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Que rastros da história humana estão no fundo do oceano

Vídeo explica o que se pode descobrir explorando o mundo subaquático

    Entre pegadas de 800 mil anos atrás e naufrágios do século 1 a.C., é possível saber como os nossos ancestrais navegavam ou por que muitos naufragaram, de acordo com o arqueólogo subaquático Peter B. Campbell, no vídeo “How much of human history is on the bottom of the ocean?”.

    As possibilidades de descobertas podem ir além, em rumo ainda desconhecido pelos humanos. As regiões mais profundas do oceano, submersas desde antes do surgimento da humanidade, podem conter pistas valiosas sobre o desenvolvimento da vida na terra e sobre as sociedades dos séculos passados. Essas interações são o objeto de estudo dos arqueólogos subaquáticos.

    Para se ter uma ideia, uma prática comum apontada pelo vídeo, por exemplo, era abandonar os navios velhos demais para navegar em estuários, rios e baías rasas. A partir do estudo dessas embarcações abandonadas, pode-se desenvolver linhas do tempo que promovem análises que vão da construção de barcos em diferentes momentos da história até a vida e economia de cidades litorâneas ou portuárias.

    O que se pode descobrir no fundo do oceano

    Rastros humanos

    Antes de ser fundo do mar, muito do que se encontra hoje submerso estava na superfície. É possível encontrar vasos, esculturas, vestimenta e até mesmo restos mortais no oceano, como o esqueleto descoberto em um naufrágio de mais de dois mil anos atrás. Além disso, cidades inteiras foram engolidas pelos oceanos com o aumento do nível do mar ao longo dos séculos.

    Ferramentas

    A história da humanidade também é a história das ferramentas produzidas para permitir sua sobrevivência e seu conforto. De machados a arcos, passando por aviões e submarinos abatidos nas grandes guerras, essas tecnologias podem ser encontradas em diferentes profundidades, variando de acordo com a região em que submergiram.

    Embarcações

    Barcos e navios também fazem parte desse museu natural da história humana. Dos mais famosos, como o britânico RMS Titanic, a embarcações vikings, é possível encontrar carcaças das primeiras navegações até algumas que naufragaram recentemente.

    O que faz um arqueólogo subaquático

    A área do conhecimento que estuda esses artefatos é a arqueologia subaquática. Profissionais como Campbell trabalham para compreender as interações dos seres humanos com os mares, oceanos, lagos e rios.

    No Brasil, no fim do século 20, a arqueologia subaquática passa a ser reconhecida sistematicamente pela academia. É nesse contexto que os arqueólogos mergulhadores passam a apresentar seus primeiros sucessos no setor.

    Gilson Rambelli, arqueólogo e professor da Universidade Federal de Sergipe, escreve sobre a experiência brasileira na área em um artigo publicado em 2009 pela revista do Museu de Arqueologia e Etnologia de São Paulo. No texto, ele explica que ainda há muito a se estudar, mesmo nas camadas menos profundas do oceano.

    “Existem muitos sítios submersos para serem estudados! Desde sambaquis a sítios com gravuras rupestres! De cidades submersas a áreas portuárias! Sendo os sítios arqueológicos de naufrágios apenas um tipo de sítio submerso”

    Gilson Rambelli

    Professor do núcleo de arqueologia da UFS

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