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Por que tirar os sapatos antes de entrar em casa. E por que não tirar

A ciência mostra que a prática é higiênica, mas nem por isso se faz urgente mudar pequenos hábitos cotidianos

    Mais do que etiqueta para algumas culturas, deixar os sapatos na porta de casa é uma questão de higiene já confirmada por pesquisas científicas. A prática, porém, não vem sem alguma resistência, e recomendações podem muitas vezes ser meramente alarmistas, dizem infectologistas.

    Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Houston, nos Estados Unidos, mostrou que 26% do sapatos carregam Clostridium difficile, bacilo responsável por doenças gastrointestinais — como a diarreia. Ao menos 40% dos calçados levam Listeria monocytogenes, outra bactéria, essa responsável por ocorrências de meningite. Em áreas rurais, possivelmente todos os sapatos têm rastros de Escherichia coli, que causam infecções.

    A despeito de fungos, vírus e bactérias, o hábito evita trazer sujeiras da rua, em especial em dias de chuva ou neve. Retirar os calçados é particularmente recomendado em residências em que vivem bebês, pois eles costumam engatinhar com as mãos no chão e depois levá-las à boca. Sem contar, claro, que se livrar do acessório é confortável.

    Na cultura japonesa e de outros países orientais a prática vai além. O estilo de vida asiático tradicionalmente é centrado no chão: mesas são baixas o suficiente para refeições serem feitas sem cadeiras, assim como as camas — mais um motivo para zelar pela limpeza. As casas são construídas por vezes 60 cm acima da linha do chão, para evitar que a poeira entre nos cômodos. A elevação, assim como a retirada dos calçados, também serve para demarcar espaços internos e externos, públicos e pessoais.

    Mas o costume não está restrito a países da Ásia. Em residências russas, alemãs, suecas, austríacas e de outras nacionalidades tirar os sapatos é uma convenção. A medida vale também na hora de receber convidados, tanto que prateleiras extensas geralmente adornam as entradas de apartamentos, algumas com gavetas personalizadas para cada membro da família e opções de pantufas e calçados de interior, para manter a etiqueta.

    Stuart Heritage, jornalista do “The Guardian”, dedicou uma coluna ao tema, publicada na segunda-feira (10). Parente de um “descalço meticuloso”, como apelida seu irmão, Heritage relativiza todos os argumentos.

    “É claro que é mais higiênico tirar os sapatos antes de entrar em casa. Porém minimamente mais”, diz ele. Especialistas concordam que poucas pessoas adoecem porque alguém está usando sapatos na sala de estar: as chances de pegar uma doença por bactérias do sapato são as mesmas dentro ou fora de casa. Heritage é um defensor da praticidade e se incomoda ao ver adultos tentando amarrar os sapatos em apertados halls de entrada.

    Andar calçado em casa não é apontado como um risco à saúde pública. A escolha, portanto, tende a ficar a critério de cada um de acordo com hábitos, preferências e contextos — além da disposição para limpar o chão.

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