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Um prêmio de US$ 250 mil para quem pratica a desobediência civil

Laboratório do MIT quer recompensar projetos e ideias que tenham impacto positivo na sociedade

    “Quando o súdito nega obediência e quando o funcionário se recusa a aplicar as leis injustas, ou simplesmente se demite, está consumada a revolução”. Assim o americano Henry Thoreau defendeu “A Desobediência Civil”, em ensaio publicado em 1849.

    Inspirado nas ideias do escritor americano, o Laboratório de Mídia do MIT (Massachusetts Institute of Technology), respeitada universidade dos Estados Unidos, lança seu Prêmio de Desobediência. A recompensa para o vencedor é de US$ 250 mil. O objetivo é premiar pessoas ou grupos com projetos transgressores que busquem alcançar melhorias no campo dos direitos civis e sociais. Os interessados em concorrer ao prêmio podem se inscrever até 1º de maio de 2017.

    Para se candidatar ou indicar um ou mais ativistas é preciso respeitar alguns critérios: os projetos ou ações submetidos ao prêmio devem ter como princípios a “não violência, a criatividade, a coragem e o risco de responsabilização pelas ações", segundo o texto de apresentação do prêmio.

    Um dos exemplos citados pelo diretor do laboratório responsável pelo prêmio, Joi Ito, em entrevista ao jornal “The New York Times” é a trajetória da vencedora do prêmio Nobel da Paz em 2014, a paquistanesa Malala Yousafzai, que em 2012, então com 15 anos, foi atingida por um tiro disparado por um militante extremista. Malala defendia na internet o direito de meninas do vale do rio Swat, área no Paquistão disputada pelo Talebã, de frequentar a escola.

    “Há pessoas fazendo coisas realmente importantes, quebrando as regras ou aderindo a seus princípios com o conhecimento de que serão feridas ou punidas de alguma forma por suas ações [...] esperamos que [o premiado] seja alguém que nos dê coragem, como Malala”

    Joi Ito

    Diretor do Laboratório de Mídia do MIT ao “The New York Times

    O vencedor da primeira edição do Prêmio de Desobediência do MIT será escolhido por uma comissão de representantes da universidade em parceria com ativistas, engenheiros, cientistas e designers ligados ao laboratório de mídia. No dia 21 de julho, o MIT divulgará uma lista de candidatos pré-selecionados para o evento de condecoração, ainda sem data e local definidos.

    Por razões de segurança, apenas a comissão de seleção terá acesso aos dados dos candidatos. “Estamos conscientes da privacidade e do fato de que muitas pessoas e organizações que fazem trabalho desobediente podem não querer divulgar suas informações ao público”, diz o texto.

    O conceito é anarquista e pacifista

    Em 1849, o escritor e poeta americano Henry Thoreau foi preso por ter se negado a pagar impostos. Ele passou apenas uma noite na prisão, mas foi lá que classificou sua insubordinação legal, pela primeira vez, como desobediência civil, no ensaio escrito dentro da cela.

    O ensaio de Thoreau, disponível em domínio público, define a desobediência civil como um meio pacífico e moralmente justo de protesto contra o governo. Para ele, cabe a cada pessoa escolher a quais ideais quer se associar. Nessa lógica, ao se recusar a pagar impostos e, assim, não financiar atividades como a escravidão e a guerra, o autor faz um protesto de discordância, ou seja, está expressando seu descontentamento e se abstendo de participação em ações que não representam seus próprios interesses ou ideais.

    “A lei jamais tornou os homens mais justos, e, por meio de seu respeito por ela, mesmo os mais bem-intencionados, transformam-se diariamente em agentes da injustiça”

    Henry Thoreau

    Em seu ensaio “A Desobediência Civil”, de 1849

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