimentos na cidade em função da parceria estabelecida com o governo federal nas gestões Lula e Dilma, da descoberta do petróleo no pré-sal e da preparação para as Olimpíadas de 2016. Em segundo lugar no pleito ficou Marcelo Freixo, do PSOL, com 914 mil votos (28,2% dos válidos).

    95.328

    votos

    2,94%

    dos votos válidos para prefeito do Rio

    mais votado para prefeito do Rio

    2014

    É o pior desempenho eleitoral da carreira política de Maia. A bancada eleita de seu partido na Câmara continua a se reduzir drasticamente e passa de 43 cadeiras em 2010 para 21 em 2014. Disputa o pleito coligado ao PPS e ao PSDB.

    53.167

    votos

    29°

    deputado mais votado no estado do Rio de Janeiro

    A maré negativa começa a se reverter no ano seguinte, com a Operação Lava Jato apontando corrupção na Petrobras durantes as gestões do PT. Maia participa ativamente do movimento pelo impeachment de Dilma e em julho de 2016, após a renúncia de Cunha, é eleito presidente da Câmara para um mandato-tampão de seis meses. Em fevereiro 2017, se reelege presidente da Casa para um mandato de dois anos.

    Quantos votos teve Temer

    O atual presidente do Brasil também teve uma carreira política construída na Câmara dos Deputados, que presidiu por seis anos. Sua maior votação para o cargo no Legislativo foi em 2002, quando ele recebeu 252 mil votos.

    Em 2006, sua última disputa antes de entrar como vice na chapa encabeçada por Dilma, Temer recebeu 99 mil votos e quase ficou de fora da Câmara. Seu resultado individual era insuficiente para obter mais um mandato, mas ele entrou pelo quociente eleitoral com a ajuda do total de votos destinados ao PMDB.

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