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O que se sabe sobre o dinossauro mais bem preservado do mundo

Animal morreu há 110 milhões de anos e foi encontrado com couraça e pele preservadas por paleontólogos no Canadá

     

    O Nodossauro de Alberta é o novo fóssil de dinossauro mais bem preservado do mundo. Ele tem forma, pele e couraça em ótimas condições. O nodossauro foi descoberto em 2011 por paleontólogos em um campo de exploração de petróleo em Alberta, no Canadá. Após seis anos de trabalho de recuperação, no dia 12 de maio o dinossauro “estreou” no Royal Tyrrell Museum of Palaeontology, que fica na cidade.

    A equipe de paleontólogos responsável pela restauração e estudo do nodossauro estima que ele tenha vivido cerca de 100 milhões de anos atrás. Esse é o fóssil mais antigo já encontrado em Alberta. Ele foi descoberto por trabalhadores da Mina Millenium, dirigida pela Companhia de Energia Suncor.

    O dinossauro tinha cerca de 5 metros, era herbívoro e possuía uma couraça de proteção com espinhos que podiam chegar a meio metro de comprimento. Durante a extração do fóssil, a rocha que o continha se partiu ao meio, tornando mais difícil sua restauração. Isso exigiu mais trabalho dos paleontólogos do Royal Tyrrell Museum, que investiram 7.000 horas na preparação e estudos da peça antes de apresentá-la em exposição.

    Fatos sobre o ‘dinossauro múmia’

    Apesar de ter sido encontrado em uma mina, acredita-se que o Nodossauro não tenha morrido ali. A hipótese é que uma enchente tenha movido o corpo do seu local original para o mar. Ao afundar, o impacto do animal, que pesava cerca de 1.300 kg, teria criado uma cratera ao seu redor. Os sedimentos do campo de petróleo no mar o teriam encoberto, preservando-o em ótimas condições. Por isso ele ganhou o apelido de “dinossauro múmia”.

    A improvável cadeia de eventos que permitiu que o dinossauro mantivesse sua forma, pele e couraça contou, também, com a ação de minerais, provavelmente oriundos da enchente, que se infiltraram na carcaça.

    O estado de conservação do animal é tão bom que os paleontólogos encontraram escamas praticamente intactas e, entre elas, queratina, a mesma proteína que humanos têm nas unhas. Isso pode permitir aos pesquisadores descobrir com mais detalhes como os espinhos dessa espécie se formavam.

    Da família dos anquilossauros, aqueles que parecem ter uma clava na ponta da cauda, o nodossauro de Alberta é de uma espécie recém-descoberta. Essa espécie não dispõe da “clava”, mas apresenta a mesma couraça de espinhos protetores pelo corpo.

    Com base na idade do fóssil, é possível estimar que ele tenha vivido durante o período Cretáceo (entre 145 e 66 milhões de anos atrás). Naquele período, o local onde o nodossauro viveu era diferente das paisagens frias da Alberta atual. O clima quente e úmido era acompanhado de florestas coníferas e samambaias. Os pesquisadores, mesmo aqueles que não estão envolvidos diretamente com o estudo desse animal, estão entusiasmados com as respostas que o corpo do dinossauro múmia pode trazer.

    “Nós não temos apenas um esqueleto, Nós temos um dinossauro como ele teria vivido”.

    Caleb Brown

    Pesquisador do Museu Real Paleontológico de Alberta

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