Ir direto ao conteúdo

Depois da Carne Fraca, a Carne Fria: por que o Ibama interditou frigoríficos da JBS

Órgão ambiental autuou unidades em três Estados por irregularidades na compra de gado. Empresa nega

    Uma ação do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) interditou 15 frigoríficos do Pará, Tocantins e Bahia, incluindo duas unidades da JBS (dona da Friboi e da Seara). As empresas são suspeitas de comprar gado de propriedades em áreas de desmatamento ilegal.

    Batizada de Operação Carne Fria, a ação do órgão ambiental começou na segunda-feira (20), três dias depois de a Polícia Federal deflagrar a Operação Carne Fraca, que também atingiu a JBS e outros frigoríficos. Não há relação entre as investigações.

    Os frigoríficos foram autuados por desrespeitarem os Termos de Ajuste de Conduta assinados com o Ministério Público Federal, pelos quais essas empresas haviam se comprometido a não comprar gado de fazendas de desmatamento ilegal e de fiscalizar as propriedades das quais adquirem animais.

    R$ 264 milhões

    é o valor das  multas aplicadas pelo órgão ambiental a frigoríficos e propriedades rurais até o momento

    De acordo com o órgão, foram comercializados cerca de 59 mil animais de áreas desmatadas — 84% deles comprados por frigoríficos da JBS. As transações são estimadas em R$ 131 milhões.

    Uma prática adotada pelas fazendas é apelidada “esquentar a carne” — de onde saiu a ideia para o nome da operação. Isso ocorre quando uma propriedade legal compra produtos de áreas embargadas e os revende, buscando burlar a fiscalização.

    Em nota ao jornal “Folha de S.Paulo”, a JBS afirmou que não comprou animais de áreas embargadas pelo Ibama e que vem cumprindo integralmente os termos firmados com o Ministério Público Federal. A empresa diz ainda que vai recorrer do embargo e da multa recebidos.

    Um setor em crise de confiança

    A indústria da carne passa por um momento de forte crise de imagem. No dia 17 de março, a Operação Carne Fraca expôs a suspeita da existência de um esquema de corrupção com suborno a fiscais do governo por parte de frigoríficos.

    Empresas líderes no setor, como a JBS e a BRF (dona de Sadia e Perdigão), foram implicadas no caso, e 18 países ou blocos adotaram algum tipo de restrição à importação de carne brasileira.

    Como a fronteira agrícola ameaça a Amazônia

    A pecuária é o setor que mais contribui para o avanço do desmatamento ilegal na Amazônia. Entre agosto de 2015 e julho de 2016, a destruição da floresta cresceu 29%, o que representa 8.000 km² de mata. Mais da metade desse desmatamento (56%) ocorreu em áreas de Cadastro Ambiental Rural, que, pelo Código Florestal, são obrigadas a reservar 80% de sua área para a preservação de mata nativa.

    Desde 1988, cerca de 420 km² de floresta foram devastados no Brasil. Segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o desmatamento da Amazônia reverteu tendência observada desde 2004 e passou a crescer a partir de 2014.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Mais recentes

    Você ainda tem 2 conteúdos grátis neste mês.

    Informação com clareza, equilíbrio e qualidade.
    Apoie o jornalismo independente. Junte-se ao Nexo!