Quem foi Simone Veil e quais foram suas contribuições para os direitos das mulheres

Primeira mulher a presidir o Parlamento Europeu, nos anos 1970, Veil morreu em 30 de junho de 2017 aos 89 anos

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    A família de Simone Veil informou nesta sexta-feira (30) a morte da ex-presidente do Parlamento Europeu e ex-ministra da Saúde da França. Sobrevivente de Auschwitz, ela encarna três grandes momentos da história do século 20 para o continente europeu: o Holocausto, a emancipação feminina e a esperança na Europa pós-guerra, como observa o obituário publicado pelo jornal “Le Monde”.

    Em 1971, na França, 343 mulheres  –  muitas delas conhecidas publicamente –  estamparam a capa da revista “Nouvel Observateur” declarando já terem abortado. Intitulado pelas manifestantes e publicado como o “manifesto das 343 vagabundas”, o movimento deflagrou o processo que culminaria com a criação da lei de 1975 que descriminalizou o aborto no país.

    A lei ficou conhecida como “Lei Veil”, em homenagem a Simone Veil, que estava à frente do Ministério da Saúde francês desde 1974. No final daquele ano, Veil defendeu a lei que autorizava a interrupção voluntária da gravidez pelas mulheres francesas perante uma Assembleia Nacional, composta quase exclusivamente de homens. O texto foi adotado em janeiro de 1975.

    Em 1979, ano em que deixou o ministério, tornou-se a primeira mulher eleita presidente do Parlamento Europeu –  hoje um órgão pertencente à União Europeia com responsabilidades legislativas, orçamentais e de supervisão –, e a primeira candidata eleita ao cargo por sufrágio universal direto. Presidiu o parlamento até 1982, mas continuou a ser membro dele como deputada até 1993.

    Uma outra causa relacionada à igualdade de gênero assumida por Veil foi a paridade entre mulheres e homens na política francesa. Ela participou, na década de 1990, de um grupo de trabalho que tentou implantar a representação em igual quantidade de mulheres e homens nas eleições no país, projeto que obteve avanços limitados.

    Veil exercia, na época, funções nos últimos anos do governo de François Miterrand, no qual desempenhou funções como ministra da Saúde, dos Assuntos Sociais e do Ordenamento.

    Como Simone Veil via os avanços conquistados pelas mulheres

    Em entrevista a um programa da rádio France Culture em 1999, Veil fez um balanço pouco otimista do lugar das mulheres na sociedade, na esfera profissional e na política.

    Ela falava de avanços muito lentos e difíceis de serem postos em prática e criticava o fato de que as leis francesas levavam ainda muito pouco em conta o ponto de vista das mulheres, que participam pouco da vida política.

    “Diz-se sempre que eu sou a mulher álibi. Me usam de exemplo, dizendo ‘Veja, ser mulher não a impediu de…’. Mas eu sou um caso excepcional, tive uma trajetória peculiar, principalmente pelo fato de ter participado de muitas conferências internacionais, de ter estado no Parlamento Europeu e presidido o Parlamento Europeu, o fato de ter tido uma chance (...) para mim, as mulheres na França estão longe de ter o que elas deveriam ter.”

    Simone Veil

    Em entrevista à rádio France Culture em 1999

    Engajamento à direita

    Veil é conhecida na vida política pela defesa dos direitos das mulheres e a preservação da memória dos judeus sobreviventes do Holocausto, como ela própria, tendo presidido, entre 2000 e 2007, a “Fundação pela Memória do Holocausto”.

    Apesar disso, apoiou candidatos de direita à presidência desde os anos 1970 e entrou para o partido de centro-direita UDF em 1995, do qual saiu dois anos mais tarde. Em 2007, também declarou apoio ao candidato de direita, Nicolas Sarkozy (UMP), em detrimento do candidato de centro, François Bayrou.

     

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