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O que é preciso conhecer (e preservar) no Vale do Ribeira

Região desconhecida dos brasileiros tem riquezas naturais, agrícolas e culturais. E é a casa de 26 quilombos reconhecidos

     

    O Vale do Ribeira, localizado entre Paraná e São Paulo, é a última área contínua de Mata Atlântica no país. É ocupado por populações tradicionais, como os quilombolas. É também Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, o braço das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura. E apesar de sua riqueza natural, agrícola e cultural, é praticamente desconhecido da população brasileira.

    A região agora é alvo de uma campanha do ISA (Instituto Socioambiental) intitulada “O Ribeira Vale”. A ONG produziu um dossiê com o objetivo de fazer um apelo à valorização e incentivar o conhecimento da região pelos brasileiros. Ele inclui uma petição pela titulação do território dos quilombolas (grupos étnicos que tiveram origem na resistência à escravidão), que habitam a área e apresenta a websérie “Ribeira Essencial”, que já tem três episódios disponíveis no YouTube e no site da campanha. 

    A titulação é um processo de reconhecimento, por parte do Estado, do direito dos quilombolas à terra que ocupam. Ela é feita pelo Incra, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, por meio da emissão de um título de propriedade coletiva da terra.

    O que há no vale

    A região concentra 21% da Mata Atlântica remanescente, o segundo bioma mais ameaçado de extinção do planeta, segundo o ISA.

     

    O conjunto de áreas preservadas tem grande diversidade ecológica, incluindo mata, restingas (vegetação costeira) e manguezais.

    O Ribeira tem 45 Unidades de Conservação, áreas naturais de preservação definidas e geridas pelo Estado entre parques, estações ecológicas, áreas de proteção ambiental, reservas extrativistas e de desenvolvimento.

    Ele também é o lar de outras comunidades tradicionais além dos quilombolas: indígenas, caiçaras, caboclos e bairros rurais. A agricultura de subsistência predomina, e as populações são consideradas "guardiãs da mata".

    Na região há praias, cachoeiras, sítios arqueológicos e mais de 300 cavernas.  Em um dos quilombos, o de Ivaporunduva, há uma pousada e um projeto de turismo étnico-ambiental para estudantes. Outros quilombos também fazem roteiros de visita para turistas, segundo o ISA.

     

    A Caverna do Diabo é a maior do Estado de São Paulo e a mais conhecida da região. Além do parque onde ela se situa,o Parque Estadual da Caverna do Diabo, há outros dois com cavernas abertas à visitação: o Petar (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira) e o Parque Estadual Intervales.

    A culinária das comunidades, como a quilombola e a caiçara, usam matérias-primas locais. Pão recheado com ostras, risoto e farofa de ostras, ostras gratinadas e peixes são pratos típicos do quilombo litorâneo Mandira. Nos outros, há várias receitas com frango caipira.

    O conhecimento e a diversidade agrícolas são um dos maiores patrimônios das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira. Elas vêm realizando resgate de sementes e mudas desde 2008 e começaram a promover feiras de trocas para fortalecer essa diversidade de cultivos. A variedade de sementes disponíveis aumentou para 130 variedades na feira de sementes de 2016 (em 2015 eram 81). Isso garante a segurança alimentar das comunidades, minimizando os efeitos de mudanças climáticas sobre elas porque há alternativas de variedades de climas distintos.

    Problemas que o Vale enfrenta

    Dos 26 quilombos reconhecidos existentes na região, apenas seis estão titulados, ou seja, têm o direito à terra reconhecido pelo Estado brasileiro. Segundo o ISA, isso ameaça o sustento, a sobrevivência e a preservação da cultura das comunidades.

    Os índices de desenvolvimento humano da região são inferiores às médias dos dois Estados (São Paulo e Paraná), e os municípios do Vale do Ribeira apresentam graus de escolaridade, emprego e renda menores que os centros urbanos próximos, segundo o dossiê do instituto.  

    A ideia é que essas populações que sempre sobreviveram de seus conhecimentos sobre a mata e da agricultura de subsistência, possam preservar seu estilo de vida. O desenvolvimento sustentável, geração de renda, conservação e melhoria da qualidade de vida das comunidades quilombolas são desafios que o Programa Vale do Ribeira do ISA tenta superar.

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