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Quais são as dicas para recuperar o nosso controle sobre a tecnologia

Ex-funcionário do Google culpa design e modelo de negócio desenvolvidos pelas empresas do Vale do Silício por relação compulsiva

    A região da Califórnia, nos EUA, onde se concentram as empresas que dominam o mercado de tecnologia, é conhecida como Vale do Silício. Nele, estão as sedes de empresas como Apple, Google, Facebook e outras.

    Trata-se de um setor altamente concentrado: o Google domina 88% do mercado de propaganda em sites de busca. O Facebook (dono também das redes Instagram, Messenger e WhatsApp), controla mais de 70% das mídias sociais em dispositivos móveis. E a Amazon detém 70% do mercado de livros digitais, segundo reportagem do jornal “Financial Times”.

    O poder econômico e político dessas empresas, já muito expressivo, é crescente. E penetrou no cotidiano de pessoas do mundo inteiro: o design de suas tecnologias foi projetado para extrair os dados dos usuários e incentivar hábitos como checar o smartphone sem parar e passar horas rolando para baixo páginas de redes sociais.

    São essas algumas das críticas feitas às gigantes do Vale do Silício por Tristan Harris, ex-engenheiro do Google, e outros que, como ele, deixaram as empresas e passaram a combatê-las. Harris é o criador de um movimento chamado Time Well Spent (tempo bem gasto), que busca libertar as pessoas de seus celulares e outros aparelhos conectados, recuperando o domínio delas sobre o próprio tempo e o uso da tecnologia.

    Na palestra “Como uma tecnologia melhor poderia nos proteger de distrações”, dada por Harris em 2014 em um evento do TED Talks, ele reflete sobre como frações do nosso tempo são “roubadas” pelos smartphones.

    E compara o aparelho a uma máquina caça-níqueis: ele foi desenvolvido de maneira a nos encorajar a atualizar compulsivamente uma página ou checar várias vezes os mesmos aplicativos. A cada vez que o fazemos, é como estar jogando em uma máquina semelhante, vendo qual prêmio sai da próxima vez que puxarmos a alavanca. 

    Construir uma relação com a tecnologia baseada na escolha de quanto tempo gastamos com ela envolve, para Harris, o desenvolvimento de tecnologias mais éticas, menos parecidas com armadilhas viciantes.

    O que fazer para gastar melhor o tempo

    O site do movimento Time Well Spent propõe três linhas de ação para recuperarmos o controle sobre o uso da tecnologia. A primeira propõe mudanças de hábito objetivas por parte dos usuários; a segunda, mudanças no design das próprias tecnologias; e uma terceira, uma mudança mais ampla no jogo de forças que faz com que o design desenvolvido pelo Vale do Silício seja como ele é, por meio de um novo modelo de negócio ou novos paradigmas de programação. 

    Abaixo, o Nexo traduz e explica quatro recomendações do desenvolvedor referentes ao comportamento do usuário, que prometem tornar nossos hábitos tecnológicos mais conscientes:

    Habilite somente as notificações de pessoas

    O projeto recomenda desativar todas as notificações, exceto as dos aplicativos de mensagens, como WhatsApp e Facebook Messenger.

    O argumento é que, exceto esses, as notificações vêm das máquinas e não das pessoas. As máquinas fazem os aparelhos vibrarem mais do que seria necessário, produzindo estímulos que criam distrações.

    Afaste atos inconscientes

    Ao desbloquear o celular, uma tela cheia de ícones coloridos também aumenta a tentação de clicar e perder minutos ou horas neles. A sugestão é manter na tela inicial apenas aplicativos como câmera, mapas e notas. Nada de redes sociais.

    Digite o nome do aplicativo para abri-lo

    Usar a barra de busca do celular para abrir um aplicativo força a escolha de acessá-lo ser mais consciente. Se é preciso digitar em vez de só tocar na tela, a chance de parar e pensar “por que eu ia abrir isso mesmo?” é maior.

    Carregue o celular fora do quarto 

    A última dica de Harris é: compre um despertador à moda antiga e deixe o celular carregando em outro cômodo quando for dormir. Isso garante acordar sem ser sugado pelo smartphone antes mesmo de começar o dia.

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