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6 frases de críticos de cinema para entender a obra de Andrea Tonacci

Morto no final de 2016, cineasta é tema de artigos reunidos em dossiê. Centro Georges Pompidou faz retrospectiva de sua obra em Paris

    Temas

    Um dos principais nomes do Cinema Marginal brasileiro, Andrea Tonacci morreu em dezembro de 2016. “À sua maneira séria, discreta e solitária, seguiu o caminho que o Universo lhe apresentava”, escreveu o amigo José Roberto Sadek, atualmente secretário da Cultura do Estado de São Paulo. Em março de 2017, ele ganha uma retrospectiva no festival Cinéma du Réel, no Centro Georges Pompidou, em Paris.

    Tonacci nasceu em Roma em 1944, mas veio ao Brasil ainda criança. No país, largou duas faculdades para se dedicar ao cinema, integrando uma geração de diretores dos anos 1960 cujo estilo experimental se opunha ao intelectualismo do Cinema Novo. Trata-se do Cinema Marginal. Em comum, ambos eram feitos inicialmente com baixos orçamentos, traziam a noção de autor e personagens desesperançosos.

    Nesse contexto, Tonacci começou a produzir sua obra discretamente, sob a censura do regime militar. Seu trabalho era caracterizado pela temática indígena, narrativas descontínuas e por estar fora do circuito comercial — à margem dele. “Bang Bang” (1971) foi ignorado pelos cinemas nacionais, mas selecionado pela Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes.

    Seu último filme concluído, “Já Visto Jamais Visto”, reconta sua própria história a partir de fragmentos de vídeos pessoais, feitos por ele ou por pessoas próximas nos últimos 40 anos, e nunca antes utilizados. O diretor concluiu ao longo de sua carreira cinco longas e uma série de curtas.

    Como homenagem, a Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) reuniu um dossiê de 20 artigos, críticas e entrevistas publicados nos últimos tempos sobre o cineasta.

    Os textos foram publicados nos últimos anos em diferentes veículos, como a revista “Devires” e o livro “100 Melhores Filmes Brasileiros” e escritos por nomes da crítica nacional como Inácio Araujo, Alysson Oliveira e Carlos Alberto Mattos.

     

    Abaixo, o Nexo reuniu seis frases de críticos de cinema a respeito de Andrea Tonacci e sua obra.

    Temática indígena

    “[Tonacci] escapou da medianidade do cinema brasileiro filmando muito com e para índios”

    Carlos Alberto Mattos

    Em crítica originalmente publicada em seu blog pessoal

    Discrição

    “Na década de 70, [Tonacci] passou a ‘existir’ (como ele próprio costuma dizer) para o cinema, após ganhar notoriedade — sem qualquer tipo de glamour — com ‘Bang Bang’ e se tornar um dos principais nomes do chamado Cinema Marginal”

    Introdução de uma entrevista ao site “Cinequanon”

    Metalinguagem

    “Tonacci, através do cinema, sempre refletiu sobre o próprio processo de criação da obra de arte, inserindo uma auto-reflexividade que dialoga diretamente com o cinema como ato de construção de um discurso, contra a invisibilidade típica da narrativa clássica”

    Marcelo Ikeda

    Crítico de cinema

    Fragmentação

    “A fragmentação, típica de nossa pós-modernidade, impede-nos de ver o todo — no filme [‘Já Visto Jamais Visto’], seria o fluxo da passagem do tempo, que vem truncado e com lacunas. Cabe ao exercício mental de cada espectador completar os espaços e dar sentido ao que se vê na tela”

    Alysson Oliveira

    Crítico de cinema

    Misto de documentário e ficção

    “[O filme] ‘Serras da Desordem’ problematiza sua classificação — é documentário, ficção, as duas coisas ao mesmo tempo. Quem procurar definições muito estanques não vai encontrar. Até porque Tonacci faz um percurso entre muitos registros do documentário, etnográfico, cinema-verdade, de arquivo, ensaístico.”

    Neusa Barbosa

    Crítica de cinema

    À margem

    “Apesar de ter sua exibição restrita ao circuito alternativo, o filme [‘Bang Bang’] foi arregimentando fãs por onde passava (chegou a ser exibido no célebre Eletric Cinema, em Londres, e participou da Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes), bastando para estabelecer a reputação de Tonacci”

    Marcus Mello 

    Mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS

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