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As milhares de gravuras e desenhos japoneses disponíveis para download

Acervo on-line da biblioteca do Congresso americano reúne 2.500 imagens com técnicas, épocas e escolas variadas da arte japonesa

    Temas

    A coleção “Fine prints: Japanese, pre-1915” faz parte do acervo da biblioteca do Congresso americano. Suas obras podem ser vistas, salvas e impressas.

    A estética desses desenhos e xilogravuras (técnica de gravura de origem chinesa que é feita talhando um relevo sobre a madeira e mergulhando-a em tinta) é mundialmente reconhecida hoje.

    A arte japonesa produzida durante parte dos três séculos que o acervo abrange, do século 17 ao 20, só foi vista por olhos estrangeiros a partir do século 19, quando o Japão, um império fechado para estrangeiros e suas mercadorias, se abriu para o Ocidente depois que uma esquadra americana impôs a abertura dos portos japoneses.

    A coleção da biblioteca abrange escolas, tradições e gêneros diversos da arte japonesa e apresenta especialmente:

    • gravuras que combinam imagem e poesia, conhecidas como surimono
    • gravuras da guerra entre Rússia e Japão (1904-05)
    • gravuras das guerras entre Japão e China, que ocorreram entre 1894 e 1895 e entre 1937 e 1945
    Foto: Biblioteca do Congresso dos EUA
    Ilustração de 1904 da batalha em Port Arthur, na Manchúria, da guerra russo-japonesa, feita por Ryōzō Tanaka

    Mas o site dá maior destaque a dois tipos de trabalho: “Ukiyo-e” (imagens do mundo flutuante ou triste, como traduz o site) e “Yokohama-e” (imagens da cidade de Yokohama).

    O que são as Ukiyo-e e Yokohama-e

    Ukiyo-e

    Foi um estilo desenvolvido entre 1600 e 1868, um período relativamente pacífico na história do Japão (embora sob um governo militar), na cidade de Edo, atual Tóquio. Na época, Edo também era sede política do xogunato, sistema de governo liderado pelo xogum, distinção militar máxima.

    Os temas das pinturas e xilogravuras dos artistas Ukiyo-e eram, em grande parte, inspirados em Yoshiwara, o “bairro do prazer” de Edo, que contava com diversões, como o teatro kabuki, restaurantes e casas de prostituição. Lendas, mitos, a história e o cotidiano do Japão da época também eram abordados. Segundo o Metropolitan, museu de arte de Nova York, a palavra “ukiyo” expressa, originalmente, o princípio budista da natureza transitória da vida.

    Foto: Biblioteca do Congresso dos EUA
    Cortesã pinta enquanto homem reclinado observa e mulher ao fundo mistura tinta. Pintura feita por Kiyonobu Torii, entre 1704 e 1711

    Yokohama-e

    Foto: Biblioteca do Congresso dos EUA
    Desfile de estrangeiros em Yokohama. Tríptico feito por Yoshikazu Utagawa em 1861
    Foto: Biblioteca do Congresso dos EUA
    Retrato do Almirante Perry, líder da esquadrilha que forçou a abertura dos portos japoneses. Feito por volta de 1854 

    Com a chegada dos americanos no século 19 e a abertura dos portos, teve início um fluxo de pessoas e bens entre o Japão e o Ocidente.

    Para os artistas, a cidade portuária de Yokohama se tornou então uma incubadora de novas imagens, que misturava as novidades da era que começava e as convenções do período Ukiyo-e, que havia estabelecido métodos de produção, de publicação e difusão das obras.

    Muitas das gravuras e pinturas dessa época têm como tema os estrangeiros em Yokohama, o porto e a chegada dos americanos.

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