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Os mapas de quase 5 séculos de história da cidade do Rio

Universidade americana lançou ‘ImagineRio’, um atlas interativo que também linka obras (como fotos e ilustrações) ao local que as inspirou

    Foto: Creative Commons
    Planta do Rio de Janeiro de 1867
    Planta do Rio de Janeiro de 1867

    Um projeto de cartografia da Universidade Rice, no Texas, EUA, criou um atlas interativo que ilustra a evolução urbana do Rio do século 16 até hoje. A plataforma “ImagineRio” (ou ImagináRio, em sua versão em português) também incorpora imagens feitas por artistas visitantes da cidade ao longo da história, como obras do pintor francês Jean-Baptiste Debret produzidas no século 19 ou as muitas fotografias do franco-brasileiro Marc Ferrez, do início do século 20.

    “Assim que geolocalizamos a imagem, podemos clicar no mapa e ver o que o artista viu — é uma espécie de viagem no tempo”, disse Alida Metcalf, chefe do departamento de história da universidade e uma das responsáveis pelo projeto, ao site Archdaily. 

    Foto: Reprodução
    No ano de 1818, dezenas de imagens aparecem posicionadas no lugar que as inspirou
    No ano de 1818, dezenas de imagens aparecem posicionadas no lugar que as inspirou

    Como usar a plataforma

    A linha do tempo no topo da página permite avançar e recuar na história do Rio. Clicando no ícone “Urban Projects”, no lado superior esquerdo da tela, é possível visualizar, em vermelho, o desenho dos principais projetos urbanísticos, de Beaurepaire-Rohan, de 1840, a Le Corbusier, em 1936 — no total são quatro. O Nexo já falou mais sobre esses projetos de reforma urbana (clique aqui e veja o material especial).

    No trabalho dos americanos, há mapas antigos, que aparecem em uma barra vertical à esquerda, e uma busca para localizar elementos específicos na época selecionada, como uma rua ou construção, no canto superior direito. Na barra localizada à esquerda, também pode-se escolher destacar edificações, ruas, cemitérios, estações de trem e outras “aquisições” da cidade conforme o tempo. 

    O acervo completo das imagens iconográficas da cidade, geolocalizadas na plataforma e disponíveis para o uso em Creative Commons, pode ser acessado clicando aqui.

    O que a ferramenta diz sobre as origens da cidade

    Foto: Creative Commons
    Mapa ‘Le vrai pourttraict de Geneure et du Cap de Frie’, de Jacques de Vau de Claye (1579)
    Mapa ‘Le vrai pourttraict de Geneure et du Cap de Frie’, de Jacques de Vau de Claye (1579)

    A ocupação do território que hoje corresponde ao Rio de Janeiro começou no Morro Cara de Cão, à margem direita da Baía de Guanabara, ainda no século 16.

    A primeira edificação mapeada é a “Ermida de Santa Luzia”, edificação religiosa à beira-mar erguida no século 16. Mais tarde, nos anos 1560, foi erguida a Fortaleza de São João, onde atualmente é o bairro da Urca.

    A posição geográfica estratégica do Rio, com saída para o mar, explica por que várias das edificações que marcam seu desenvolvimento, até o século 19, eram fortes militares, disse ao Nexo Paulo Sandroni, professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e “fellow” do Lincoln Institute of Land Policy. A invasão dos franceses, entre 1555 e 1570, tornou urgente a necessidade de proteger o território com fortificações. Um corsário francês voltaria a investir na invasão da baía de Guanabara mais tarde, em 1711.

    Foto: Creative Commons
    Mapa francês ‘A baía do Rio de Janeiro e suas defesas’, de 1760
    Mapa francês ‘A baía do Rio de Janeiro e suas defesas’, de 1760

    Convidado a observar a plataforma “ImagineRio”, Sandroni também disse ser possível associar o surgimento das grandes obras públicas de infraestrutura a ciclos econômicos de grande prosperidade. Nesse contexto, ele destaca a construção do Aqueduto da Carioca, no século 18, hoje conhecido pelos Arcos da Lapa.

    A obra portentosa marca a importância econômica do Rio, cidade por onde saía o ouro durante o ciclo minerador no século 18 — essa relevância foi coroada em 1763, com a mudança da capital de Salvador para o Rio de Janeiro.

    A plataforma permite, ainda, assistir ao “desaparecimento” de diversas lagoas que faziam parte da geografia do Rio. Oito lagoas foram aterradas na região central da cidade, entre o início do século 17 e o fim do século 18: entre elas, a Lagoa de Santo Antônio, onde hoje é o Largo da Carioca, a Lagoa da Carioca, onde se situa atualmente o Largo do Machado, e a Lagoa do Boqueirão, a última da série e que ficava em frente aos Aquedutos da Carioca, onde hoje se localiza o Passeio Público.

    Inaugurado nos anos 1930, até o Aeroporto Santos Dumont foi construído sobre um aterro, o Aterro do Calabouço.

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