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O mapa que pode ajudar designers a achar a fonte tipográfica ideal

Inteligência artificial cria espécie de ‘rede neural’ para facilitar a busca pelos caracteres

    A fonte tipográfica pode ser vital para o sucesso de uma campanha publicitária, por exemplo, ou pode gerar gafes como se supõe ter acontecido na cerimônia do Oscar de 2017. Para facilitar a vida dos colegas designers, Kevin Ho, líder de projetos da empresa americana Ideo, criou o Mapa de Fontes.

    São cerca de 750 fontes, todas presentes no catálogo do Google Fonts, ou seja, têm uso liberado. Entre as tipografias, estão as clássicas Helvetica e Times New Roman, além de novas fontes, disponibilizadas por usuários no Google Fonts, como Vidaloka, Ewert e Rouge Script.

    O mapa utiliza inteligência artificial e foi desenvolvido com base em um sistema neural de mapeamento para sugerir fontes similares.

    Kevin Ho testou individualmente cada uma das fontes para que um algoritmo pudesse mostrar quais os aspectos visuais mais relevantes de cada uma e, então, agrupá-las por similaridade. Ao clicar em uma fonte, quatro fontes similares são sugeridas.

    O mapa mostra um link para a página da fonte clicada no Google Fonts, onde o usuário pode saber mais sobre a tipografia e baixa-lá. O projeto experimental prevê, como explica o designer, ajudar colegas de profissão e amadores a encontrar fontes novas para seus trabalhos.

    O designer utilizou ferramentas de inteligência artificial cujo algoritmo compila dados extensos (as 750 imagens das fontes) em “espaços” menores, como uma tela em branco. Neste caso, a tela é o mapa, projetado em 2D, ou seja, com largura e comprimento, onde é possível observar todos os dados (as fontes).

    Como o mapa foi criado

    Primeiro, Kevin Ho escreveu a palavra “handgloves” (luvas de mão, em português) com cada uma das 750 fontes. Esse termo foi escolhido por conter número de letras e traços variados suficientes para um reconhecimento pela inteligência artificial.

    Em seguida, com os testes prontos, Ho utilizou um programa de geometria visual, criado por desenvolvedores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, para reconhecer os padrões de imagem das fontes e os catalogar. Somente então utilizou uma ferramenta de programação que compila grandes bases de dados de forma visual, em uma única tela: o mapa.

    Em entrevista para o site Designboom, em 21 de abril, Ho se mostrou animado com as possibilidades que ferramentas de aprendizagem com algoritmos de inteligência artificial, como o T-SNE, podem oferecer. Para ele, foi uma surpresa ver que ferramentas como o VGG16, que foi projetada para reconhecer padrões por fotos de objetos e animais, tenha funcionado tão bem quando utilizada com tipos de imagens para as quais não foi projetada, ou seja, as fontes.

    “O Mapa de Fontes foi uma experiência rápida feita em algumas semanas. Há muito mais que pode ser feito conectando inteligência artificial ao mundo das fontes. [...] Agora que temos este mapa, provavelmente existe uma maneira de explorar o espaço entre as fontes, permitindo que designers criem novas fontes. Seria incrível se o mapa pudesse fornecer um novo ponto de partida para designers de tipografias criarem novas fontes!”

    Kevin Ho

    Em entrevista para o site Designboom em 21 de abril

    De onde vem a tipografia

    As fontes tipográficas expressam na cultura moderna o papel de identificar produtos e publicações, de tornar a comunicação mais efetiva. O tipo de letra utilizado pode influenciar na compreensão da mensagem pelo interlocutor.

    Elas surgiram junto com as primeiras impressões. A tipografia como a conhecemos aparece pela primeira vez mesmo em algum ponto entre 1041 e 1048, graças ao chinês Bi Sheng, um plebeu da dinastia Song. Sheng utilizou argila para criar os tipos, bem finos, os aqueceu e os colocou sobre uma mistura de resina, cera e cinzas. Em seguida aqueceu todo o conjunto. Quando a mistura sob os tipos começou a derreter, pressionou tudo com uma tábua de madeira, onde os tipos ficaram impressos. Acredita-se que essa foi uma das primeiras vezes que uma tipografia foi utilizada.

    Mas foi apenas em 1554, com o alemão Johannes Gutenberg, que a tipografia que conhecemos se tornou popular. Gutenberg, mais conhecido por ter criado o primeiro livro impresso, “A Bíblia de quarenta e duas linhas”, foi o responsável pelo aperfeiçoamento da técnica de prensa móvel criada por Sheng. As melhorias na técnica possibilitaram o surgimento de folhetos comerciais no século 18 e culminaram, no início do século 19 e por todo o século seguinte, na massificação da imprensa. Na prática, essas mudanças só puderam acontecer graças ao desenvolvimento da linguagem tipográfica.

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