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Como funciona o canudo que detecta se sua bebida foi batizada com ‘boa noite, Cinderela’

Três adolescentes americanas são responsáveis pelo dispositivo. Outros já foram inventados, como copos e esmalte

Três estudantes americanas do ensino médio criaram um artefato que pode contribuir na prevenção de atos de violência sexual cometidos com o auxílio de drogas de estupro.

Um canudo desenvolvido por Victoria Roca, Susana Cappello e Carolina Baigorri, estudantes da Gulliver Preparatory School, em Miami, e lançado em maio de 2017 fica azul-escuro quando há drogas na bebida. A cor original do canudo é branca.

A ação das substâncias psicotrópicas agrupadas em português pelo termo “boa noite cinderela” normalmente anulam a vontade e a capacidade de reagir da vítima e apagam a memória. São usadas em estupros e assaltos.

A ideia da criação do dispositivo surgiu em uma aula em que perceberam como esse tipo de violência facilitada por drogas é um problema crescente para as mulheres, segundo o programa de notícias “Inside Edition”. Não há dados exatos sobre o uso dessas drogas no Brasil.

No geral, vítimas de estupro facilitado por substâncias são ainda mais descreditadas ao tentarem denunciar o ocorrido. Na maioria das vezes, a denúncia não é feita ou quando o exame toxicológico é realizado, as substâncias ficam camufladas no sangue, aparecendo já em baixa concentração, segundo uma reportagem do jornal “O Tempo” publicada em 2016.

Depois de concluírem a patente do produto, elas pretendem lançá-lo para ser fabricado em larga escala por meio de uma campanha de financiamento coletivo. O público-alvo são principalmente universitárias e também estabelecimentos, como bares e casas noturnas, que disponibilizariam o produto às clientes nos EUA.

Quais substâncias o canudo detecta

Flunitrazepam (Rohypnol)

É um medicamento da família das benzodiazepinas, drogas de efeito sedativo e hipnótico, obtidas facilmente em qualquer farmácia. Normalmente, são receitadas para o combate ao estresse, crises nervosas, sonolência e ansiedade. Segundo uma reportagem de 2016 da BBC, são as drogas de estupro usadas com mais frequência na América Latina. 

Os efeitos são sentidos dentro de até 30 minutos após a ingestão e duram por várias horas, segundo uma reportagem da revista “Forbes”.

Os sintomas incluem perda de controle dos músculos, dificuldade de se mover e falar, sensação de embriaguez, náusea, enjoo, confusão, tontura, problemas de visão, sonolência, perda de consciência e memória.

Quetamina ou ‘Special K’

Droga anestésica usada no pós-operatório de cirurgias ou na desobstrução do canal respiratório de asmáticos, a substância age minutos após estar no organismo.

A quetamina pode causar agitação, depressão, dificuldade de pensar, alucinações, perda de consciência e de memória.

Ácido Gama-Hidroxibutírico (GHB) ou ‘ecstasy líquido’

A droga age dentro de 15 minutos a uma hora após a ingestão, e seus efeitos duram por até seis horas. Na bebida, pode deixar um gosto salgado, por isso normalmente é misturado a bebidas doces para mascarar o paladar. 

Entre os efeitos citados pela reportagem da “Forbes”, estão euforia, calma, excitação sexual, passividade e suscetibilidade à influência e dificuldade de lembrar o que aconteceu enquanto se estava sob o efeito da droga.

Outros aparatos ‘antiestupro’

Há várias pessoas trabalhando no desenvolvimento de instrumentos para identificar esse tipo de droga. Segundo a “Forbes”, já há porta-copos, copos e esmaltes de unha sendo criados com esse propósito.

A empresa americana Undercover Colors está trabalhando na criação do esmalte que, seguindo o princípio do canudo, muda de cor quando se mergulha a ponta do dedo no drink “batizado”. O copo é da americana DrinkSavvy e também usa um tipo de marcação visual: o copo fica listrado quando a bebida foi adulterada.

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