O que as músicas que não saem da cabeça têm em comum. E uma estratégia para se livrar delas

Quanto mais uma música toca, mais ela ‘gruda’. Mas não é só isso que explica o fenômeno, segundo um estudo feito no Reino Unido

     

    É comum que uma música fique na cabeça depois de ser ouvida repetidamente, seja no rádio ou em festas. Associações da memória, quando vemos ou escutamos algo que lembre uma música, também são capazes de fixar uma música na cabeça, mesmo que ela não tenha sido ouvida recentemente.

    Mas não é só isso que explica esse fenômeno da “música chiclete”. Um estudo publicado em 2016 pela Associação Americana de Psicologia investigou qual o traço comum entre essas canções. Elas foram comparadas a outras, muito populares, mas que não se “tocam” sem parar na cabeça.

    A comparação levou à descoberta de que as melodias que costumam ficar na cabeça têm intervalos, saltos e repetições parecidos, além de uma estrutura familiar, comum a muitas canções.

    As características de uma melodia ‘chiclete’

    O estudo mostra que as músicas consideradas grudentas trazem padrões de repetição familiares da música pop ocidental.

    Uma das formas melódicas mais recorrentes nele, segundo a pesquisa, é a da canção “Brilha, Brilha, Estrelinha”  que, apesar de não ser acelerada, “fundou” um padrão seguido por várias canções - a primeira sequência tem tons altos (mais agudos) que depois caem (ficam mais graves).

    Ela pode ser encontrada, por exemplo, no riff de abertura da música “Moves Like Jagger”, da banda Maroon 5. Esta foi a quinta música mais mencionada pelos participantes do estudo, em uma lista de 9 canções eleitas as mais chicletes.

    O segundo ingrediente melódico essencial das músicas que não saem da cabeça é uma estrutura com pausas incomuns, um salto inesperado ou mais notas repetidas do que se está acostumado a ouvir em uma música pop.

    O refrão da música “Bad Romance”, da Lady Gaga, segue essa característica. Ela foi a “canção chiclete” citada mais frequentemente por participantes do estudo.

    Como foi feito o estudo

    Com o título “Dissecting an Earworm: Melodic Features and Song Popularity Predict Involuntary Musical Imagery” (Dissecando uma “música chiclete”: características melódicas e popularidade da canção preveem lembrança musical involuntária, em tradução livre), o estudo em questão foi realizado na Universidade de Londres e publicado on-line pela primeira vez em novembro de 2016.

    Pesquisadores solicitaram que 3.000 pessoas, que haviam preenchido previamente um questionário online sobre experiências com músicas que não paravam de tocar em suas mentes, citassem qual era a música que não conseguiam tirar da cabeça com mais frequência. As mais citadas foram comparadas a outras faixas que não haviam sido citadas dessa forma por participantes, mas que eram tão populares nas paradas britânicas na época quanto as que haviam sido mencionadas.

    Os traços melódicos desses dois grupos foram analisados e comparados. O universo de canções estudadas estava restrito aos gêneros mais populares no Reino Unido, como pop, rock, rap e R&B. Os dados foram coletados entre 2010 e 2013.

    A principal autora da pesquisa, Kelly Jakubowski, diz que, ao contrário do que se poderia esperar, colocar a música que está na cabeça para tocar, do começo ao fim, pode ser a solução. Segundo a pesquisadora, muitos relatam que escutar a música põe fim ao looping.

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