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Uma galeria de ilustrações para celebrar a diversidade da genitália feminina

Trabalho da ilustradora Hilde Atalanta, ‘The Vulva Gallery’ tem uma abordagem positiva sobre a variedade anatômica dos lábios vaginais

    Foto: Ilustração de Hilde Atalanta/Reprodução
    O Brasil é o campeão das cirurgias íntimas femininas, como a labioplastia, correção estética dos lábios vaginais

    “A Galeria da Vulva”, da ilustradora Hilde Atalanta, é composta por centenas de ilustrações em aquarela que mostram diferentes formatos e cores de vulvas.

    Para quem achar gratuita a celebração proposta pela artista, a leitura das histórias compartilhadas por mulheres sobre como se relacionam com suas genitálias, reunidas no site do projeto, pode ser esclarecedora.

    “Desde os 12 anos eu me preocupava que minha vulva não fosse normal e isso me deixou tensa por anos. Anos depois, recorri à pornografia por curiosidade de ‘que aspecto deveria ter’ e fiquei horrorizada por meu corpo não parecer com o delas”, diz um dos depoimentos, que preservam o anonimato das mulheres.

    A vulva corresponde à parte externa dos órgãos genitais femininos. Ela inclui o púbis, os grandes e pequenos lábios e o clitóris. Culturalmente, como mostram os relatos do site, pessoas do sexo feminino não são incentivadas a conhecer e aceitar sua anatomia.

    Elas lidam com o tabu em torno da masturbação, com a ideia de que o odor natural da vagina deve ser mascarado, com a obrigação de mantê-la sem pelos e com o desconhecimento do próprio prazer. Sequer têm acesso, muitas vezes, à informação de que o clitóris é o único órgão humano com a finalidade exclusiva de dar prazer.

    Disso resultam uma série de inseguranças, que podem culminar na realização de labioplastias, a cirurgia plástica para correção estética dos lábios vaginais.

    A galeria

    Atalanta deu início ao projeto em 2016, motivada pela alta mundial nesse procedimento cirúrgico, e já desenhou centenas de vulvas.

    Seu objetivo é reproduzir uma amostra da enorme diversidade das partes íntimas femininas. Como a autora descreve no site, os lábios podem ser grandes, pequenos, grossos, finos, enrugados, lisos, assimétricos, do mesmo tamanho, rosados, arroxeados, vermelhos ou marrom escuro, entre muitas outras características possíveis. 

    “A única maneira de mudar a forma como indivíduos se relacionam com seus corpos é educar a eles e aos outros sobre a diversidade natural. Mostrar que há tantos tipos de corpos, de muitas formas, tamanhos e cores”, escreve. A galeria também inclui pessoas de gêneros diversos “porque ter uma vulva não define o gênero”.

    O site também oferece produtos estampados com as ilustrações, como cartões postais, adesivos, canecas, broches e sacolas.

    Foto: Ilustração de Hilde Atalanta/Reprodução
    Foto: Ilustração de Hilde Atalanta/Reprodução
    Foto: Ilustração de Hilde Atalanta/Reprodução
    Foto: Ilustração de Hilde Atalanta/Reprodução

    Labioplastia no Brasil e no mundo

    Mais de 95.000 labioplastias e mais de 50.000 vaginoplastias (cirurgia plástica referente ao canal vaginal, a parte interna do órgão genital feminino) foram realizadas em 2015 no mundo, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Estética. Entre 2010 e 2016, o número de labioplastias realizadas nos EUA mais do que duplicou.

    O Brasil é o campeão das cirurgias íntimas femininas, de acordo com uma reportagem de 2016 do portal G1. A labioplastia foi feita por 12.870 mulheres no país só em 2015.

    Esse boom recente de labioplastias está diretamente ligado à perseguição do ideal de uma vagina “normal” — em que normal representa, na verdade, um padrão muito restrito, branco e eurocêntrico de beleza, como analisa uma reportagem do jornal britânico “The Guardian” de março de 2017.

    Além dos fins estéticos, essas cirurgias também são feitas em casos de reconstituição da anatomia da vulva ou da vagina, principalmente em mulheres que tiveram complicações durante o parto.

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