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Alckmin diz ter ‘vontade’ de ser presidente. O que a realidade diz sobre isso

Governador de São Paulo se mostra disposto a disputar indicação interna no PSDB, mas tem contra si pelo menos quatro fatores importantes neste momento

    O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse nesta segunda-feira (15), em Nova York, ter “vontade, agenda, programa, aliança e conhecimento” para ser candidato à Presidência em 2018.

    A declaração é uma resposta a dois fenômenos combinados: o desgaste de lideranças tradicionais do PSDB e a ascensão de novos nomes dentro do partido. A mensagem se dirige, portanto, a seus próprios correligionários, e demonstra que o governador está disposto a permanecer na disputa.

    Entretanto, há pelo menos quatro fatores importantes que dificultam as pretensões presidenciais de Alckmin neste momento:

    As pesquisas

    Com 6%, Alckmin é apenas o quarto colocado na pesquisa de intenção de voto publicada pelo Instituto Datafolha no dia 2 de maio.

    Este índice coloca o tucano oito pontos percentuais atrás do terceiro colocado, Jair Bolsonaro (PSC), que tem 14%, e dez pontos atrás da segunda colocada, Marina Silva (Rede), com 16%. Em relação ao líder, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Alckmin fica 24 pontos atrás.

    Em desvantagem

    A boa notícia para o tucano é que a rejeição a ele não é tão alta. Ele tem 28%, contra 64% do atual presidente, Michel Temer (PMDB), 45% de Lula e 44% do atual presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves.

    Num eventual segundo turno contra Lula, Alckmin teria 29%, contra 43% de votos do petista. É menos do que o percentual obtido pelo seu correligionário o atual prefeito de São Paulo, João Doria, numa disputa com Lula. Doria teria 32% e Lula manteria os 43%.

    Alckmin perderia também num eventual segundo turno contra Marina Silva. Ele ficaria com 22%, contra 50% da ex-senadora.

    A Lava Jato

    Outro risco para o plano de candidatura do governador é o avanço da Operação Lava Jato.

    Alckmin é apontado por delatores da Odebrecht como destinatário de R$ 10,7 milhões, via caixa dois, por meio de seu cunhado Adhemar Cesar Ribeiro.

    O pedido de abertura de inquérito contra ele foi enviado pelo ministro do Supremo Edson Fachin ao Superior Tribunal de Justiça, responsável por julgar governadores no exercício de seus mandatos. Ou seja, a investigação formal ainda não foi aberta, mas pode vir a ser nos próximos meses, se aproximando do calendário eleitoral. O governador diz que jamais pediu valores irregulares.

    Nesse tema, a boa notícia para o tucano é que outros potenciais adversários dentro do partido — os senadores Aécio Neves e José Serra — também podem sofrer desgastes por problemas com a Justiça.

    O contexto tucano

    Alckmin não é o único potencial candidato à Presidência dentro do PSDB. Além dele, há pelo menos outros três nomes: o do presidente nacional do partido, Aécio Neves, o do senador José Serra e o do prefeito paulistano, João Doria.

    Nenhum deles chama para si a condição de pré-candidato, mas todos aparecem nas sondagens do Datafolha como potenciais candidatos.

    Além de Alckmin, dois deles também já concorreram à Presidência no passado: Serra (derrotado por Lula em 2002 e por Dilma Rousseff em 2010) e Aécio (derrotado em 2014 por Dilma). São, portanto, nomes nacionais.

    Doria assumiu a prefeitura de São Paulo em janeiro, tendo sido eleito no primeiro turno. Não é ainda um nome tão conhecido fora do Sudeste - como Aécio, Serra e Alckmin -, mas é justamente esse perfil de “novo” que pode render votos a ele, num cenário de desgaste generalizado.

    O prefeito é o melhor colocado entre os tucanos nas pesquisas de intenção de voto, e vem falando cada vez mais como possível candidato à Presidência:

    “O PSDB não vai fugir dessa missão. Será candidato do PSDB aquele que tiver melhor posição perante a opinião pública. Aquele que representa o interesse popular. Para ser competitivo, para vencer as eleições, vencer o PT, vencer o Lula”

    João Doria

    Prefeito de São Paulo, em discurso em Nova York, no dia 15 de maio

    O retrospecto de Alckmin

    O governador de São Paulo já concorreu à Presidência da República e perdeu. Foi em 2006, quando Lula foi reeleito.

    Ao contrário do que acontece agora, a escolha do nome tucano foi mais tranquila à época. O então prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, então no PFL, hoje DEM, anunciou em março daquele ano a desistência de apresentar um candidato do próprio partido, e a decisão de apoiar Alckmin. O tucano acabou encabeçando a chapa Por um Brasil Decente, tendo como vice José Jorge (então PFL).

    No primeiro turno da eleição presidencial, o tucano obteve 41% dos votos e terminou a disputa em segundo lugar, derrotando outros seis candidatos. Mas, no segundo turno, perdeu para Lula por uma diferença de 21 pontos percentuais — 60% para o candidato petista e 39% para o tucano.

    Derrotado

    ESTAVA ERRADO: A primeira versão deste texto informava que Geraldo Alckmin tem 9% das intenções de voto para a eleição presidencial de 2018 e que César Maia abdicou da possibilidade de disputar vaga para candidato à Presidência da República dentro do PSDB em 2006. O percentual correto é 6% e Maia, do então PFL, hoje, DEM, declarou apoio a Alckmin na chapa Por Um Brasil Decente. As informações foram corrigidas às 16h48 e às 17h46 de 16 de maio de 2017.

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