Ir direto ao conteúdo

Por que a janela anônima do seu navegador não é tão anônima assim

Site permite testar se o modo anônimo de navegação realmente protege dados do usuário

     

    O projeto “Nothing Private”, divulgado na plataforma “GitHub”, acaba com a ilusão de que a identidade de quem navega fica protegido quando se abre uma janela anônima.

    Por meio de uma url, ele permite testar como o navegador reconhece e armazena os dados de navegação de quem está usando o navegador - mesmo no modo anônimo, criado para, teoricamente, permitir uma navegação que mantenha a privacidade desses dados.

    Como funciona o teste 

    1. Acesse o site e digite seu nome no espaço disponível
    2. Clique no botão “See the magic” (veja a mágica acontecer)
    3. Acesse o mesmo site, dessa vez em uma janela anônima e veja se ele é capaz de “lembrar” do seu nome

    Caso a nova página identifique o nome digitado previamente, o site exibirá a mensagem “se eu consigo me lembrar do seu nome apesar de você estar usando a navegação privada/janela anônima, eu posso certamente te rastrear”. “É isso que grandes empresas estão fazendo. Elas estão te espionando mais quando você usa o modo anônimo”, diz o texto.

    A técnica usada para “desmascarar” a ideia de navegação anônima é chamada de “browser fingerprinting”, a impressão digital do navegador. Ao digitar qualquer endereço na barra de navegação, o site visitado requisitará informações sobre a identidade do visitante, como o IP da máquina, seu sistema operacional e o navegador utilizado, que serão fornecidas pela impressão digital do navegador.

    O estudo “How Unique is your Web Browser?”, de 2010, realizado pela EFF, a Eletronic Frontier Foundation já investigava quanto dessa identidade impressa e armazenada no navegador ficava exposta aos sites visitados.

    A EFF também tem um site semelhante ao “Nothing Private”, o “Panopticlick”. O diferencial do novo site, no entanto, é que além de mostrar ser possível identificar os dados de navegação, ele de fato faz essa identificação em tempo real, mostrando o quanto se está vulnerável.

    Todos os navegadores estão vulneráveis à técnica de “browser fingerprinting”. Há, no entanto, extensões diversas que prometem tornar o usuário menos rastreável. A ferramenta “No Script”, por exemplo, bloqueia informações usadas na técnica, mas também impede alguns sites de funcionarem, como o YouTube.

    Por que as empresas estão interessadas nos dados

    “O recurso mais valioso do mundo não é mais o petróleo, são os dados” anunciou a capa da revista “The Economist” de março de 2017. As empresas que os detêm, como Facebook, Microsoft, Apple e Google, estão entre as mais lucrativas do mundo atualmente.

    Embora não haja informações oficiais sobre quais empresas têm acesso aos dados de navegação de usuários e com qual finalidade, é fato que elas exploram a identificação dos browsers. O interesse tem a ver, principalmente com um mapeamento dos perfis de consumidores: quais locais frequentam, seus hábitos e que tipo de produtos lhe interessam, dados possíveis de serem fornecidos pelas atividades do usuário na internet.

    ESTAVA ERRADO: A primeira versão do texto dava a entender que a navegação anônima promete ao usuário a privacidade total de seus dados em relação aos sites visitados - o que o aviso na página inicial, usado como imagem da matéria, já esclarece ao usuário não ser o caso. A informação foi corrigida ás 14h42 de 5 de junho de 2017.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa Equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project. Saiba mais.

    Mais recentes

    Você ainda tem 2 conteúdos grátis neste mês.

    Informação com clareza, equilíbrio e qualidade.
    Apoie o jornalismo independente. Junte-se ao Nexo!