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Qual a trajetória da taxa de desemprego no governo Temer

Presidente assumiu o país após impeachment de Dilma já em meio a uma grave crise econômica. Situação no mercado de trabalho, porém, se agravou desde então

     

    Em meados de março de 2017, o governo quebrou o protocolo para divulgar com destaque o número de empregos criados com carteira assinada no Brasil no mês anterior. Foi o próprio presidente Michel Temer o responsável por anunciar que o saldo de empregos formais havia sido positivo em 35 mil vagas - o que significava mais vagas abertas do que fechadas pela primeira vez em 22 meses.

    Aquele dado foi tratado como um sinal de que o Brasil começava a vencer o problema do desemprego, que tem tirado renda das famílias e aprofundado a crise econômica no país. Mas dados subsequentes mostram que, por enquanto, não há uma recuperação efetiva do mercado de trabalho no Brasil e que o saldo de vagas daquele fevereiro foi um resultado positivo esporádico - foi, inclusive, revertido em março com o fechamento de 64 mil postos de trabalho.

    A estatística mais recente sobre o desemprego no Brasil abrange o primeiro trimestre de 2017. O resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgado na sexta-feira (28), mostra que o índice atingiu seu maior patamar desde 2012, início da série histórica: a taxa de desemprego atingiu 13,7%. A Pnad, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é o dado mais abrangente sobre o mercado de trabalho no Brasil porque não mede apenas os postos com carteira assinada, mas também a economia informal.

    14,2 milhões

    é o número de pessoas desempregadas no Brasil entre janeiro e março de 2017

    O mercado de trabalho com Temer

    Vice-presidente, Michel Temer assumiu o comando do país em 12 de maio de 2016, após o afastamento temporário da então presidente Dilma Rousseff em razão do processo de impeachment no qual era acusada de manobras fiscais. A petista seria cassada pelo Congresso Nacional definitivamente três meses depois. 

    Na época, o país já passava por uma grave crise econômica, que começou em 2014, ano de eleição presidencial, mas só afetou significativamente o mercado de trabalho em 2015, quando Dilma assumiu seu segundo mandato no Palácio do Planalto.

    O governo tinha problemas fiscais, com queda de arrecadação e aumento desregulado de gastos públicos. O país sofreu com a forte redução no preço das commodities, principal ramo de exportação, e ainda teve problemas com a inflação, que estava alta depois de ser represada por Dilma em razão de sua campanha à reeleição.

    Recuperar a economia e o emprego eram prioridades colocadas já no discurso de posse de Temer. Os dados mais recentes do IBGE mostram, porém, que o problema apenas se aprofundou desde então.

    Desde que Temer assumiu

     

    Desde maio de 2016, a taxa de desemprego jamais recuou entre um levantamento trimestral e outro. Os melhores resultados aconteceram entre agosto e outubro de 2016, quando o número ficou estacionado. Mas então a taxa voltou a crescer e já é, no dado mais recente, 2,5 pontos porcentuais maior do que era quando Temer tomou posse.

    Os recordes negativos que o país vem conquistando no mercado de trabalho deixa especialistas pouco otimistas quanto a uma recuperação rápida do emprego no país.

    “Os dados não são absolutamente nada favoráveis, não mostram nenhum sentido de recuperação do mercado de trabalho brasileiro”

    Cimar Azeredo

    Coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE em entrevista coletiva

    Uma recuperação do mercado de trabalho depende da recuperação da economia do país, mas tende a demorar mais. Como contratar e demitir um funcionário envolve um processo burocrático e custos para as empresas, os empregadores costumam ser cautelosos sobre a decisão, o que atrasa o movimento do mercado de trabalho. Isso acontece tanto quanto a economia entra em recessão quanto começa a se recuperar.

    No caso brasileiro, mesmo com a economia em recessão, o desemprego demorou a ser um problema porque os empresários adiaram a decisão de demitir. Na recuperação pode acontecer o mesmo, com os empregadores cautelosos antes de assumirem novos custos.

    Desde o início da crise

     

    O governo aposta na reforma trabalhista que, segundo os empresários e o Planalto, vai facilitar as contratações. Sindicatos e partidos de oposição têm feito protestos sob o argumento de que a reforma retira direitos do trabalhador. O texto já foi aprovado pela Câmara e vai ser avaliado pelo Senado.

    Dentro do plano do governo para tentar melhorar a economia também está a aprovação da reforma da Previdência, que mexe com aposentadorias dos brasileiros. A proposta de emenda à constituição que trata do tema ainda precisa passar pela Câmara e pelo Senado.

    Ainda na agenda oficial, Temer já conseguiu aprovar um teto de gastos públicos para os próximos 20 anos e a ampliação da terceirização do trabalho no país.

    Empregados e desempregados

    Desde maio de 2016, os desempregados no Brasil aumentaram em 2,8 milhões em números absolutos. Trata-se da soma de 1 milhão de pessoas perderam emprego com outras 1,8 milhão de pessoas que, antes, não trabalhavam nem procuravam emprego, mas se viram forçadas a buscá-lo em razão da crise.

    O IBGE usa os termos “ocupado” (empregado) e “desocupado” (desempregado). Pela metodologia da pesquisa, alguém que não trabalha nem procura emprego está fora da População Economicamente Ativa, não é ocupado nem desocupado. Apenas a partir do momento em que procura trabalho é que essa pessoa passa a contar como "desocupada", ou desempregada. Com a crise e a diminuição da renda, pessoas que não tinham a necessidade de trabalhar começaram a procurar emprego e isso também aumentou a taxa final de desempregados.

    Ou seja, o número de pessoas sem trabalho e em busca de um trabalho tende a crescer mais do que o número de vagas efetivamente fechadas. Porque quando um membro da família é demitido, outras pessoas podem ser obrigadas a procurar um trabalho para ajudar em casa.

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