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Inadimplência atinge número recorde: quais as causas e as consequências

Brasileiros com dívidas em atraso eram 61 milhões em maio, cerca de 10 milhões a mais do que antes da crise econômica

     

    A inadimplência no Brasil bateu recorde em maio de 2017. Foi a maior registrada pela Serasa Experian, empresa especializada em análise de crédito, desde 2012. O número de brasileiros com contas em atraso foi de 61 milhões. Isso significa que um em cada quatro cidadãos adultos devia na praça.

    O dado só conta as pessoas que tiveram seus nomes enviados para cadastros negativos de crédito, aqueles que são conhecidos popularmente como “negativados”.

    Os critérios para a inclusão do nome de um devedor nesse tipo de lista varia de acordo com o tipo de conta. Para contas telefônicas, por exemplo, a negativação só pode acontecer após 90 dias de atraso. Em outros casos, o tempo de tolerância costuma variar entre 30 e 45 dias.

    Quem está com o nome negativado tem problemas para abrir conta em banco, conseguir empréstimos, financiamentos e fechar contratos de aluguel, por exemplo. Para sair desse tipo de cadastro o consumidor deve pagar ou, pelo menos, renegociar o pagamento da dívida.

    O que os brasileiros deviam em maio

     

    Pelo menos 900 mil brasileiros passaram a ser considerados inadimplentes somente em maio, fazendo o total passar de 60,1 milhões para 61 milhões. Os levantamentos feitos antes da crise econômica, que começou no segundo trimestre de 2014, mostrava cerca de 10 milhões de inadimplentes a menos que o quadro atual.

    Crescimento na crise

     

    Causas e consequências do endividamento das famílias

    A crise no Brasil começa no primeiro semestre de 2014 (com os primeiros registros de retração da atividade econômica), mas os efeitos sobre a população demoraram um pouco a aparecer. Primeiro a produção começou a diminuir e as empresas começaram a demitir.

    Já são dois anos e meio de recessão. Nesse período, o Produto Interno Bruto do Brasil diminuiu cerca de 7,2%. O efeito disso na vida das pessoas pode ser medido por alguns índices, entre eles a inadimplência.

    Causas

    A principal causa da inadimplência é o desemprego, que diminui a renda das famílias. Mesmo quem conseguiu se recolocar, muitas vezes teve de aceitar receber menos para não ficar parado. Com menos dinheiro no orçamento, faltam recursos para pagar as contas. Pequenos empresários e comerciantes, que tiveram diminuição de faturamento de seus negócios com a crise, também estão sujeitos à inadimplência familiar.

    Consequências

    No curto prazo, a alta inadimplência dificulta a retomada da economia puxada pelo consumo das famílias, que representa mais de 60% do PIB no Brasil. Com contas a pagar, as pessoas dificilmente vão contratar novas dívidas. Com menos gente para comprar, o comércio vende menos, as indústrias produzem menos e a crise tende a continuar. Com a alta inadimplência das famílias, a reanimação teria de ser feita por outro setor da economia.

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