O que é K-pop e como se formam seus ídolos

A ‘Onda Coreana’ que ganhou força na virada do século mantém alta produção e exportação de boy (e girl) bands que, no Brasil, lotam casas de shows

    O ano é 2016. O refrão mais cantarolado da Coreia do Sul é “Era moreugetda I Love y’all” — frase que quer dizer algo como “Que se dane, eu amo todas vocês”. Ele está na música “Fxxk It”, da boy band sul-coreana Big Bang, que mistura trechos em coreano e inglês embalados por elementos de house, techno e rap. A canção ficou em segundo lugar entre as mais tocadas na lista anual da Billboard.

    O sucesso não é exclusivo dos garotos da Big Bang: ele representa a expansão da cultura pop sul-coreana para o mundo. O fenômeno é chamado de “Hallyu” (“Onda Coreana”, em português), que desde o fim da década de 1990 cresce e vem fazendo fãs no Brasil e no mundo.

    A onda teve início com a popularização, fora da Coreia do Sul, dos K-Dramas, séries dramáticas sul-coreanas. Com o sucesso de “Autumn in My Heart” e “Winter Sonata” (os primeiros K-Dramas exportados) no leste, sul e sudeste asiático, as produções foram ganhando público crescente e o mundo acabou descobrindo essa faceta do país.

    O pop sul-coreano foi impulsionado em 2012 pela viralização do videoclipe de “Opa Gangnam Style” de Psy, cantor solo de K-pop. O clipe atingiu, em dezembro de 2012, o marco de primeiro vídeo a ultrapassar 1 bilhão de visualizações no YouTube.

    Foi com o K-pop que a cultura sul-coreana ganhou espaço no Brasil. O gênero musical hoje leva multidões a casas de shows no país. No dia 20 de março de 2017, uma segunda-feira, o grupo BTS (Bangtan Boys), lotou o Citibank Hall, na zona sul de São Paulo. É a terceira vez que o grupo vem ao Brasil. Agora pela turnê “Live Trilogy Episode III The Wings Tour”.

    Características do K-pop

    Gênero Híbrido

    As músicas pop sul-coreanas são, no geral, marcadas pela mistura de gêneros musicais. Em suma, a maior parte das produções associam batidas de rap e hip-hop com música eletrônica dançante, blues e rock.

    Frases em inglês

    O uso de trechos em inglês na música (geralmente no refrão) serve como o gancho para a exportação para fora da Ásia dessas produções marcadas pelo apelo visual.

    Moda

    No K-pop a moda é fundamental. Com roupas, cabelos e acessórios que parecem ter saído de desenhos animados, os “idols”, como são conhecidos os cantores e cantoras do gênero, ditam a moda jovem sul-coreana até que uma nova banda faça grande sucesso e substitua os antigos ídolos na preferência pelas vestimentas.

    Coreografias

    Os vídeos musicais e shows das bandas de K-pop são marcados pelas coreografias bem trabalhadas. No geral, ainda que repletas de passos e sequências, elas apresentam trechos mais simples, de fácil reprodução. A tática é embalar os fãs e aproximá-los dos ídolos.

    Sistema de treinamento intensivo

    Há algo de particular na história do K-pop. As bandas de garotos e garotas não se formam ao acaso ou graças ao interesse de amigos em viver da música. Jovens com potencial passam por treinamentos intensivos de “agências de trainees”, empresas responsáveis por criar grupos de sucesso.

    Funciona assim: os jovens são treinados em técnicas de canto, dança e atuação. Estudam idiomas e aprendem “bons modos” — do comportamento ao jeito de falar — para virarem ídolos juvenis. Nessas agências, após alguns anos, os mais preparados são reunidos em um grupo e então são lançados em programas de televisão e superproduções visuais, muitas vezes veiculadas via YouTube.

    O sistema de treinamento dos ídolos do K-pop é alvo de críticas. A produção industrial desses astros regionais e internacionais gera grande pressão sobre os jovens. O treinamento, no geral, dura cerca de cinco anos. Muitos desses garotos vêm de famílias de baixa renda e buscam ascensão social e fama. Trabalham sob a cobrança e expectativa de empresários — e do grande mercado que se formou em torno da música pop sul-coreana.

    6 grupos de K-pop para conhecer

    Big Bang

    O quinteto teve seu debut em 2006, mas só alcançaram o mercado internacional com o lançamento do EP “Always”, em 2007. Atualmente, o grupo está em sua 2ª turnê mundial, que atrasou devido a uma pausa para que os integrantes integrassem o serviço militar obrigatório.

    BTS (ou Bangtan Boys)

    Os Bangtan Boys estreou em 2013 e chegou rápido ao sucesso na Ásia. Atualmente, os sete garotos estão em turnê. No último dia 20, fizeram seu último show em São Paulo.

    2NE1

    O quarteto apareceu pela primeira vez durante um comercial ao contracenarem com os integrantes da Big Bang. O debut das sul-coreanas foi em 2009.

    EXO

    O grupo rompeu com a lógica sul-coreana de formar boy bands com músicas em inglês e coreano trazendo jovens chineses para cantarem, também, em mandarim. A formação do grupo é grande e por isso eles se subdividem entre “EXO-K” (coreano) e “EXO-M” (mandarim). A estreia do grupo, originalmente chamado de “M1”, foi em dezembro de 2011.

    Girls Generation

    É um grupo formado por oito garotas treinadas pela SM Entertainment. O grupo fez tanto sucesso que, no Japão, ganhou um segundo nome: “Shoujo Jidai”, algo como “Era das Garotas”.

    TVXQ

    Também formados pela SM Entertainment, os garotos da TVXQ, assim como a Girls Generation também ganhou um segundo nome no Japão após a estreia. Os “Tohoshinki”, como são conhecidos por lá, estrearam em 2003, mas o sucesso só veio em 2008 com o lançamento do single “Purple Line”.

    B-pop não deu certo

    No Brasil, a JS Entertainment, uma agência sul-coreana, treinou cinco jovens para criar a boy band Champs. Ela chegou a estrear em 2014, mas a história terminou em “disband” (quando um grupo chega ao fim) no início de 2015. Em 2014, quando o quinteto atuou, chegou-se a falar em um estilo B-pop (Brazilian Pop), uma mistura da cultura pop sul-coreana com a brasileira, com músicas cantadas em português e inglês.

    Em seu canal no YouTube, Iago Aleixo, um dos cinco brasileiros arregimentados pela JS Entertainment para a boy band Champs, afirma que a rotina era exaustiva. “Durante o período de trainee, perdemos muito contato com amigos e familiares”, diz. O ex-trainee, hoje com 21 anos, diz que o treino, já bastante puxado no Brasil, foi ainda mais intenso quando o grupo viajou para a Coreia do Sul: “A única coisa que tínhamos para comer era batata doce e frango, se quiséssemos algo a mais tínhamos que tirar do nosso bolso”, afirma.

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