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Como está a corrida espacial privada (da qual Stephen Hawking é passageiro)

Célebre cientista britânico anunciou que vai viajar em nave da Virgin Galactic. Uma nova corrida espacial começa, com empresas financiadas por magnatas excêntricos

O físico teórico Stephen Hawking disse sim na segunda-feira (20): ele vai viajar ao espaço sideral. Em entrevista ao programa de televisão britânico Good Morning Britain, o cientista contou ter aceitado convite de Richard Branson, presidente da Virgin Galactic, para embarcar na próxima decolagem. “Já fiz um voo com sensação de gravidade zero, o que me permitiu flutuar, sem sentir meu peso. Não achei que ninguém ia querer me levar [ao espaço]”, afirmou Hawking.

O convite de Branson, porém, pode demorar tempo incerto para se concretizar. Sua empresa promete fazer viagens comerciais ao espaço desde 2009. Até hoje, não conseguiu cumprir a missão. Mas agora tem motivos para cumprir sua palavra: há uma competição que envolve pelo menos outras duas empresas. 

Três companhias de três magnatas extravagantes apostam uma corrida espacial particular: a Virgin Galactic, a SpaceX (de Elon Musk) e a Blue Origin (de Jeff Bezos).

Uma história da corrida (privada) para o espaço

Até pouco tempo atrás, durante a Guerra Fria (1945-1989), a corrida para o espaço era uma briga entre nações. De um lado, os Estados Unidos; do outro, a então União Soviética.

A disputa entre as duas potências era um reflexo da corrida armamentista e da disputa por poder — no mundo e fora dele. Havia um caráter simbólico na rivalidade: o país que conseguisse ver primeiro a Terra do espaço, ou que chegasse primeiro à Lua, seria o mais poderoso.

Em 1957, os russos saíram na frente: lançaram o satélite Sputnik. Em 1961, enviaram Yuri Gagarin a bordo do Vostok 1 para um voo orbital. Lá do espaço ele disse: “A Terra é azul”. Os americanos então aceleraram suas pesquisas e, em 1969, botaram os primeiros homens na Lua, na missão Apollo 11.

Em 1975, a corrida amainou: EUA e União Soviética lançaram missão conjunta, a Apollo-Soyuz e começaram a colaborar. Como legado, as tecnologias de satélite para comunicação, previsão do tempo e geoposicionamento avançaram muito no período.

Com o fim da União Soviética, a Roscosmos (Agência Espacial Russa) perdeu força. A Nasa, agência espacial americana, reinou sozinha na dianteira das pesquisas a partir dos anos 1990.

Ainda assim, a tecnologia acumulada pelos russos, somada à crise por que passavam, fizeram com que outra vez fossem os pioneiros: se juntaram a uma empresa americana, a Space Adventure, e enviaram os primeiros turistas espaciais. De quebra, conseguiram arrecadar fundos: Dennis Tito, empresário americano, pagou US$ 20 milhões para viajar até a Estação Espacial Internacional em 2001 a bordo do foguete Soyuz.

De lá até 2017, algumas outras pessoas foram ao espaço a bordo de foguetes russos, feitos pelo Estado. Mas, paralelamente, nasceram nos EUA empresas que começaram a fabricar suas próprias naves, a fim de explorar comercialmente as viagens ao espaço. São elas que reaquecem a corrida espacial. E prometem, já para 2018, fazer seus primeiros lançamentos. Conheça um pouco sobre cada uma:

A Blue Origin, de Jeff Bezos

A empresa foi fundada em 2000 por Jeff Bezos, mas só começou a atuar efetivamente em 2003. Ela é fruto da ambição do magnata dono da Amazon, gigante das vendas on-line. A ideia da Blue Origin é levar humanos a voos sub-orbitais, dentro do foguete New Shepard, com uma cápsula para seis passageiros. O foguete já vem sendo testado com sucesso. Em 2016, uma cápsula que seria “ejetada” da nave em caso de algum acidente também passou no teste

Assim que o foguete atingir a borda do espaço, a cápsula se desconectará e os tripulantes receberão um sinal para a retirada dos cintos, possibilitando alguns momentos de gravidade zero. A cápsula possui grandes janelas que permitem uma vasta observação do nosso planeta.

Durante quatro minutos os passageiros poderão “navegar” dentro da cápsula, até que um novo sinal será ativado e os passageiros retornarão aos seus assentos, afivelando os cintos novamente. A cápsula voltará à Terra, pousando com a ajuda de dois paraquedas.

Os turistas espaciais terão que passar por treinamento para viajar. No fim de 2016, a Blue Origin anunciou para 2018 as primeiras viagens. Não divulgou, porém, os preços dos bilhetes.

A SpaceX, de Elon Musk

A empresa nasceu em 2002. É de Elon Musk, um dos fundadores do PayPal e, atualmente, um dos executivos que mais chamam a atenção no mundo. A empresa tem como objetivo declarado colonizar Marte. Vem desenvolvendo uma poderosa tecnologia de lançamento e pouso de foguetes que vão e voltam da órbita terrestre. Já realizou alguns voos orbitais com foguetes não tripulados que conseguiram pousar na Terra — fato que reduz muito os custos das viagens, já que o foguete é inteiramente reaproveitado.

Em fevereiro de 2017, a SpaceX comunicou que já tem dois tripulantes confirmados para embarcar em 2018 num voo rumo à Lua. Segundo a empresa, eles já pagaram boa parte da passagem. O valor não foi divulgado. O Dragon 2 vai dar uma volta no satélite natural, mas não vai pousar nele. A nave passará por um voo de teste não tripulado em 2017 e por um segundo voo teste, desta vez com tripulação, no primeiro semestre de 2018.

O lançamento será feito do Kennedy Space Center, na Flórida, na mesma base usada para lançar as missões do projeto Apollo rumo à Lua.

“Esta é uma oportunidade para os humanos voltarem ao espaço sideral pela primeira vez em 45 anos e eles vão viajar mais rápido e mais longe que qualquer um antes deles” 

Elon Musk

Fundador da SpaceX

A Virgin Galactic, de Richard Branson

A empresa foi fundada em 2004. É uma ramificação dos negócios de Richard Branson, que atua na música, na aviação civil e na indústria textil, entre outros.

Em 2014, a empresa teve um acidente: a nave SpaceShipOne explodiu em teste, matando o copiloto. Branson não abandonou os planos de ser a primeira empresa a fazer voos comerciais de turismo para o espaço: lançou o projeto da SpaceShipTwo em 2016. A nave foi projetada para carregar seis passageiros e dois pilotos em uma trajetória de 100 km ao espaço. Ela chegará 15 km de altura transportada por uma outra nave, a WhiteKnightTwo, de onde será lançada para o espaço.

Os turistas espaciais vão voar a uma velocidade três vezes superior à do som até que a nave atinja uma distância de 110 km da Terra. Nos voos sub-orbitais, os tripulantes poderão vivenciar alguns minutos de gravidade zero, antes de voltar à Terra. A companhia lançou sua nova espaçonave, SpaceShipTwo, em 19 de fevereiro de 2017, na Califórnia.

Ainda não há data prevista para o primeiro lançamento da Virgin Galactic, mas Branson já mencionou que um bilhete pode custar US$ 250 mil.

Celebridades como Angelina Jolie, Brad Pitt e Leonardo DiCaprio se inscreveram para viajar. Stephen Hawking é convidado para os primeiros voos.

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