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O que diferencia ‘Guardiões da Galáxia’ de outras adaptações dos quadrinhos

Com humor, efeitos especiais e trama focada em construir as relações dos personagens, sequência repete sucesso do primeiro filme

    Temas

    Mesmo aqueles que não gostam de filmes de super-heróis já ouviram falar dos filmes do Homem de Ferro, Capitão América, Batman e Homem de Aço. Entretanto, os Guardiões da Galáxia, um grupo secundário de heróis esquisitos da Marvel — mais conhecido pelos fãs de quadrinhos — roubou a cena em Hollywood como o primeiro filme em 2014 e repete agora o feito em 2017.

    O carisma do time B de heróis da empresa de entretenimento, representado por um cowboy espacial, dois assassinos (uma verde e outro laranja), um guaxinim violento e uma árvore animada que só é capaz de dizer o próprio nome cativou os fãs de filmes de heróis e levou 1,2 milhão de pessoas ao cinema na sua primeira semana em cartaz no Brasil.

    A proposta de Guardiões da Galáxia difere bastante de um tipo realista e obscuro de adaptação inaugurado por Tim Burton em 1989 com seu “Batman”. Esse estilo ganharia ainda mais corpo a partir de 2005, com a versão de Christopher Nolan também para o mesmo herói, em “Batman Begins”.

    Nolan cumpriu tão bem a missão de dar cara nova ao personagem que inspirou outros cineastas a assumirem, em filmes de super-heróis, um tom semelhante, com tramas mais adultas. Mais de uma década depois, esses filmes fizeram sucesso, constituíram um gênero próprio e têm calendários de estreias projetados para os próximos cinco anos.

    Com tantos filmes de super-heróis estreando na última década, a maioria deles de tom bastante realista, os dois volumes dos Guardiões da Galáxia, respectivamente 10º e 15º filmes do universo da Marvel no cinema, surpreenderam fãs e crítica. O segundo estreou no fim de abril no topo das bilheterias e promete bater o primeiro longa em arrecadação.

    O que os guardiões têm de diferente

    Equilíbrio

    O filme traz dramas familiares e romances, mas aposta em tom mais leve para a narrativa. Diferente de heróis com histórias de origem trágicas, como o próprio Batman ou o Homem-Aranha, os guardiões são personagens urbanos, marginalizados e de caráter questionável que se unem para salvar a si próprios e, ocasionalmente, o universo.

    Cores

    O filme é colorido. Seguindo a linha do primeiro filme, tudo na tela parece vivo — planetas, roupas dos personagens, raios e explosões de batalhas estelares. Os uniformes são parecidos com os dos quadrinhos, alguns chegam a ser idênticos. Mesmo os personagens secundários têm figurinos excêntricos.

    Humor inteligente

    O filme balanceia os dramas da história com alívios cômicos. As piadas e brincadeiras acontecem tanto entre personagens quanto entre personagens e público, a partir de falas ou referências a outras histórias do universo Marvel nos quadrinhos e no cinema.

    Easter Eggs

    Easter eggs (ovos de Páscoa, em português) são segredos escondidos ao longo de um filme que dão pistas sobre outros filmes ou sobre a trama. Em franquias, como é o caso dos filmes da Marvel, é comum encontrar objetos ou menções indiretas a eventos que acontecem nos quadrinhos que deram origem a obra e que serão apresentados em outros filmes. Quando o primeiro filme foi anunciado, não se sabia qual seria o ponto de encontro entre o time reserva da Marvel e os Vingadores (grupo que reúne Homem de Ferro, Capitão América, Thor e outros heróis). Mas com a estreia de “Guardiões da Galáxia Vol. 2”, o papel dessa equipe secundária começa a tomar rumos concretos. Os segredos escondidos no filme dão pistas de como será o encontro entre os guardiões e os vingadores no cinema, evento confirmado para acontecer em maio de 2018 no filme “Vingadores: Guerra Infinita”.

    Fan Service

    Filmes baseados em obras como livros ou quadrinhos costumam deixar detalhes e histórias secundárias de fora da história principal contada no cinema. O “fan service” (serviço para fã, em português) é uma espécie de mimo para quem acompanha histórias em quadrinhos, uma vez que sua presença no filme não altera o rumo da história e passa, muitas vezes, despercebida pela maioria do público. Um “fan service” pode ser um figurino clássico das HQs, a aparição de um personagem de outra história ou até mesmo a reprodução de cenas icônicas protagonizadas pelos personagens nos gibis. No primeiro filme, por exemplo, os fãs receberam de presente uma cena exibida após os créditos finais que mostrou com maiores detalhes o museu do personagem Colecionador.

    Trilha sonora

    A trilha sonora do filme é repleta de clássicos dos anos 1970 e praticamente um personagem próprio. James Gunn, diretor e roteirista dos dois filmes, explicou para a revista “Vulture” que baixou centenas de músicas dos anos 1970 para escutar enquanto escrevia o roteiro e que muitas vezes mudava cenas para alinhá-las com as músicas que desejava utilizar. A trilha, chamada de “Awesome Mixtape” é, na história, uma fita de áudio gravada pela mãe de um dos heróis, Peter Quill, o Senhor das Estrelas.

    Universo cinematográfico da Marvel e DC

    Hoje, Marvel e DC, duas empresas de entretenimento que começaram nos ramos dos quadrinhos, têm seus próprios universos estendidos no cinema. Na prática, isso significa que todos os filmes de super-heróis (de cada empresa) apresentam histórias que se passam em uma mesma realidade, havendo pontos de ligação e participações especiais, chegando a formar equipes conhecidas dos quadrinhos, como a Liga da Justiça (DC) ou os próprios Guardiões da Galáxia (Marvel).

    Ao todo, o universo cinematográfico da Marvel Studios tem 15 filmes já lançados e outros oito com data marcada para estrear até 2019. Já a DC começou bem com a trilogia de Nolan, ainda em 2005, chegando a arrecadar mais de 4 bilhões com os três filmes, porém a empresa perdeu o ritmo e reiniciou seu universo no cinema. Dessa vez, o Batman é interpretado por Ben Affleck, e a marca dispõe de apenas três filmes lançados, mas promete outros seis até 2020.

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