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O robô que superou os campeões de Go, jogo milenar chinês

Inteligência artificial se aposentou ao derrotar competidores. E até mudou a maneira de jogar dos adversários

     

    Go é um jogo de origem chinesa muito popular em países asiáticos. A data de seu surgimento é incerta, mas acredita-se que tenha aparecido por volta de 540 a.C.. Considerado extremamente complexo, ele exige alta percepção estratégica dos jogadores.

    A disputa é entre dois jogadores, num tabuleiro com 19 linhas verticais e 19 linhas horizontais onde deve-se posicionar peças (180 pretas e 180 brancas) no local em que as linhas se cruzam. Acredita-se que nunca houve na história uma única partida com movimentos repetidos.

    Desenvolver um sistema de computador capaz de dar conta do conhecimento acumulado e acrescentar novas estratégias ao jogo atraiu o neurocientista britânico Demis Hassabis. Ele então desenvolveu um robô, comprado pelo Google em 2014, que já venceu os principais jogadores do mundo. O robô foi batizado de AlphaGo.

    O primeiro confronto do robô contra um jogador profissional aconteceu em outubro de 2015. A máquina venceu as cinco partidas que disputou com o chinês Fan Hui, então tricampeão europeu. Na ocasião, o robô se tornou o primeiro programa de inteligência artificial a ganhar de um jogador profissional. Vitória que repetiu agora em maio de 2017, quando o AlphaGO ganhou as três partidas disputadas contra o atual campeão mundial, Ke Jie, de 19 anos.

    Os embates homem versus máquina do Go lembram aqueles realizados nos anos 1990 no xadrez. Em 1997, o Deep Blue, da IBM, tornou-se o primeiro computador a vencer um campeão mundial - à época o russo Gary Kasparov - numa série com seis partidas.

    Como AlphaGo aprendeu a jogar

    As vitórias do robô impressionam por representar um avanço na criação de sistemas com inteligência artificial, de acordo com o Google. A equipe responsável pelo AlphaGo afirma que o aprendizado e a performance da máquina a aproximam de um estado mais intuitivo, que permite ao programa desenvolver suas próprias práticas a partir do conhecimento adquirido, de modo similar ao aprendizado humano.

    O robô foi melhorado e “ensinado” a jogar Go. Para que ele aprendesse, os seus desenvolvedores associaram o uso da estrutura de organização e reconhecimento de dados conhecida como “Search Tree” ao sistema de aprendizado profundo, aplicado a máquinas, chamado de “Deep Neural Network”.

    AlphaGo foi, então, exposto a jogos amadores. Com o aprendizado adquirido, o robô foi colocado para disputar contra um versão idêntica de si. Esse processo de “treino” ao qual o robô foi submetido se chama “Reinforcement Learning”, ou aprendizagem reforçada.

    As táticas, tanto as que funcionaram como as que falharam enquanto o robô jogava contra ele próprio, serviram para que o seu sistema pudesse desenvolver alternativas a fim de lidar com os erros e chegar a competir com os melhores do mundo.

    Por que o robô deixará de competir

    As três vitórias do robô sobre Ke Jie durante o “Future of Go Summit”, evento promovido pelo Google na cidade de Wuzhen, na China, marcaram o fim da carreira do robô campeão. AlphaGo se aposentará das competições agora que já não há mais competidores à altura do desafio que ele representa.

    Em comunicado oficial, Demis Hassabis, seu criador original, afirmou que o robô irá se dedicar a ajudar cientistas a desenvolverem estratégias para solucionar outras questões complexas e de impacto social.

    Como AlphaGo impactou jogadores

    Com as múltiplas possibilidades de jogadas que o AlphaGo é capaz de fazer, novos movimentos e estratégias surgiram e desafiaram os melhores jogadores do mundo. De acordo com a DeepMind, empresa do criador original do robô, os jogadores humanos estão melhorando o seu desempenho e desenvolvendo jogadas inovadoras e mais criativas desde que AlphaGo passou a competir.

    As vitórias do robô impulsionaram os profissionais a treinarem para superar a máquina. Esse movimento aumentou o nível das competições mesmo entre os amadores, de acordo com o comunicado de aposentadoria do AlphaGo.

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