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Por que a Netflix mudou seu método de avaliação de filmes e séries

Alteração tem a intenção de tornar as sugestões feitas pelo serviço mais acuradas e mais adequadas ao gosto dos usuários

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    As estrelas estão saindo de cena, brincou a Netflix em um anúncio divulgado nesta quinta-feira (6). Trata-se da mudança do método avaliativo do serviço de vídeo sob demanda, até então feito pelo sistema de cinco estrelas.

    A partir de agora, em vez de dar determinado número de corpos celestes a um filme visto no serviço, é possível indicar o apreço (ou não) usando os botões “curtir” e “descurtir”, já conhecidamente representados nas redes sociais por polegares em riste - o “joinha”.

    A mudança foi feita após mais de um ano de pesquisa, com o objetivo de tornar o sistema mais eficiente. Atualmente, quando vemos um filme, o serviço sugere títulos que estejam relacionados a ele, sem saber na verdade se o espectador gostou ou não do produto e estaria interessado em ver produções do gênero. As avaliações servem para que a Netflix faça sugestões com base não apenas no que os usuários assistem, mas também no que eles manifestam gostar.

    Foto: Reprodução
    Sugestões são feitas não apenas com base no que se viu, mas no que se gostou
    Sugestões são feitas não apenas com base no que se viu, mas no que se gostou
     

    À revista “Business Insider” o diretor de inovação da empresa que oferece filmes e séries por streaming, Cameron Johnson, disse que o problema da metodologia anterior era o fato de a Netflix usar o sistema de estrelas de forma inusual, o que não era percebido por seus usuários.

    Funcionava diferente, por exemplo, do site IMDb, maior base de dados cinematográficos da internet. Nele, a avaliação que aparece na página de determinado título é uma média da avaliação dada por todas as pessoas que qualificaram o filme - no caso, é possível dar de 1 a 10 estrelas. “Space Jam”, por exemplo, tem nota 6,3, resultado da média das avaliações feitas por 119.118 usuários do site - 23% deles deram seis estrelas ao filme.

    No caso da Netflix, no entanto, a avaliação aparente de um título do catálogo não era resultado da opinião sobre o filme de todos os usuários do serviço. Era, na verdade, um cálculo feito pela plataforma com base no gosto individual de cada usuário. Se o longa “De Volta para o Futuro”, por exemplo, estivesse avaliado com quatro estrelas, é porque a Netflix achou que você daria quatro estrelas para o filme.

    Segundo Johnson, o fato de as pessoas julgarem que a nota é apenas mais uma contribuição para uma média genérica desmotivava muitas a avaliarem o catálogo - sem saber que a ação serviria, na verdade, para os algoritmos do serviço encontrarem boas sugestões de título. Como resultado, muita gente se frustra com as opções dadas pelo sistema.

    Além disso, com as opções de estrelas, usuários tentavam qualificar obras de forma objetiva, analisando a qualidade real de determinado título - em vez de analisarem o quanto elas gostariam de vê-lo. Por exemplo, alguém que assistisse ao filme de terror de baixo orçamento “Sharknado” iria avaliá-lo com poucas estrelas, por tratar-se de uma produção considerada “trash”. Isso não significa, no entanto, que essa pessoa não tenha prazer em assistir ao gênero.  

    O botão curtir, em contrapartida, por ser largamente utilizado há alguns anos em outras redes, em particular no Facebook, tende a ser mais intuitivo que o sistema de estrelas. As pessoas já sabem que, ao pressioná-lo, estão treinando algoritmos a oferecer o que elas mais gostariam de ver. Os computadores, com base no que o usuário gostou ou não gostou, fazem os cálculos necessários para encontrar títulos similares.

    Além disso, o novo sistema tem a vantagem de eliminar das páginas personalizadas títulos mal avaliados. Basta “descurti-lo” para que não apareça mais.

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